Uma largada sensacional na segunda corrida empurrou Tiago Monteiro para a vitória na corrida do TCR Series que deu o título ao suíço Stefano Comini. Muita confusão e paragens a mais estragaram o espectáculo. Eram 20 volta, correram-se sete… Mas começava a festa portuguesa

 

Tiago Monteiro, em Honda Civic, conseguiu, finalmente, a vitória no circuito da Guia. Pendular nas corridas classificativas da véspera, o português largou das duas vezes da terceira posição e, à segunda, com uma partida de mestre, colocou-se à frente e defendeu-se com autoridade até final.

Os grandes adversários foram os pilotos da Leopard, nos VW Golf GTI, o suíço Comini, que acabou por assegurar o título, e o francês Jean Karl Vernay. Este, depois de um profícuo trabalho de equipa na defesa o seu companheiro, servindo de “tampão” antes de mais a Monteiro, terminou em segundo e fez tudo, nos momentos derradeiros, para juntar a vitória na corrida ao êxito do seu companheiro. Chegou mesmo a encostar ao português na curva do Lisboa… na procura do êxito total para a Leopard.

A corrida foi interrompida à terceira volta e teve apenas mais duas. E nas derradeiras, depois de prolongada paragem nas boxes – mais uma! – ainda houve emoção, quando Comini, titulo garantido, deixou passar Vernay para o ataque à vitória, e Pepe Oriola, endiabrado, ameaçou a posição do suíço.

O grande derrotado do dia foi o britânico James Nash (SEAT León SEQ), que chegou a Macau com 17 pontos de vantagem no campeonato, tinha tudo para triunfar e ficou para trás na sequência de um toque do seu companheiro Oriola.

Os acidentes voltaram a ser muitos, como na primeira manga, cuja classificação ditou a grelha final.

 

Muita confusão e pouca corrida

A primeira corrida tinha resultado na frustração absoluta, foram poucas as voltas limpas, houve uma série de acidentes, bandeira vermelha e, no final, mais tempo atrás do “safety car” do que de competição. E ainda uma confusão com as bandeiras no final.

O arranque até tinha sido prometedor. Numa boa jogada de equipa, Comini assumiu a liderança, bem “defendido” por Vernay, o qual lhe abriu caminho e “fechou a porta” a Monteiro, depois de o português ter passado por ele. O anunciado jogo de equipa era notório entre os Volkswagen e, na curva do Lisboa, o francês e Monteiro tocaram-se mesmo, com vantagem para o piloto do VW.

Mas, lá atrás, já tinha havido o primeiro de uma série de acidentes que deixaram muita gente de fora. A corrida parou, para ser retirado da pista o Civic de Gianni Morbidelli, os carros voltaram à boxe e saíram, mais tarde, atrás do “safety car”, para uma espécie de partida lançada. Vernay, “distraído”, deixava abrir um pequeno fosso para facilitar a saída de Comini…

Os incidentes continuaram e a vítima maior foi James Nash, com a roda esquerda traseira “pendurada,” tocado pelo companheiro Oriola, quando procuravam “furar” entre os carros envolvidos numa carambola no Hotel Lisboa. O inglês, líder do campeonato e que via assim tudo deitado a perder, não ficou muito satisfeito com o espanhol. E não havia necessidade de tanto empenho…

Por excesso de tempo, pouco depois terminava a primeira manga, marcada ainda por uma confusão com a amostragem das bandeiras – de xadrez e vermelha.

Comini, apesar da vitória que lhe dava a “pole-position” e conhecedor do azar de Nash, estava insatisfeito e mal disposto. “Não tem sabor ganhar assim, isto é meia vitória”, dizia. Fosse como fosse, estava tudo facilitado para o mais importante – a conquista do título! O que veio a concretizar-se.

 

Ajuste de contas

Tiago Monteiro tornou-se no primeiro português a ganhar a Corrida da Guia e disse no final que sentiu “um grande alívio” e viveu um momento “fantástico” com esta vitória “muito difícil”.

Tratou-se, segundo as declarações à Lusa, de um ajuste de contas com Macau, depois de, em 2014, ter visto fugir-lhe a vitória na prova do WTTC, com a direção bloqueada a três curvas do fim.

Para o piloto português, a chave da vitória esteve no “bom arranque” nas duas corridas e depois evitar cometer erros.

“A partir do momento em que estamos na liderança nunca sabemos o que pode acontecer – bandeiras amarelas, bandeiras vermelhas – e é melhor estar na frente do que a tentar recuperar. A partir daí,, era tentar atacar o máximo possível”, disse.

 

S.P.