Distinguido com o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural/2017, Wim Wenders afirmou que se identifica com os princípios do galardão. Para o júri, o realizador alemão é “uma figura chave do cinema contemporâneo europeu” e “um defensor acérrimo da Europa”

 

Wim Wenders, que realizou, entre outros, “Lisbon Story” e “Paris, Texas”, foi distinguido com o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural/2017, anunciou o Centro Nacional de Cultura (CNC). O prémio será entregue a 24 de Outubro, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, ao cineasta alemão que “é distinguido pelo seu contributo excepcional para a comunicação da história multicultural da Europa e dos ideais europeus”, segundo a mesma fonte.

A presidente do CNC, Maria Calado, em nome do júri, realçou que Wim Wenders é “uma figura chave do cinema contemporâneo europeu” e “um defensor acérrimo da Europa através do seu rico património cultural”.

“Ao longo de 50 anos de carreira, ele tem sido um mestre na procura de imagens e palavras para capturar o sentido de lugar na Europa. O júri apreciou em particular a forma original como Wenders consegue dar vida aos valores e ideais europeus e promovê-los além-fronteiras, através do seu trabalho prolífico, que abrange filmes inovadores, exposições fotográficas, monografias, livros de filmes e colecções de prosa”.

Em comunicado difundido pelo CNC, que instituiu o Prémio em 2013, em cooperação com a organização não-governamental Europa Nostra e o Clube Português de Imprensa, o realizador afirma-se “profundamente grato”, porque se identifica com os princípios subjacentes ao prémio.

“A Europa é uma utopia em curso, construída, mais do que por qualquer outra coisa, pelo seu legado cultural. Temos de continuar a construir o nosso futuro comum, mas, nesse processo, não podemos deixar esquecida a preservação do nosso passado”, prossegue o cineasta, que tem sido convidado pela Comissão Europeia e pelo Parlamento Europeu para participar em diversos debates sobre assuntos europeus da actualidade.

“Os meios de comunicação digital tornam essa comunicação muito mais rápida, mas são igualmente rápidos a incitar ao esquecimento”, adverte Wenders, acrescentando que, todavia, “esses meios ajudam-nos também a armazenar e a preservar as nossas preciosas lembranças de forma duradoura e eficaz, como acontece no reino do cinema, por exemplo”.

O cineasta tem participado na iniciativa “Uma Alma para a Europa”, que promove a ligação de cidadãos com instituições democráticas em toda a Europa, com o objectivo de promover o sentido de responsabilidade pelo futuro do continente e pela democracia através da Cultura, refere o CNC.

O cineasta alemão e a mulher, Donata, criaram em 2012 a Fundação Wim Wenders, com sede em Düsseldorf. Esta fundação tem por objectivo “criar um quadro juridicamente vinculativo para reunir o trabalho cinematográfico, fotográfico, artístico e literário de Wenders no seu país natal, e torná-lo acessível de forma permanente ao público de todo o mundo”. Todas as receitas são utilizadas para financiar o objectivo central da Fundação: a promoção de artes e cultura, não só através do restauro, disseminação e preservação do trabalho de Wenders, mas também através do apoio a jovens talentos no campo do cinema, segundo a mesma fonte.

Nesta quinta edição do galardão, o júri, “composto por especialistas independentes nos campos da cultura, património e comunicação de vários países europeus”, decidiu “conceder um reconhecimento especial” à eurodeputada Silvia Costa, do Grupo da Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas, “pelo seu contributo notável para o desenvolvimento da estratégia da União Europeia sobre o património cultural, e para a promoção do Ano Europeu do Património Cultural 2018”.

 

JTM com Lusa