Fruto de uma parceria entre Hollywood e a China, “The Great Wall” obrigou a um investimento de 150 milhões de dólares, mas o filme já é apontado como o primeiro grande insucesso de 2017. A estimativa do prejuízo aponta para os 75 milhões de dólares

 

Apesar do título, nada é especialmente grandioso em “The Great Wall”, a nova aventura épica do cineasta chinês Zhang Yimou, outrora mais conhecido pelos seus dramas intimistas, além de alguns filmes de artes marciais, como “Hero” e “House of Flying Daggers”. A conclusão pertence aos críticos de cinema da agência Reuters, que entendem que o novo filme, que tem o actor norte-americano Matt Damon no papel central, “está bem longe de tudo o que Zhang já fez”.

E a reacção do público parece dar razão à crítica. De acordo com o “The Hollywood Reporter”, até ao início deste ano o filme apenas tinha facturado 34 milhões de dólares nos EUA, despontando como o primeiro grande fracasso de bilheteira de 2017. Em média, uma produção de 150 milhões de dólares – como é o caso de “The Great Wall – necessita de facturar o dobro ou triplo do seu orçamento para ser considerada um sucesso.

Tendo em conta que a Universal Pictures também gastou 80 milhões de dólares na divulgação do filme, os especialistas estimam que o prejuízo final poderá ascender a 75 milhões.

“The Great Wall” resulta de uma mega parceria entre os dois maiores mercados cinematográficos do mundo, ao juntar empresas americanas e chinesas, nomeadamente a Universal Pictures, Legendary Pictures, Atlas Entertainment, Le Vision Pictures e China Film Group.

Recheado de efeitos especiais, o filme tem como cenário principal a Grande Muralha da China e, para além de Mattt Damon, conta no elenco com Willem Dafoe, Pedro Pascal, Tian Jiung, Hanyu Zhang e Han Lu.

Segundo uma lenda, totalmente fabricada para o filme, a Grande Muralha teria sido construída para evitar que criaturas monstruosas, que aparecem a cada 60 anos, invadissem o país e dizimassem a população. Essa frágil premissa serviu de pretexto para fazer a produção mais cara da China que, todavia, também fracassou na bilheteira local, quando estreou em Dezembro, perdendo para “The Mermaids”, de Stephen Chow, filme de baixo orçamento sobre sereias mas bem mais lucrativo.

No enredo, um grupo de mercenários europeus ruma à China da dinastia Song (960-1279), para buscar algo conhecido como “pó negro”, ou seja, a ainda desconhecida pólvora, que seria muito lucrativa numa Europa em constante guerra. No entanto, a comitiva é rapidamente exterminada, sobrando apenas William (Damon) e o cómico Tovar (o actor chileno Pedro Pascal), que encontram a muralha cercada de monstros de dentes afiados. Inicialmente prisioneiros, acabam por se unir ao grande exército de chineses, inclusive com pelotões femininos, na infindável luta contra as criaturas.

Os grandes batalhões, identificados pelas suas especialidades e cores, são liderados pelo estratega Wang (Andy Lau) e a comandante Lin Mae (Tian Jing), que fala inglês fluentemente, língua que aprendeu com a ajuda de Ballard (Willem Dafoe), outro mercenário ocidental que chegou à região e se viu impedido de partir. Segundo a Reuters, ao ver “The Great Wall” percebe-se que afinal, o personagem de Matt Damon, além de mercenário, surge sempre em posição inferior em relação a Lin Mae e Wang, que se apresentam como “mais inteligentes, fortes, heróicos e humildes”.

 

JTM com agências internacionais