Uma empresa sul-coreana desenvolveu uma revolucionária aplicação para telemóveis inteligentes que permite interagir, em “selfies” e vídeos, com clones virtuais, desde celebridades a familiares falecidos. A invenção chegará ao mercado ainda este ano

 

Combinando inteligência artificial com tecnologia 3D, a Elrois, empresa sul-coreana fundada em 2013 no sul de Seul, criou uma aplicação que promete realizar um sonho de muitos utilizadores de “smartphones”: interagir na câmara do telemóvel com o avatar de um jogador ou de uma actriz famosa, do namorado que mora longe ou mesmo de um familiar falecido.

Embora a ideia também possa parecer inusitada para muitos, a criadora da aplicação “With me” (“Comigo”) acredita que se trata de uma invenção bastante útil. “Criei a ‘app’ por experiência própria. A minha avó faleceu há alguns anos e arrependi-me de não ter tirado fotos com ela, ao ver que não tinha nenhuma lembrança”, explicou Lim Eun-jin.

Ainda que a ideia tenha origens familiares, foi a loucura que os chamados “idols” (estrelas do K-pop ou das populares telenovelas) despertam na Coreia do Sul que impulsionou sobretudo a Elrois para trabalhar na criação de uma aplicação que, em princípio, seria planeada em inglês e para um público global.

A equipa de desenvolvimento começou a pensar que também seria divertido usar o “With me” para poder introduzir em fotos, por exemplo, “um amigo que não pôde ir a uma viagem ou a uma festa”. “Pensei na minha avó e comentei que seria genial ‘scanear’ as suas fotos para poder colocá-la em imagens actuais”, recordou Lim Eun-jin, à agência EFE.

Os criadores adoptaram esta última ideia e Lim publicou-a no seu blog de desenvolvimento na internet sem pensar que o conceito se tornaria mais forte entre o público e geraria debate.

“As pessoas começaram a comentar na rede que parecia um aplicação pensada para um episódio de ‘Black Mirror” [série de TV britânica que levanta histórias distópicas sobre o uso de novas tecnologias ainda por inventar]!”, acrescentou Lim entre risos.

Seja para ressuscitar os mortos ou aparecer a beijar um cantor famoso, o “With me” estará disponível para os utilizadores de “smartphones” no final deste ano, avançou Kwak Ji-hoon, director da equipe de planeamento.

A aplicação usa um sistema de “scan” em 3D, ao qual é acrescentado o que chamam de sistema de equipamento – “um esqueleto” tridimensional que serve de base para animar a pessoa ou objecto alvo de “scan” – e um programa de inteligência artificial.

De acordo com Kwak Ji-hoon, para criar um avatar, é possível usar um dispositivo de “scan” em 3D – incluindo os já existentes em alguns telemóveis de última geração ou que podem ser adquiridos em forma de aplicação – que será depois enviado para o site da empresa e poderá ser descarregado para o telefone.

Na etapa seguinte, o utilizador introduz o seu nome e tira uma “selfie” para que a inteligência artificial do avatar seja capaz de se dirigir a ele e identificá-lo através do sistema de reconhecimento facial. O resultado é um clone virtual capaz de adivinhar a idade do utilizador de forma surpreendente.

Com um clique na tela será possível conversar (em inglês) com o avatar para pedir um beijo ou fazer uma declaração de amor, entre outras possibilidades.

O clone digital compreende de imediato os comandos de voz e responde, por exemplo, posando com um braço arqueado para formar um coração com o braço do próprio utilizador, um gesto típico entre os casais jovens asiáticos em fotografias.

“Há muitas aplicações para criar avatares, mas nós somos a primeira empresa que vai comercializar a possibilidade de ter interacção visualizada com um destes clones”, assegurou Kwak, cuja companhia espera aplicar a mesma tecnologia noutros campos (como nos videojogos, por exemplo) no prazo de dois ou três anos.

 

JTM com agências internacionais