A pausa na I Liga Portuguesa deu força à “guerra de palavras” entre os três grandes, apontando a dedo lances que passaram sem julgamento de árbitros e vídeo-árbitros

 

Costa Santos Sr*

 

Pensava-se que a pausa na Liga Portuguesa para preparação da selecção nacional funcionasse como “factor retardador” dos “fogos” que as palavras acusatórias dos dirigentes dos três grandes vinham alimentando. Mas, as manchetes dos jornais são a imagem de “grandes labaredas” e de promessas para futuros incêndios.

Não há paz. Nem que fosse podre.

Tudo isto poderá ter uma causa-próxima: o vídeo-árbitro, que foi batalha travada durante muito tempo por um dirigente, com muitos votos contra. Não explícitos porque, a dado momento, o Presidente da Federação Portuguesa de Futebol decidiu “apadrinhar” – com o beneplácito da FIFA, naturalmente – e aí, a aceitação tácita colocou os “contra” em “banho-maria”, mas não lhes tirou a vontade de reagir.

É verdade que, nestas 11 jornadas já passadas, vários foram os momentos, os lances claramente a infringir as Leis de Jogo, que passaram impunes. Nem o árbitro em campo, nem os meios técnicos localizados na Cidade do Futebol, o denominado vídeo-árbitro, colocaram a verdade sobre o relvado. Porém, estamos a dar os primeiros passos no uso dessa tecnologia. Há deficiências a corrigir, “hábitos” a mudar, formação para fazer, critérios a uniformizar e, no fundo, um protocolo a rectificar. Tudo sem colocar um ponto final na inovação, no que de bom poderá surgir para o futebol.

Por tudo isso, estes “fogos” que tiveram nos jogos o seu ponto de ignição, são tiros nos pés a quem quer, deseja e precisa da verdade desportiva. Esquecer que o futebol é uma indústria e, como tal, necessita de “clientes”, é colocar num horizonte próximo um cenário muito negro, numa altura em que os montantes que se aplicam roçam a loucura.

Há pouco tempo, o presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Fernando Gomes, foi à Assembleia da República, de mão estendida, procurar apoios legislativos para travar aquilo a que chamou “uma onda de ódio”. Não importa se fez bem ou mal, nem se teve eco ou não. Importa sim deixar claro que todos esses lamento e “S.O.S.” lançados aos deputados acabaram por “morrer na praia”. Não houve eco desse pedido, nem reacção prática com mudanças objectivas, ao “modus vivendi” do futebol. Pelo contrário. Na última jornada, Guimarães foi palco de violência, com adeptos a entrarem no relvado e a obrigar à interrupção do jogo. Depois disso, houve mais lenha para a fogueira, mais frases a roçar a injúria, mais dedos em riste contra árbitro, arbitragens, resultados!

Num país campeão da Europa, o mais pequeno desaguisado tem o tamanho de um “cataclismo” e é logo aproveitado pela “estranja”. Num país com duas cidades candidatas a palco da final da “Champions”, em 2020, estas atitudes são “tiros nos pés”. Mas quem os dá mão tem lucidez para ver a dois anos de distância.

Importa, acima de tudo, reflectir sobre o que se reclama. Se só achamos as coisas “más” quando, no nosso entendimento, consideramos que o “nosso clube” foi prejudicado, mal vão as coisas. Acima de tudo, o futebol no seu todo. Particularizar é reduzir à ínfima espécie qualquer comentário.

Infelizmente, é este o panorama do futebol em Portugal.

 

*Jornalista profissional especialista em desporto