Soberbo, é o mínimo que pode dizer-se da corrida que assinalou os 50 anos de motos em Macau. Ganhou Peter Hickman, mas Michael Rutter e Martin Jessopp animaram uma luta renhida. No final, a diferença entre os três foi de 345 milésimos de segundo. Um espectáculo para recordar!

 

A corrida do jubileu dourado do Grande Prémio de Motos de Macau prometia, mas poucos imaginavam possível um espectáculo assim. A competição durou do primeiro ao último segundo e foi empolgante a luta que começou por ser a quatro, depois ficou reduzida a dois e acabou num trio de gigantes das duas rodas. E todos em BMW.

Peter Jessopp, que na véspera tinha roubado a “pole-position” a Michael Rutter ao cair do pano, não resistiu no arranque do compatriota que procurava a nona vitória em Macau. E foi impressionante ver o veterano de 44 anos chegar na dianteira à curva do Hotel Lisboa e aguentar todos na travagem, com uma condução temerária e brutal.

Num ápice, destaca-se um grupo de quatro pilotos e fica cavado um fosso para o pelotão. Comandava Rutter, seguiam-se Jessopp, Irwin e Hickman, este saído a “voar” da terceira linha.

O andamento era fantástico, a condução primorosa, trajectórias a tira linhas, blusões a roçar os muros, e aquele bailado cadenciado que levava ao rubro o muito público nas bancadas.

 

Duelo à parte dura pouco

À quarta volta, Rutter e Jessopp estão sozinhos e a meio da corrida continuam os dois “agarrados” por uma diferença de 415 milésimos. Havia mais de um segundo para Hickman que já era terceiro à frente de Irwin.

Na 7ª passagem pela curva do Lisboa, Jessopp tentou o ataque e foi aterrador, sobretudo pela forma como Rutter se defendeu. Parecia que nada mudaria as coisas. Mas só parecia… porque em novo ataque, na volta seguinte, Jessopp passa para a frente, enquanto, quase sem se dar por isso, Hickman vinha lá de trás e formava o trio que se manteria até final.

À 10.ª volta, golpe de teatro. Como sempre na curva do Lisboa, Jessopp tem uma falha de caixa, fica a olhar para o pé esquerdo e, de repente, está no 4.º lugar. Temeu-se o pior, mas ele recuperou o andamento. A luta era cerradíssima e o que parecia impossível aconteceu: Hickman toma a dianteira e, percebe-se, arrisca tudo, levando os outros para uma condução verdadeiramente louca.

Estão colados, “cegos” para o risco e o perigo. Todos arriscam tudo e Rutter, na última volta, dá tudo por tudo, outra vez na curva do Lisboa. Mas não chegou para um Hickman imperial que, dali até ao fim, manteve o andamento para repetir a vitória de 2015. Que grande corrida!

 

Pisar as marcas e arriscar

No final, Hickman reconhecia isso mesmo, que tinha sido uma corrida e uma vitória para recordar e “uma das mais duras corridas” da sua carreira. “A BMW fez um grande trabalho, nem tinha visto a moto até quinta-feira!

Rutter, por sua vez, disse que tinha feito tudo para vencer. Momentos houve em que teve a noção de que estava a pisar as marcas e a arriscar. Mas nada havia a fazer.  Não tinha de ser… outra vez.

Jessopp lembrava que uma coisa são os treinos e outra as corridas. Ter a “pole position” não significa vitória antecipada. “Foi uma corrida louca e cá estarei para mais em 2017”, concluiu.

Feliz, também, estava André Pires. O português levou a Bimota ao 19º lugar, depois de ter sido o último na primeira passagem pelo Hotel Lisboa. Fez uma corrida de trás para a frente e ficou a 300 milésimos do 18.º que, pelas contas que tinha feito ao nosso lado, na quinta-feira era o seu lugar. “Lixaram-me duas voltas”…

“Só posso estar satisfeito, chegar ao fim é uma vitória e foi fantástico correr entre uma armada tão poderosa como esta que esteve em Macau”, disse ao JTM o piloto que trabalha na manutenção de barragens, só fez duas corridas este ano, já competiu na ilha de Man e para quem as motos, afinal, são apenas um “hobby”.