Os negócios das redes de “fast-food” americanas no Vietname têm ficado aquém das expectativas, fruto da concorrência da comida local e da falta de adaptação ao paladar no país

 

Em Fevereiro de 2014, quando o McDonald’s inaugurou o primeiro estabelecimento em Ho Chi Minh, criaram-se filas de mais de uma hora com centenas de vietnamitas à procura dos hambúrgueres que só conheciam através dos filmes de Hollywood. Mas os gostos locais e a preocupação com uma alimentação saudável têm constituído entraves à sua popularidade.

A franquia, que chegou ao Vietname através do investidor Henry Nguyen, genro do então primeiro-ministro Nguyen Tan Dung, abriu vários estabelecimentos nos meses seguintes em diferentes áreas da cidade e planeava inaugurar uma centena no espaço de uma década. Porém, três anos e meio depois, com apenas 15 restaurantes no país e desfeito o efeito da novidade, a estratégia teve de ser reformulada.

“Faltou, sobretudo, a adaptação dos menus ao gosto local. O hambúrguer é uma comida muito ocidental, os vietnamitas estão acostumados a comer sopas, muitos molhos, verduras, muito carboidrato que vem do arroz e da massa. Noutros países adaptaram a ementa, como na Tailândia, mas não fizeram isso no Vietname”, explicou Ashish Kanchan à agência EFE.

Para além disso, o director da firma de pesquisas de mercado Kantar sublinha que os consumidores vietnamitas também são muito cuidadosos com a saúde.  “Os vietnamitas dão muita importância à saúde e ao modo como aquilo que comem afecta o seu aspecto físico. Querem sempre que a comida tenha verduras ou produtos que dêem uma sensação de frescura ao corpo segundo os princípios da medicina tradicional, e a comida rápida americana não tem essa imagem”, explicou Ashish.

Ngoc Chau, uma vietnamita de 35 anos que vive no estrangeiro mas mantém a preferência pela comida local, confirmou essa ideia. “Não gosto deste tipo de comida porque os alimentos não são frescos, é comida frita que não é boa para a saúde”, disse.

A vasta oferta de comida de rua, de fácil consumo e a preço reduzido, adaptada ao gosto local, como o “banh mi”, um sanduíche de pão com carne, especiarias e vegetais, cria concorrência ao produto estrangeiro.

O Burger King, que entrou no mercado vietnamita três anos antes, deparou-se com um problema semelhante, e após uma forte expansão iniciada em 2012 com um investimento de 40 milhões de dólares americanos, viu-se obrigado a fechar seis restaurantes nos últimos três anos, de acordo com o portal “Vietnamnet”.

Ainda assim, nem todas as redes de “fast-food” sentiram essas dificuldades. Ashish destaca o exemplo do Kentucky Fried Chicken, que chegou ao mercado vietnamita há 20 anos, e hoje está por todo o país.

O analista nega que os vietnamitas sejam reticentes a provar coisas novas, apontando o sucesso da comida japonesa e a presença de espaguete à bolonhesa no menu de restaurantes locais, embora numa versão adaptada.

“O Vietname é um país aberto, mas o processo para as redes de fast-food vai ser lento. As marcas devem vender de maneira diferente, não podem fazer como no seu país de origem”, concluiu o especialista.

 

JTM com agências internacionais