Os juniores da RAEM regressaram a casa com uma vitória na fase de qualificação do Campeonato Asiático de futebol. A prestação em Taiwan acaba por ser positiva, apesar de duas derrotas. Macau não foi “o bombo da festa” como em edições anteriores

 

Vítor Rebelo*

 

Um triunfo sobre o Laos (1-0) e dois desaires, diante do Vietname e de Taiwan (ambos por 2-0), constituem o balanço de mais uma participação da selecção de futebol de Macau, na categoria de Sub-19, na fase de apuramento para o Campeonato da Ásia, cuja fase final vai ter lugar no próximo ano na Indonésia. Os jovens do território atingiram a derradeira jornada ainda com hipóteses de qualificação, como segundos classificados do Grupo H, situação pouco habitual nas presenças anteriores dos juniores.

Macau continua a não conseguir, na maioria dos casos, esconder o ainda considerável atraso no desenvolvimento das camadas jovens, isto quando comparado com outros países ou regiões, em especial do continente asiático, mas o panorama parece estar a mudar, ou pelo menos há sinais de melhoria.

Os jogos realizados em Taiwan pela equipa orientada por Iong Cho Ieng, coadjuvado por Emanuel Noruega, deram uma imagem disso mesmo, de algum progresso, pelo menos na forma como os próprios jogadores encaram os compromissos internacionais, mais confiantes em si mesmos. Essa confiança resultou em três desafios em que os “miúdos” da RAEM se bateram quase de igual para igual com os seus adversários, muito embora tenham perdido dois desses encontros, mas por números que não envergonham, ao contrário do que acontecia há uns anos a esta parte.

Por aquilo que se viu (os jogos foram transmitidos em directo, via internet), a pouca experiência nestas andanças de alguns elementos da selecção, foi determinante para que a equipa não conseguisse, nos momentos cruciais, manter a concentração defensiva e isso acabou por resultar em erros que deram vantagem ao Vietname e a Taiwan.

Pelo meio fica uma vitória importante frente ao Laos (golo apontado por Iury Sousa), o que ainda fez sonhar a formação de Iong Cho Ieng, já que em caso de triunfo na derradeira ronda, frente a Taiwan, Macau poderia ser ainda apurado como um dos melhores segundos posicionados dos vários grupos da competição. Tal não aconteceu, o que seria até expectável, uma vez que os taiwaneses jogavam no seu ambiente e igualmente precisavam de ganhar, mas ficou mais um bom jogo desta equipa de Sub-19, na procura do resultado, através da habitual táctica de contra-ataque, em que falhou essencialmente a concretização das oportunidades criadas.

“Estamos muito satisfeitos com a actuação da selecção de Sub-19 neste torneio, que voltou a mostrar personalidade e a tentar equilibrar, controlando mesmo os jogos em determinadas alturas. Por exemplo, no último jogo Taiwan pouco fez para merecer a vitória por 2-0. Marcou o primeiro golo de grande penalidade, num lance em que a bola desviou na mão de um nosso jogador. Se tivéssemos concretizado algumas oportunidades, certamente que o resultado seria outro”, começou por dizer ao JORNAL TRIBUNA DE MACAU o treinador adjunto, Emanuel Noruega.

 

Balanço positivo

Para quem esperava que Macau fosse o “bombo da festa” do grupo, o balanço terá de considerar-se positivo, muito embora a equipa tenha ficado fora da qualificação, numa série em que o Vietname mostrou ser a selecção mais forte.

“Mesmo nesse desafio face ao Vietname, nós poderíamos ter conseguido pelo menos o empate, porque jogámos para isso. Foi pena alguma desconcentração nos golos sofridos. Olhando ao que foi a nossa participação, podemos dizer que terá sido o melhor torneio, a nível asiático desta categoria, que Macau fez nos últimos anos ou talvez mesmo de sempre. Os resultados, com uma vitória e duas derrotas por pequena diferença, pelo menos em comparação ao que estávamos habituados, surpreenderam muita gente e pode dizer-se que Macau deu muito trabalho aos adversários, defendendo bem e actuando com agressividade no contra-ataque. O futuro é por isso risonho, porque daqui a 2/4 anos, estes jogadores já estão mais experientes e vão certamente enriquecer a selecção principal de Macau. Estes jovens têm uma mentalidade forte”, concluiu Emanuel Noruega.

Também os dirigentes da Associação de Futebol de Macau se mostram bastante agradados com as actuações da selecção de Sub-19 no grupo de qualificação para o Asiático.

Daniel Sousa, vice-presidente, considera que “a selecção mostrou muita garra nos jogos que realizou e só falta, na minha opinião, ganharem um pouco mais de físico, para aguentarem os últimos 10/15 minutos.”

O principal responsável pelo contacto com os órgãos de comunicação social portugueses, afirma que “Macau tentou discutir os resultados, ganhou um jogo e por isso está de parabéns.”

 

“Caso” Lam Pak ainda por decidir

Ainda não há data para a realização de um dos dois jogos em atraso da I Divisão do Torneio da modalidade de sete, organizado pela Associação de Futebol de Macau para substituir o campeonato de Bolinha, cancelado em virtude da indisponibilidade do piso sintético do Campo D. Bosco.

A partida entre Lam Pak e os Sub-23, a contar para o Grupo A, deveria ter-se realizado no dia 3 deste mês de Novembro, mas a AFM decidiu para já não o efectuar, “para que haja tempo de ser tomada uma posição a propósito do abandono de campo do Lam Pak”, segundo refere Daniel Sousa.

Recorde-se que o Lam Pak abandonou o relvado do Canídromo quando ainda faltavam 9 minutos para o final da partida diante do Ching Fung e quando perdia por 4-0. Os jogadores discutiram com o árbitro um lance em que entenderam que deveria ter sido assinalada uma falta, decidindo então, como forma de protesto, sair de campo, atitude pouco habitual num jogo de futebol.

“Mesmo tratando-se de um torneio temos de averiguar o que se passou para depois decidir o que fazer, provavelmente só uma chamada de atenção, para que não se volte a repetir. Por isso não realizámos o jogo na data estipulada e iniciámos uma averiguação. Recebemos o relatório do comissário de jogo e do árbitro. Agora vamos ouvir o Lam Pak”, declarou o dirigente da Associação de Futebol de Macau.

Se o desafio for entretanto reagendado, poderá ocorrer no dia 17, data em que há um outro encontro em atraso do escalão principal deste torneio de sete em relva natural, que coloca frente-a-frente Benfica e Sporting, jogo que irá determinar o escalonamento final da classificação e concretamente apurar as duas equipas que estarão presentes nas meias-finais.

Os “encarnados” repartem o comando do Grupo B com o Ka I (nove pontos), mas a formação de Josecler fez já todos os quatro jogos. O Sporting soma seis pontos, estando obrigado a vencer o seu adversário, nem que seja por apenas um golo, para seguir em frente, o que atiraria o Ka I para fora da competição.

O Benfica é o que está em situação mais confortável, uma vez que só perdendo por mais de três golos é que não se qualifica.

 

* Jornalista