Depois da ficção científica de “Interstellar”, o realizador Christopher Nolan mudou totalmente de género com “Dunkirk”, uma história de guerra “envolvente, intensa e cheia de suspense” que narra a retirada de 300 mil soldados dos Aliados durante a Segunda Guerra Mundial

 

Conhecido por películas como “Inception” (2010), “Interstellar” (2014) e a trilogia de “Batman”, o realizador britânico Christopher Nolan apropriou-se de um capítulo célebre da Segunda Guerra Mundial no seu novo filme, “Dunkirk”, em exibição em Macau desde 20 de Julho.

Foi uma “oportunidade para narrar histórias que ainda não tinham sido contadas no cinema” sobre esse facto histórico, explicou Nolan em entrevista à Agência EFE, em Londres.

Em Maio de 1940, 400 mil soldados britânicos estavam cercados na praia francesa de Dunquerque, entre as tropas alemães e o mar, enquanto aviões inimigos os bombardeavam para evitar que voltassem ao seu país. Do outro lado do Mar do Norte, a “Royal Air Force” decidiu enviar várias equipas para defender as embarcações e os soldados desprotegidos. Paralelamente, as autoridades britânicas preparam uma operação ambiciosa e inédita: enviam centenas de pequenos barcos, tripulados por civis, para socorrer os seus soldados.

Em nove dias, 338.220 soldados – na sua maioria britânicos, mas também franceses e belgas – foram evacuados em condições extremas pelos chamados “little ships”.

Essa operação, que ficou conhecida como “Dínamo” ou a “Evacuação de Dunquerque”, sendo classificada pelo então Primeiro-Ministro britânico, Winston Churchill, como um “milagre”, é retratada na nova longa-metragem, que, no entanto, figura sobretudo como a história de uma fuga mais do que um filme de guerra. “Um suspense de acção”, “um filme sobre a sobrevivência”, diz o realizador ao descrever “Dunkirk”, onde o inimigo, alemão, é invisível até ao último minuto.

Para Christopher Nolan “não se tratou de uma vitória, nem de uma batalha, mas de uma evacuação”, o que, ainda que possa “parecer bastante simples”, acabou por ser algo “muito importante” que faz parte da história “universal”. No seu décimo filme, no qual utilizou câmaras IMAX e barcos e aviões reais, o realizador e produtor recorreu a uma façanha que “mudou o mundo” e que o permitiu “falar do sentido da comunidade” entre os soldados e civis que se uniram para poder encarar as adversidades da guerra.

O filme relata os acontecimentos da época com incríveis imagens de três diferentes pontos de vista: terra, mar e ar. Uma filmagem que criou “grandes desafios físicos” para gravar em cada uma das posições, levando Nolan à “sensação de ter feito algo novo”, já que procura sempre “construir experiências sobre o passado, mas olhar também para novas metas”.

Desta vez, o desafio assentou em nada menos do que um dos géneros mais clássicos por excelência do cinema, o da guerra, que conta com um histórico de grandes filmes como “Saving Private Ryan” e “The Thin Red Line”, com os quais os críticos já comparam o filme de Nolan.

O elenco de “Dunkirk” conta com Mark Rylance, Kenneth Branagh, Tom Hardy e Cillian Murphy, além de Harry Styles, cantor da banda “One Direction” que faz a sua estreia como actor.

Em entrevista à EFE, alguns deles admitiram que as gravações, tanto na praia como nas embarcações ou aviões, foram experiências duras para interpretar os papéis. Para Rylance, que ganhou o Óscar de melhor actor secundário por “Bridge of Spies” no ano passado, a parte mais difícil da gravação foi estar cercado de água, sem poder sair da embarcação.

Além de ter muitos personagens para um filme que é dos mais curtos já dirigidos por Nolan, “Dunkirk” tem pouco diálogo. “Não queria que os personagens explicassem o quão preocupados estavam, mas mostrar as situações físicas e usá-las para que o público tivesse empatia com elas”, justificou o realizador.

 

JTM com agências internacionais