“Pandora” estreou-se internacionalmente no 1º Festival Internacional de Cinema de Macau, na categoria “Gala”, contando a história do impacto de um acidente nuclear. O filme ganhou uma dimensão política, algo que o realizador Park Jung-woo não esperava, mas lhe causou satisfação

 

Liane Ferreira

 

A cerca de 70 quilómetros de Macau, encontra-se em fase de preparativos para entrada de funcionamento a central nuclear de Taishan, tendo gerado recentemente algumas preocupações entre a população. Daí que o “timing” para estreia internacional no no 1º Festival Internacional de Cinema de Macau do filme sul-coreano “Pandora” não podia ser mais apropriado.

Nesta película uma central nuclear é construída numa pequena cidade da Coreia do Sul. Se à partida tal é motivo de alegria para a população por gerar emprego, Jae-hyuk não partilha do sentimento, pois o pai e irmão morreram devido a um acidente na central. A personagem é obrigada a trabalhar na central contra a sua vontade e depois de um terramoto, os canos rebentam, dá-se uma explosão e ele tem de entrar na central para salvar os colegas.

O realizador Park Jung-woo e os membros do elenco estiveram no território para apresentar o filme, ocasião em que explicou que no início pretendia que a audiência se focasse no material central do filme, ou seja, problemas de segurança nas centrais e não com paralelos com a realidade. “Mas, agora percebi que as pessoas têm receios das centrais nucleares não apenas porque são perigosas, mas porque já experienciaram e perceberam que o Governo não os pode proteger. Por isso é que o filme está a ser visto de um prisma político e estou grato por estarem a expandir o discurso do filme”, disse o realizador citado pela Vanity Fair.

“Nenhum de nós imaginava que a realidade ia chegar tão perto do filme, mas chegou”, disse o actor principal Kim Nam-gil, notando que no início nenhum membro do elenco esperava que a longa-metragem fosse ser alvo de tanta atenção política e por isso não houve receios de participar.

Park confessou ainda que decidiu tornar o filme mais comercial para que mais pessoas pudessem assistir e pensar na mensagem, sendo portanto menos experimental que por exemplo Train to Busan, um dos mega sucessos do ano na Ásia.

Por seu lado, Jung Jin-young admitiu que quando leu o guião pensou que “Pandora” poderia ser o filme da sua carreira “e foi”. “Pandora” demorou quatro anos a criar e para Jung Jin-young foca-se num assunto sensível, mas de forma reconfortante.

O filme foi apresentado em Macau no domingo e saiu nos cinemas sul-coreanos na quarta-feira, tendo gerado receitas de 6,76 milhões de dólares americanos nos primeiros cinco dias de exibição. Para o resto do mundo vai estar disponível online na Netflix.

Dos 43 filmes em exibição no 1º Festival Internacional de Cinema de Macau, a categoria “Gala” ofereceu ao público duas estreias mundiais, The Mole Song – Hong Kong Capriccio e Immortal Story. Pela primeira vez em 30 anos foi apresentada a versão restaurada em mandarim original da película de Yonfan com Sylvia Chang, Yao Wei e Shingo Tsurumi, presentes na red carpet.