Papi Jiang (à esq.) tem 23 milhões de seguidores
Papi Jiang (à esq.) tem 23 milhões de seguidores

Estrelas da internet como Wang Houhou e Papi Jiang transformam moda em fortunas na China, onde a economia dos chamados “wanghong” já está avaliada em quase oito mil milhões de dólares

 

Além de ter hoje milhares de seguidores na internet, a jovem chinesa Wang Houhou despertou o interesse de grandes marcas, dispostas a pagar somas avultadas pelo seu “aval”. Tudo começou há um ano com algumas linhas nas redes sociais e conselhos sobre como encontrar roupa adequada para andar na moda.

“Bastava que eu encontrasse algo interessante, vestisse e tirasse fotos divertidas. Colocava as fotos no meu blog e as pessoas iam comprar”, recorda com surpresa Wang Houhou, que se prepara para abrir a sua própria plataforma de comércio electrónico.

Wang é o que na China chamam de “wanghong” (“vermelho na rede”), produtos de internet transformados em celebridades graças a alguns vídeos de sucesso nas redes sociais.

Esta actividade transformou-se num sector económico avaliado em 7,7 mil milhões de dólares americanos em 2016 pela consultora “Analysys International”, que prevê a duplicação desse valor para o final de 2018.

“Um desconhecido pode tornar-se importante de repente e qualquer filho do vizinho pode passar a ser uma celebridade”, destaca à agência AFP Yuan Guobao, autor de “A economia dos wanghong”.

A mais famosa destas celebridades de internet é, sem dúvida, Papi Jiang, cujos vídeos atraem 23 milhões de seguidores. A jovem, de 30 anos, já assinou contratos publicitários com a marca de relógio suíço Jaeger-LeCoultre e a de calçados desportivos New Balance. Papi e os seus alter egos influenciam fortemente o comércio electrónico, sector em pleno auge na China, nota Zhang Yi, da consultora “iiMedia Research Group”, acrescentando que os anunciantes vêem nessas celebridades uma alternativa poderosa ao gigante da internet Baidu, que domina a publicidade virtual.

“Hoje alguém escolhe uma roupa, prova, leva e convence alguém a comprá-la”, resume Zhang Yi, estimando que as estrelas da internet já influenciam cerca de um quinto das compras online na China.

“É o comércio em pleno auge. Os wanghong têm os seus próprios seguidores que podem facilmente tornar-se consumidores das marcas que recomendam”, explica.

Algumas empresas perceberam a importância desse filão e especializaram-se na busca e formação das celebridades de internet. Ruhan Holdings, por exemplo, obteve no ano passado um investimento de 300 milhões de yuans do gigante do comércio electrónico Alibaba.

Num apartamento de Xangai, Wang Houhou e a sócia, Wang Ruhan, de 24 anos, preparam o lançamento da sua loja de roupa online com um grupo de modelos. “Se não tivéssemos lançado este blog, hoje eu estaria provavelmente no mundo das finanças”, conta Wang Ruhan, que teve a ideia de criar o blog no ano passado ao regressar à China, após ter estudado Literatura Inglesa nos Estados Unidos. Foi quando voltou ao país que se deu conta de como era difícil encontrar roupas da moda.

Os conselhos das duas Wang para encontrar camisas e mini-saias no Taobao, site de comércio electrónico na China, causaram furor entre as jovens chinesas, levando as marcas de “prêt-à-porter” a oferecer-lhes dinheiro para que recomendassem as suas criações.

A arte de criar uma celebridade de internet já é, inclusive, ensinada ao mais alto nível. A universidade industrial e comercial de Yiwu, perto de Xangai, lançou uma especialização “wanghong”, onde 34 alunos, na maioria meninas, aprendem dança e maquiagem, mas também a falar perante as câmaras e a reconhecer as marcas de luxo.

“Sempre sonhei em estar no palco, sob os holofotes com uma multidão que me admira”, confessa Wang Xin, uma estudante de 20 anos que deixou a contabilidade para tentar a sorte nesta nova especialidade.

 

JTM com agências internacionais