Sporting resistiu 59 minutos em Barcelona
Sporting resistiu 59 minutos em Barcelona

O sonho de Jorge Jesus acabou de forma digna em Barcelona. Já o pesadelo de Rui Vitória ficou ainda mais pesado

 

Costa Santos Sr*

 

Com ou sem Messi a alinhar de início frente aos “leões”, não era crível que, na Grécia, a Juventus “obrigasse” Bufon a novo drama, isto é, que cedesse terreno que eventualmente o Sporting poderia aproveitar. E os italianos não cederam, com a particularidade de terem marcado cedo.

Esse golo “chegou” a Camp Nou e terá “refreado” o tal sonho leonino na Liga dos Campeões. Restava o jogo pelo jogo. E nele, o Sporting, com algumas “inovações” tácticas – desde logo os três centrais – e sem Gelson e Bas Dost no onze inicial, retardou até onde foi possível que a superioridade territorial dos catalães se materializasse no marcador. Durou 59 minutos essa resistência. Depois, já com Messi em campo, a infelicidade de Mathieu resultou num autogolo que fechou a conta, com 2-0 para o Barcelona.

A exibição do Sporting valeu por si, num resultado que não envergonha. Como diria Manuel Machado, “o orçamento do Barcelona, comparado com o do Sporting, é da estratosfera!”

Mas Jorge Jesus saiu satisfeito: “Se calhar jogámos contra a segunda melhor equipa do Mundo… Na primeira parte, tínhamos uma estratégia: fechar o corredor central e evitar o perigo do adversário ‘por aí’. Não alinharam o Gelson e o Bas Dost? Pois não. Sabíamos que era fundamental para podermos ganhar aqui, que eles estivessem fortes em 45 minutos. Deu tudo certo até ao golo do Barcelona. Mas deixámos a imagem de uma equipa forte, respeitada e que teve a coragem de jogar olhos nos olhos com o adversário. Defendemos? Claro. Repito: o adversário chamava-se Barcelona!”

 

Benfica sofreu sexta derrota

Na Luz, o Benfica registou o pior “recorde” possível: 6 jogos, 0 pontos, 1 golo marcado e 14 sofridos. Naturalmente que muita gente se interroga como é possível este Benfica passar por uma fase destas?

Pior: no jogo em que se lhe pedia, por honra e dignidade, que salvasse a face, não conseguiu um golo que fosse e sofreu dois. Será bom atentar nestes pormenores: posse de bola – Benfica 60%, Basileia 40%; tentativas de golo – Benfica 17, Basileia 7! O que isto quer dizer? Que a superioridade territorial, e até em remates, não teve a solidez necessária nem a eficácia desejada.

Num pormenor os encarnados foram “maus de mais”: na qualidade do passe. Um sem número de passes transviados, de tabelinhas mal executadas e depois um balanceamento atacante, nervoso, frágil, descobria um bloco defensivo claramente aos “papéis”.

No final, Rui Vitória não quis, naturalmente, rebuscar o passado. “Os níveis de confiança não estavam como queríamos. Agora é o campeonato. Esta campanha já acabou”, disse.

No entanto, para continuar na luta, importa corrigir o vazio de ideias, o futebol desligado e o estilo de jogo sem “miolo”. Há sempre que tirar ilações dos bons e maus momentos. E este recorde negativo seguramente que ninguém o desejaria para si.

No outro jogo do grupo, o Manchester United derrotou o CSKA por 2-1 e passou a somar 15 pontos, contra 12 do Basileia, nove dos russos e zero do Benfica.

Em Munique, num jogo entre equipas já apuradas para os oitavos-de-final, o Bayern venceu o PSG por 3-1, enquanto o Celtic perdeu 0-1 na recepção ao Anderlecht mas segue para a Liga Europa.

No grupo C, o Atlético de Madrid falhou o apuramento ao empatar 1-1 na visita ao Chelsea, uma vez que a Roma cumpriu a obrigação de vencer o modesto Qarabaq (1-0).

 

*Jornalista profissional especialista em desporto