O Facebook ampliou o número de utilizadores africanos para 170 milhões, mas pretende expandir-se ainda mais instalando pontos de ligação Wi-Fi e cabos de fibra óptica numa tentativa de alargar a sua rede fora dos mercados desenvolvidos

 

O actual número de utilizadores do Facebook em África representa um crescimento de cerca de 42% relativamente a 2015, ano em que a rede social dos EUA abriu pela primeira vez um escritório africano, salientou a vice-presidente de marketing global da empresa, Carolyn Everson, em entrevista à agência Bloomberg, em Joanesburgo.

O Facebook prepara-se agora para instalar sistemas de Wi-Fi na Nigéria e no Quénia, através de parcerias com operadoras internacionais de redes de telemóveis como a Emirates Telecommunications Group, conhecida como Etisalat, e a empresa Surf. O grupo fundado por Mark Zuckerberg anunciou também planos para construir uma rede de 770 quilómetros de cabos de fibra óptica no Uganda juntamente com a companhia indiana Bharti Airtel.

“Não há uma fórmula mágica para fornecer internet à população do continente”, reconheceu Carolyn Everson, junto ao novo escritório do Facebook em Joanesburgo, onde a empresa também cresceu em termos de espaço físico.

“Estamos a usar tudo que temos à disposição, implantando Wi-Fi expresso, instalando fibra óptica e testando o nosso projecto Aquila”, salientou a mesma responsável, numa referência ao uso de aviões não-tripulados movidos a energia solar que oferecem conectividade à internet.

Estes planos fazem parte de uma iniciativa de investimento a longo prazo do Facebook em África, o mercado menos desenvolvido da rede social, ao representar menos de 10% dos 1,86 mil milhões de utilizadores espalhados por todo o mundo. A empresa com sede em Menlo Park, na Califórnia, procura tirar proveito de factores como a juventude da população, maior conectividade e crescente disponibilidade e acessibilidade dos “smartphones” para atingir novos clientes. Entre as restantes empresas dos EUA que estão a tentar crescer em África destaca-se a Google, que vai instalar cabos de fibra óptica e facilitar o acesso a telefones Android mais baratos.

“As pessoas são sensíveis aos preços da oferta de dados no continente. As infra-estruturas são caras e por isso estamos à procura de parceiros. Estamos a formar parcerias com projectos de infra-estrutura de telecomunicações e, como consequência, a reduzir o preço da oferta de dados”, explicou Carolyn Everson.

Paralelamente, o serviço de mensagens instantâneas “WhatsApp”, que pertence à empresa, está a revelar-se “muito popular” no continente africano, inclusive, mais do que o próprio “Facebook Messenger”, de acordo com a vice-presidente de marketing global

No ano passado, a tentativa do Facebook de conectar os africanos de zonas rurais foi arruinada pela explosão de um foguete da SpaceX. Embora essa perda tenha sido desalentadora, o Facebook está a usar uma combinação de tecnologias baseadas em terra e satélite para implantar pontos de acesso Wi-Fi e pondera avançar para outras opções, à medida que forem sendo disponibilizadas.

 

JTM com agências internacionais