O GRANDE PRÉMIO E EU…

Vivendo o Grande Prémio desde o “longínquo” ano de 1995, já vi e experimentei um pouco de todas as emoções que alguém que é um aficionado do desporto automóvel. Vindo da “Catedral do Rally” em Portugal, o desporto automóvel faz parte da minha juventude

 

PEDRO LOBO*

 

Em Macau, a minha primeira experiência foi completamente diferente do que estava habituado. O GP é um circuito citadino e eu estava habituado aos montes da serra de Fafe, ao pó e à emoção de ver os carros passarem a centímetros das nossas pernas. Aqui tudo era diferente. Tudo era vivido entre muros e a diferentes velocidades.

Vi as bancadas de bambu darem lugar ao metal, elevando a segurança do público, os carros tornarem-se mais potentes, as estrelas de Hong Kong destruírem carros em plena recta, acidentes espectaculares, a nossa bandeira (Macau e Portugal) subir ao mastro mais alto, a alegria de quem ganha e a tristeza de quem perde.

O próprio Grande Prémio de Macau mudou com os anos, ficou mais profissional, os grande nomes passaram cá e tornou-se trampolim para muitos dos nossos heróis da velocidade: o eterno campeão Ayrton de Senna, o Magnífico Michael Schumacher, Riccardo Patrese, David Coulthard, Ralf Schumacher, Takuma Sato, Lucas di Grassi, o nosso compatriota António Félix da Costa e, claro, o André Couto!

Este ano, era suposto ser mais um fim de semana de emoções fortes, com o cheiro a borracha e a gasolina no ar, do stress por causa do caos do trânsito, dos “aceleras” que pensam ser corredores de automóveis e dos decibéis que “alegremente” nos ferem os tímpanos.

No sábado, como já é tradição, fui ver o GP com o meu filho, algo que comecei quando ele tinha quatro anos. O ambiente na Bancada do Lisboa (obrigado I.B.!) estava alegre, vibrante e verdadeiramente emocionante! Foi ver os bólides passar a toda a força, o público a levantar-se e a vibrar quase como se não houvesse amanhã! Mas vai haver!

Quando o GP de Motos teve início, e enquanto via as imagens nos ecrãs gigantes, algo me fez lembrar o “nosso” Carreira! Mas rapidamente esse pensamento foi posto de lado, tal era a emoção do meu filho em ver as motas a fazerem a curva do Lisboa!

De repente tudo mudou! As mãos são levadas à cabeça, a consternação e preocupação ficam visíveis nos rostos de todos nós! As imagens são fortes! A vivência de há poucos anos volta em força. Mais um “glorioso maluco da velocidade” tomba em Macau. O meu filho fica em choque. As crianças olham e questionam os pais. Estes olham uns para os outros com olhares preocupados. Todos procuram saber o que se passou, recorrendo aos telemóveis… As primeiras, breves, imagens surgem no grande ecrã e rapidamente vemos que é grave!

O pior veio a verificar-se quando é anunciada a suspensão da corrida de motos.

Mais um herói nasce em Macau. Mais uma vida se perdeu em Macau. Mas esse é o preço máximo que se pode paga quando se faz o que se ama: correr em Macau e no circuito mais emblemático do mundo!

Até sempre Daniel!

 

*Docente