Foi uma corrida marcada mais pelos incidentes do que pelos acidentes. A Audi expressou a sua vantagem e com autoridade. Vanthoor assegurou a ”pole-position” para a Taça GT da FIA. O seu colega Mortara, “Mr. Macau” ficou logo na curva do hotel Mandarim

 

Muitas estórias para uma corrida com pouca história. É o que pode dizer-se das 12 voltas de qualificação para a grelha de partida da Taça GT da FIA, a qual também esteve longe de ser um momento emocionante e perdeu mesmo algum sabor pela longa presença em pista do “safety-car”.

Corrida com partida lançada, logo uma saída ainda mais rápida dos carros, não foi preciso muito para, logo na curva do Hotel Mandarim, surgir o golpe de teatro. O italiano Edoardo Mortara, que largara da “pole-position” ao volante do Audi R8 LMS, fez um espectacular pião e, só por obra do acaso, o incidente não gerou uma daquelas carambolas que envolveria grande número de pilotos… O Audi varreu a pista de um lado ao outro e os concorrentes foram passando pelos buracos da agulha.

As imagens televisivas não chegam para perceber o que aconteceu, saber se Mortara foi tocado ou fez algum erro. Verdade é que acabou contra os rails, traseira desfeita, asa a voar…

 

Passeio de Audi…

O seu colega de equipa Vanthoor, que com ele partilhava a primeira linha, ficou à frente e, até final, limitou-se a passear a superioridade do Audi R8 LMS. Nem teve de se empenhar muito, já que a réplica que procuravam dar os Porsche 911 GTR3 (991) do neozelandês Earl Bamber e do francês Kevin Estre, não era suficiente para mais do que uma aproximação incapaz de permitir a tentativa de ultrapassagem. Foi o que verificou, por exemplo, das duas vezes que o safety car entrou em pista, na sequência de batidas violentas, como a de Nico Muller, na segunda volta, que nem vai poder alinhar na corrida de hoje, tal o grau de destruição do seu Audi R8 LMS, que, em pouco tempo, foi aos rails duas vezes… De fora fica também o Porsche 911 e John Shen, envolvido num acidente com Philip Ma (Porsche 911), na 6.º volta.

Impressionou, de qualquer forma, o andamento dos 911, que nunca saíram dos retrovisores do Audi R8 LMS e voltaram a manifestar clara superioridade sobre os Mercedes AMG.

Entretanto, o azarado Mortara, que tinha conseguido chegar às boxes, onde o Audi R8 LMS foi “remendado” para lhe permitir voltar à pista, cumprir as 12 voltas e classificar-se, viu-se envolvido noutro incidente, agora numa manobra que originou o contacto com o Porsche 911 de Darryl O´Young. Consumasse ou não a ultrapassagem, o italiano partiria sempre das últimas posições (está na oitava de dez linhas), pelo que a manobra é dificilmente aceitável, por mais competitivo que se pretenda ser. A  decisão dos juízes aceita isso mesmo e culpa Mortara.

 

A esperança de Couto

André Couto fez melhor do que nos treinos, levou o Lamborghini Huracán ao 14º lugar, e já sentiu o carro “um pouco melhor”, disse. ”Vou ver se consigo fazer as últimas afinações para me dar mais confiança, principalmente nas curvas rápidas”, acrescentou à Lusa.

O português tentará “um bom arranque”, ser oportunista e “evitar confusão”.

O objetivo é garantir um lugar entre os dez primeiros. “Neste momento não temos ritmo para pensar em mais do que isso”, concluiu.

No final, Vanthoor lamentava o incidente que afastou Mortara e para o qual não encontra explicação. “Não sei o que aconteceu”, disse. Apesar do seu incontestável domínio, o belga afirmou que o triunfo na corrida qualificativa foi “mais difícil do que esperava, porque os Porsche estiveram sempre muito bem.”

Bamber e Estre estavam de acordo: consideravam que tinham feito uma “corrida fantástica” e o duplo pódio era um excelente prémio para a Porsche. O francês fez questão de frisar que para se tentar ir mais além numa pista como Macau “é preciso correr muitos riscos”.