O presidente da Câmara da Mealhada acredita que a eventual elevação do Buçaco a Património Mundial permitirá duplicar em três anos o número de visitantes, garantindo a “auto-sustentabilidade financeira” da Fundação que gere a Mata Nacional

A classificação como Património Mundial “vai atrair atenção e visitantes desde o primeiro minuto, garantindo que a Fundação que gere os 105 hectares da floresta se torne auto-sustentável financeiramente”, disse à agência Lusa Rui Marqueiro, que apresentou na Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL) a candidatura do “Deserto dos Carmelitas Descalços e Conjunto Edificado do Palace do Bussaco” à classificação de Património Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).

Segundo estimativas apresentadas no dossiê de candidatura, num “cenário pós-classificação da UNESCO”, o número de visitantes da Mata Nacional do Buçaco deverá aumentar 100% num espaço de três anos, registando-se ainda uma subida de 15% no número de alojamentos e 30% em dormidas.

Num espaço de 10 anos, a previsão aponta para números ainda mais impressionantes: 300% no número de visitantes (250 mil em 2016), 100% nas dormidas e 50% em alojamentos.

A empresa que gere a candidatura da Mata situada no concelho da Mealhada destaca vantagens de quatro tipos na classificação como Património Mundial da UNESCO: demográficas, ambientais, socioeconómicas e turísticas.

O aumento de visitantes é o impacto mais evidente, seguindo-se a “geração de valor identitário” das populações à volta da Mata e o crescimento da mobilidade e envolvimento das comunidades locais no eixo Luso-Buçaco-Mealhada.

As vantagens ambientais passam pelo aumento da capacidade de preservação da riqueza florestal dos 105 hectares da Mata, pelo reforço das iniciativas de investigação, por uma maior capacidade na gestão dos recursos hídricos locais e pela “potenciação da consciencialização ambiental”. No processo de candidatura, é ainda destacada a capacidade de atracção que a Mata constituirá para a região, gerando riqueza através do consumo de produtos locais, fixando jovens com formação académica e profissional especializada e atraindo novos residentes e empreendedores.

Por outro lado, a distinção da UNESCO vai contribuir para reforçar a posição da entidade regional Turismo Centro de Portugal, que hoje já conta com Coimbra, Batalha, Alcobaça e Tomar como membros da lista de Património Mundial da Humanidade. Estes tesouros culturais incluem o conjunto Universidade de Coimbra -Alta e Sofia, o Mosteiro da Batalha, o Mosteiro de Alcobaça e o Convento de Cristo, em Tomar. “

A candidatura do ‘Deserto dos Carmelitas Descalços e Conjunto Edificado do Palace do Bussaco’ à classificação de Património Mundial da UNESCO é um projecto que agrada a todos. Da CDU ao CDS, todos estamos de acordo neste processo”, resume Rui Marqueiro.

A autarquia da Mealhada é actualmente o principal sustento financeiro da Fundação Mata do Buçaco, que mantém o seu orçamento equilibrado através das receitas de bilheteira e do financiamento comunitário de projectos de requalificação do património e espaço arborizado.

Apesar do lançamento da candidatura a Património Mundial, a Mata do Buçaco continua a aguardar a aprovação do diploma de elevação a Monumento Nacional, que ficou pronto ainda durante a passagem de João Soares pelo Ministério da Cultura e que aguarda homologação em Conselho de Ministros.

Com 105 hectares, a Mata Nacional do Buçaco foi plantada pela Ordem dos Carmelitas Descalços no século XVII, encontrando-se delimitada pelos muros erguidos pela ordem para limitar o acesso. Actualmente classificado como Imóvel de Interesse Público, o conjunto monumental do Bussaco apresenta um núcleo central formado pelo Palace Hotel do Bussaco (instalado desde 1917 num pavilhão de caça dos últimos reis de Portugal) e pelo Convento de Santa Cruz, a que se juntam as ermidas de habitação, as capelas de devoção e os Passos que compõem a Via-Sacra, a Cerca com as Portas, o Museu Militar e o monumento comemorativo da Batalha do Buçaco.

JTM com Lusa