António Félix da Costa fechou uma inédita “dobradinha” portuguesa no Grande Prémio de Macau. Ganhou a Taça Mundial de Fórmula 3 da FIA, depois de Tiago Monteiro vencer a Corrida Guia 2.0 T. Um dia em grande para os portugueses de Macau que cantaram o hino e gritaram “Campeões, campeões, não somos campeões”

 

SILVA PIRES

Especial para o JTM

 

Que corrida, aquela que deu a vitória a António Felix da Costa (Dallara Volkswagen). O arranque foi logo um sufoco e, na curva do hotel Lisboa, são três a discutir a trajectória. Ontem, Sette da Câmara vingou-se e deixou Félix da Costa em segundo. Ele bem dizia que a “pole posisiton” não era vantagem. Yamashita (Dallara Tomei) e Rosenqvist (Dallara Mercedes), que vinha do 6.º lugar, ficavam atrás e também entre eles se lutava palmo a palmo.

Parecia inspirado o jovem brasileiro que abria a distância para o português e tinha quase segundo e meio de vantagem à 3.ª volta. Ía ser difícil agarrá-lo…

Mas num dia de tantas incidências elas não podiam faltar na Fórmula 3. Mazepin vai aos muros e entra o “safety-car”, quando na parte rápida do circuito Setta da Câmara já ziguezagueava com o seu carro para evitar que António Félix da Costa entrasse no cone de aspiração. Estava outra vez muito rápido o “convidado” da Carlin.

 

O momento

A corrida recomeçou à 7.ª volta e tudo ía ficar decidido, quanto ao vencedor.

Confiante, seguro, infernal António Félix da Costa retomou a liderança com uma ultrapassagem de arrepiar.

Num ápice abria-se agora um fosso ao contrário e a diferença entre os dois primeiros cifrava-se em 1,7 segundos à 11.ª volta, quando o “safety-car” voltou à pista, na sequência de outro acidente.

Lá atrás, o sueco Rosenqvist acreditava que ainda era possível e, na 13.ª volta, quando se agitaram as bandeiras verdes, lançou o ataque, ultrapassou Sette da Câmara, fez a volta mais rápida, mas António Félix da Costa era inacessível…

Grande festa

O sueco só foi espectador da festa que, mal se agitou a bandeira de xadrez, começou nas boxes da Carlin onde até havia lágrimas. Félix da Costa fazia piões no meio da pista e a alegria era muita, também nas bancadas. E até se gritou: “Campeões, Campeões, nós somos campeões”, quando António Félix da Costa foi ao pódio para receber os prémios e fazer tocar a Portuguesa, pela segunda vez no mesmo dia. Estava emocionado, disse para ele que desta vez não chorava, já tinha ganho em Macau, mas chorou. “Parecia um bebé grande”, disse na conferência de imprensa, salientando a emoção que foi ver tanta alegria à sua volta.

Foi então que ficámos a saber que, depois de três dias de relaxamento, se apoderou dele, ontem de manhã, uma grande pressão. Mais ainda depois da vitória de Tiago Monteiro, o grande amigo que o espicaçou: “tens de ganhar”. E ainda tinha havido o telefonema do Pai: “Se vocês ganharem os dois é histórico”. E sobrava aquele espírito muito especial: “sou competitivo de mais!”

“Sou um homem feliz”, acrescentava o piloto português que aceitou o convite de Trevor Carlin para vir a Macau sem contrapartidas. “Não te preocupes com isso”, disse-lhe. Daí o seu carro nem ter publicidade. Mas “era importante vir, adoro esta corrida, adoro este carro”, afirmava, manifestamente feliz. “Foi a melhor forma de terminar uma temporada que começou menos bem e depois conheceu três meses muito bons”.

Quinto ano em Macau, segunda vitória, seguramente a última corrida na Fórmula 3, António Félix da Costa tem vontade de voltar e gostava e guiar um GT no circuito da Guia…