Fernando Santos emendou ao intervalo o “erro” de deixar a sua estrela no banco em Andorra. Quando entrou, Cristiano Ronaldo jogou como sabe, fez jogar e marcou. Portugal decidirá a qualificação directa para o Mundial 2018 na recepção à Suíça

 

Costa Santos Sr*

 

Portugal tinha de vencer a selecção de Andorra para esta terça-feira jogar olhos nos olhos com a Suíça, no Estádio da Luz, na decisão do vencedor do grupo B e, desde logo, a selecção automaticamente apurada para o Mundial2018.

Escrevemos aqui que a tarefa não seria fácil. E os primeiros minutos do jogo explicaram e reforçaram essa ideia, claramente: todos os elementos da selecção de Andorra atrás da linha da bola, numa porfiada defesa, numa aposta em anular todo e qualquer espaço que os pupilos de Fernando Santos pudessem ter necessidade de utilizar. E conseguiram-no, porque, nos 45 minutos iniciais, a selecção portuguesa, para além de muitas mexidas no onze – a colocação de Ronaldo no “banco” e as entradas de Nélson Semedo, Neto, Danilo e Bernardo Silva, para além de Ricardo Quaresma – não utilizou a arma mais do que necessária para obrigar o adversário a correr, a esfalfar-se: a velocidade.

Portugal fez um jogo em ritmo lento, com variações de flanco muito previsíveis, sem aproveitamento nas zonas interiores e cerimoniosos q.b. na finalização. Por outras palavras, a selecção portuguesa jogou ao ritmo e no modo que os “amadores” de Andorra desejavam e, por isso, foi-lhes muito fácil anular as intenções dos campeões europeus, “desinteressados” em chegar à área de Rui Patrício e apenas apostados em não deixar o adversário jogar.

Naturalmente que a movimentação dos portugueses assentava em dois pilares fundamentais: controlar o jogo com a posse de bola e mostrar toda a paciência do mundo face à postura defensiva do adversário. E fez bem. Mas isso não quer dizer que, se tivesse utilizado uma velocidade superior, não atingisse o mesmo domínio, com a vantagem de obrigar a mais desgaste físico dos homens do Principado.

E sem surpresa, o intervalo chegou com o nulo.

 

A cartada de Fernando Santos…

A selecção portuguesa estava “órfã” de alguém que pusesse o “todo” a mexer, criasse desequilíbrios e fizesse nascer espaços. O seleccionador nacional viu esse pequeno-grande pormenor e, obviamente, lançou Cristiano Ronaldo logo no início do segundo tempo. Se havia dúvidas, as diferenças de postura, rendimento e velocidade, as ocasiões de golo, surgiram em pouco tempo. E o tão desejado golo também surgiu dos pés de… Cristiano Ronaldo.

No entretanto, os jogadores portugueses subiram de rendimento, João Mário passou a ser um municiador mais eficaz e muito mais rápido; Nélson Semedo e Quaresma, mais incisivos, mais soltos; Bernardo Silva, mais audaz. Tudo isto fazia prever o que aconteceu ao minuto 62: cruzamento de João Mário da esquerda, mau corte de um defensor de Andorra e a bola a chegar aos pés de Ronaldo que fez aquilo que muito bem sabe – anichou-a no fundo da baliza!

Depois, outras ocasiões de golo surgiram, mesmo com Andorra a defender com 11 e a defesa portuguesa a jogar sobre a linha de meio campo – mas umas vezes por infelicidade, outras por alguma lentidão de processos de finalização, não se concretizaram. No sintético de Andorra, Portugal geriu o jogo, poupou energias e seguramente que pensou na Suíça. Mas, ainda teve tempo de festejar o segundo golo – por André Silva – com Ronaldo no início da jogada e, depois, a assistência de Danilo para o desvio à boca da baliza de André Silva.

Em posse de bola, Portugal teve 74% contra 26% de Andorra!

Amanhã na Luz (02:45 da madrugada de quarta em Macau), Portugal vai tentar concluir esta fase de apuramento com mais uma vitória, frente à Suíça, que goleou a Hungria no domingo, por 5-2, e soma mais três pontos do que a equipa das quinas.

 

*Jornalista profissional especialista em desporto