Portugal precisa de vencer a Suíça para garantir o apuramento directo para o Mundial
Portugal precisa de vencer a Suíça para garantir o apuramento directo para o Mundial

Scolari dizia que estes jogos são do “mata-mata”. E são. Por isso, as opções para a selecção portuguesa são ganhar ou… ganhar. Para além da confiança nos escolhidos, há a certeza de uma qualidade superior à da formação suíça, mas será necessária colocá-la em campo

 

Costa Santos Sr*

 

Quando, no início da qualificação para o Mundial de Futebol 2018, ainda com a euforia do título europeu a toldar os espíritos, a selecção portuguesa baqueou ante uma Suíça apostada em fazer figura, pensou-se que, no decorrer da fase de apuramento, os helvéticos cederiam terreno num “palco” qualquer, enquanto os comandados de Fernando Santos, fazendo jus a “melhores da Europa”, “passeariam” nas várias rondas que o sorteio determinou.

Mas, não foi assim no que à Suíça diz respeito. Na verdade, os “meninos” de Vladimir Petkovic mantiveram o mesmo rumo, somaram vitórias atrás de vitórias, umas mais conseguidas do que outras e estarão presentes na Luz, logo à noite (02:45 da madrugada em Macau), com a vantagem de necessitarem apenas de um empate para garantir a qualificação. Portugal seguiu o mesmo “procedimento”, mas precisará de vencer por qualquer resultado, já que tem vantagem no “goal-average”.

Os que estavam lesionados em Andorra (Renato Sanches e Bruno Alves) já estão aptos e às ordens de Fernando Santos e também não há impedimentos por castigo. Logo, a selecção que entrar no relvado, será a melhor, estará na máxima força.

Depois da vitória frente à Hungria, em Basileia, Vladimir Petkovic referiu-se à selecção portuguesa e não escondeu o indicador positivo dos cinco golos marcados aos magiares: “Marcámos muitos golos e esse factor dá sempre confiança, mas não nos podemos esquecer que vamos defrontar uma selecção que também marcou muitos golos, o que obriga a que tenhamos mais atenção. Estamos a falar do campeão europeu!”.

Se formos analisar por esse caminho, a vantagem de Portugal é claramente tranquilizadora: 30 golos marcados e 4 sofridos, contra 23 marcados e 5 sofridos! Isto quererá dizer alguma coisa? Claramente, não. Cada jogo é um jogo e não poderemos deixar de pensar que a Suíça poderá surgir na Luz com um sistema defensivo, procurando anular todos os espaços e apostar na rapidez das suas transições, num contra-ataque que, como tem provado, é “mortífero”. Portugal foi vítima disso, embora num clima que, seguramente, já hoje não se respira…

 

Como irá jogar Portugal?

Seguramente, Fernando Santos irá colocar em campo todas as “mais-valias” que tem ao seu dispor. Desde logo, no bloco defensivo, é previsível que coloque Rui Patrício, Cédric, Pepe, Bruno Alves e Eliseu; na linha média opte pela entrada de William Carvalho (saindo Danilo), mantendo Gelson Martins e João Mário mas fazendo entrar Bruno Fernandes e, na frente, André Silva e Cristiano Ronaldo, num sistema que tanto poderá ser um 4x1x3x2, como um 4x4x2 ou até (menos provável) um 4x3x3.

A primeira meia-hora ditará as regras com que se abordará o resto do jogo. No banco ficarão muitas soluções e se houver necessidade de colocar toda a “carne no assador”, é claro que poderão ir a jogo Danilo, João Moutinho, Quaresma ou Bernardo Silva, entre outros.

A natural ansiedade pelo golo não poderá reduzir a capacidade criativa e técnica dos portugueses. Como Fernando Santos não se tem cansado de repetir, as “hipóteses assentam em ganhar e ganhar! Não há mais. Par Portugal foi fundamental ganhar em Andorra mas também não ter qualquer jogador impedido para o confronto com a Suíça.

Quando a alternativa para ganhar é ganhar, pouco mais há a dizer. Aliás, o estilo como a Suíça joga é por demais conhecido da equipa técnica e dos jogadores portugueses. A selecção vale pelo seu todo, desde a segurança defensiva até a um ataque que finaliza bem. Mas, sem chauvinismos, Portugal tem capacidade e valor para decidir o jogo a seu favor.

 

*Jornalista profissional especialista em desporto