O remake chinês do filme sul-coreano “Hide and Seek” foi um dos filmes em competição no 1º Festival Internacional de Cinema de Macau e sendo uma obra de suspense representa uma “jogada de risco” para a produtora. No entanto, o envolvimento de certos assuntos sociais como distúrbios emocionais levaram o realizador a arriscar

 

Liane Ferreira

 

Zhang Jiawei, interpretado por Wallace Huo, é dono de um café num centro comercial e vive com a mulher e a filha num bairro rico, mas sofre de distúrbio obsessivo-compulsivo severo. A sua vida idilicamente organizada é interrompida quando recebe uma chamada e fica a saber que o irmão, com quem não tinha contacto, desapareceu.

É deste modo, que Zhang se vê obrigado a ir procurar pelo irmão no complexo onde este reside. Nele, encontra Su Hong (Qin Hailu), uma mulher que vive com a filha e ao ouvir do irmão, treme de medo e pede para ir embora, aumentando o mistério em torno do desaparecimento. Como a personagem principal não tem descanso, um homem com capacete começa a perseguir a sua mulher e a filha.

Neste filme de suspense, o espectador fica com sensação: será que estamos mesmo sozinhos em nossas casas?.

Este é o ponto de partida para “Hide and Seek”,  remake do filme sul-coreano com o mesmo nome, apresentado a nível mundial no 1º Festival Internacional de Cinema de Macau, que ontem terminou.

Produzido pela Village Roadshow Pictures Asia e realizado pelo vencedor do Prémio Golden Horse de Taiwan, Liu Jie, conta ainda com as estrelas Wallace Huo e Qin Hailu.

“Queria realizar este filme, porque lida com problemas sociais muito realistas e medos que os chineses tendem a ser ignorar ou a olhar para o lado. É muito importante não ignorar assuntos sociais na China como a luta de classes apresentada em ‘Hide and Seek’”, disse Liu Jie, citado pela revista Variety.

Desde a estreia do filme na China, a 4 de Novembro, a película rendeu 10,3 milhões de dólares americanos, o que não é um mau resultado. “Os filmes de género, como este, não são muito populares na China. Quando vimos o original coreano, achamos que o filme tinha abordagens reais a problemas sociais e que apesar da sua categoria poderia ter um bom desempenho na China”, disse Ellen Eliasoph da Village Roadshow Pictures Asia.

Questionado sobre as dificuldades de lidar com a censura na China, o realizador afirmou que “existem coisas que têm de ser feitas”. “Se não as fizermos e perguntarmos à censura o que se pode ou não fazer então será um falhanço. Deve-se apenas fazer”, concluiu.