Dando razão a quem o vê como “um artista do presente”, Chico Buarque lançou um novo ciclo de espectáculos centrado no álbum “Caravanas”, o 23º a solo da sua carreira

 

Depois de mais de cinco anos sem subir aos palcos, Chico Buarque vai matar as saudades dos fãs com um mês de espectáculos no Rio de Janeiro para promover o seu novo trabalho, “Caravanas”. Apontado como uma lenda viva da música brasileira, Buarque participou pontualmente nalguns “shows” durante esse período, mas 2017 marcou formalmente o regresso à cena musical com o lançamento do seu 23º disco de estúdio a solo, com nove faixas, aclamado pela crítica devido à sua actualidade.

Neste trabalho, o artista de 73 anos aborda o amor “shakesperiano” mas também da era da comunicação, em torno de aplicações como o “Whatsapp”, nomeadamente na faixa “Dueto”, com a neta Clara. Também retrata o drama dos refugiados (“As Caravanas”) e defende que a velhice deve ser assumida com espírito desportivo (“Jogo de bola”).

O também poeta e romancista decidiu começar a digressão “Caravanas” em meados de Dezembro em Belo Horizonte (sudeste), mas é com este mês de shows em sua casa que o retorno ganha força para, depois do Carnaval, ir actuar a São Paulo e outras capitais de estados brasileiros.

No entanto, no Rio de Janeiro, os preços para ver o artista não serão acessíveis a todas as carteiras: as entradas vão de 220 a 490 reais (entre cerca de 550 e 1.200 patacas).

Antes do ciclo de espectáculos no Rio de Janeiro, Buarque convocou os jornalistas para a sala Vivo Rio, onde se apresentará de quinta a domingo durante um mês, e fez questão de tocar com a sua banda “Homenagem ao malandro” e “As Caravanas” num palco minimalista, decorado com fitas geométricas luminosas.

Em “Caravanas”, que sucede ao álbum “Chico” (2011), Chico Buarque atreve-se a misturar desde o “lundu” (ritmo africano centenário) com um bolero em espanhol em homenagem a Havana (“Casualmente”), até um som mais orquestral combinado com uma batida do “funk” conhecida como “tamborzão”.

“‘Caravanas’ crava, enfim, que Chico é um artista do presente – ao contrário do lugar em que alguns têm procurado localizá-lo nos últimos anos (especialmente após ‘Tua cantiga’ e o aquecimento de ânimos com a acusação de machismo na sua letra), de ser alguém anacrónico na sua poética e musicalidade”, escreveu o jornalista musical Leonardo Lichote, no jornal “O Globo”.

Apesar da ausência musical nos últimos anos, o artista que se exilou na Itália durante a ditadura e vive temporadas em Paris nunca deixou de lado a militância política. Recentemente, Chico Buarque apareceu em eventos juntamente com o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, a quem expressou apoio para as eleições de 2018.

E sobre essa saudade que os fãs podiam sentir dele, no single de lançamento “Tua cantiga” (que alguns classificaram como machista), Buarque diz poeticamente: “Quando te der saudade de mim/ Quando tua garganta apertar/ Basta dar um suspiro/ Que eu vou ligeiro/ Te consolar”.

 

JTM com agências internacionais