Criados com base em detalhes científicos, 24 dinossauros estão presentes em exposição no Studio City, onde os visitantes podem experienciar um ambiente pré-histórico

 

SALOMÉ FERNANDES

 

Até 15 de Abril, o Studio City tem em exibição a experiência “caça ao dinossauro”. A “Times Square” do complexo foi transformada num mundo pré-histórico, com dinossauros mecânicos em tamanho realista a sobressaírem de entre folhagem verde e rochas artificiais. Mas os 24 animais espalham-se por mais zonas do espaço, que incluem outras atracções.

Depois de dois anos para criar o conceito, seis meses de preparação, dois de produção, e 10 dias de montagem do cenário no espaço, a primeira vaga de dinossauros que invadiu ontem o Studio City é o resultado dos curadores e designers da Globe Creative, bem como da consultadoria prestada por Michael Pittman, professor na Universidade de Hong Kong que se dedica à paleontologia associada a estes animais.

A experiência envolve também realidade aumentada, um vídeo onde os visitantes se podem ver a fugir de uma horda de dinossauros e a partir da segunda fase do projecto, que se inicia em Fevereiro, vão poder integrar um cenário de realidade virtual. A aposta no entretenimento interactivo foi frisada pelo presidente do empreendimento, David Sisk.

Michael Pittman é o consultor do projecto

O professor universitário interveio em diferentes alturas da concepção do projecto para verificar o conteúdo de forma a que os modelos de dinossauro reflectissem o mais possível o que se sabe sobre eles em termos investigativos e para os tornar realistas. “Fazer exactamente como queríamos iria demorar imenso tempo, por isso considerando o limite temporal creio que os animais que se vêem estão bastante semelhantes ao que se veria na época”, comentou.

Os tons de vermelho, amarelo e azul que preenchem a pele artificial rugosa das criaturas não foram determinados ao acaso. “As cores resultaram muito do estudo das suas penas, de escala de cores, e algumas delas são simplesmente baseadas nos animais modernos, como as cores de lagartos e crocodilos”, explicou Michael Pittman à TRIBUNA DE MACAU. “Tem existido muita investigação recente sobre, por exemplo, o Tarbosaurus, que é como um T-Rex asiático, são relacionados, e apresenta algumas penas. E isto deve-se a alguns antepassados chineses terem encontrado penas sobre o corpo”, disse.

Já a barriga mais clara por contraste com a sua dorsal mais escura do Saichania, que é da Mongólia e do norte da China, deve-se a motivos de camuflagem. “E é por isso que mesmo na exibição tem esse padrão de cores, porque se demonstraram vários detalhes em pesquisas”, comentou Michael Pittman.

O investigador, cujo trabalho com dinossauros se foca no modo como as aves evoluíram dos seus antepassados não-voadores, indicou que se desloca todos os anos ao deserto de Gobi, para fazer pesquisa, e onde já se deparou com ossos de espécies representadas na exibição do Studio City. “Muitos dos animais aqui presentes são dessa zona”, comentou.

A consultadoria envolvida no projecto junta no Studio City fantasia e ciência. “A parte boa deste ambiente é ser uma atmosfera relaxada. Quando se vêem os modelos está-se a digerir ciência subconscientemente, porque têm descobertas recentes integradas neles. É uma forma de transmitir a informação de uma forma em que não se parece que está a aprender”, acrescentou Michael Pittman.

O actor de Hong Kong Wong Cho Lam, presente na abertura do evento, mostrou-se entusiasmado com a oportunidade de fazer parte do projecto. Depois de participar num pequeno vídeo onde descobre dinossauros em Chengdu e os traz a Macau, apareceu envolto em fumo branco com gestos de acção que o mostravam pronto para sobreviver, e um sentido de humor que o levou a imitar as criaturas em exposição.