Chegar ao 2-0 no início da segunda parte foi ilusão que custou um final de jogo com “sustos”, obrigado o Real Madrid a recuar blocos, pela reacção de um Manchester que nunca se resignou à inferioridade no marcador e reduziu aos 61m. Ronaldo entrou a 10 minutos do final

 

Costa Santos Sr*

 

O Estádio de Skopje, na Macedónia, foi o palco desta final da Supertaça Europeia. Cheio “como um ovo”. E se o espectáculo prometia, a verdade é que não desiludiu ninguém, quer pela qualidade do futebol praticado, quer, também, pela emoção, pois se na verdade o Real teve superioridade na primeira parte, o United teve outras oportunidades e no final podia mesmo ter empatado a partida.

Um parêntesis para dizer que Ronaldo só entrou aos 81 minutos. Uma atitude correcta de Zidane, não só pelo menor tempo de trabalho com a equipa, como também para testar e mostrar que, apesar do valor do jogador português – é só o “melhor do Mundo” – o Real pode e sabe jogar “de outra forma”.

Os 45 minutos iniciais foram de um domínio quase absoluto dos “merengues”, quer na materialização dos lances (golo de Casimiro aos 24 minutos), quer nos lances de perigo desperdiçados (Bale, aos 5 minutos, falha escandalosamente a dois metros da linha de golo e, Casimiro, aos 15, remata fortíssimo mas a barra devolve a bola) quer, ainda, na posse de bola – estratégia para roubar a iniciativa ao adversário -, no ganho das segundas bolas, em suma, nos tais pormenores que definem quem é que domina e quem é dominado.

Acresce dizer, ainda, que o Manchester United, neste período, também teve uma perdida gritante – Lukaku aos 45+1 – mas esse lance não tira se possa dizer que a equipa de José Mourinho deu 45 minutos de avanço ao adversário, falhando nas marcações, evidenciando lentidão nas transições e incapacidade para, na posse da bola, a fazer circular com eficácia.

Como se diz na “gíria” , o Real deu, nos tais 45 minutos iniciais, “um banho de bola”, situação que manteve até aos 53 minutos, hora precisa em que Isco – mais uma vez em tabelinha “consentida” pelo centro da defesa inglesa – voltou a colocar a bola no fundo das redes do Manchester.

O que aconteceu a seguir? Estamos em crer que uma “onda” de tranquilidade excessiva varreu toda a equipa madridista. Abrandou a velocidade do jogo, foi muito mais lenta nas marcações, “saiu” da pressão alta e desconcentrou-se defensivamente. A tal ponto que dois minutos depois de ter marcado o segundo golo, viu Pogba, de baliza escancarada, desperdiçar de forma incrível uma facílima finalização.

Poderia ter sido o alerta para o Real, mas não foi. Da equipa dominadora, tranquila no seu futebol, segura nas suas movimentações, eficaz na circulação de bola restavam, apenas, as camisolas. Adivinhava-se o golo do Manchester. Pelo ascendente que já conquistavam, pela mudança total da velocidade de jogo, pela variação do flanco de jogo, pelos cruzamentos sempre perigosos e… pelo aproveitamento das zonas interiores onde, muito mais assiduamente, surgiam os ataques ingleses. E aos 61 minutos, num lance em que Navas defende para a frente um potente remate de Matic e a defesa madridista está longe e sem reacção, acontece o golo de Lukaku.

Faltavam 29 minutos para o fim. Foi o tempo em que o Real sofreu a bom sofrer, não conseguiu lances de contra-ataque e voltou a ver Pogba, aos 80 minutos, esbanjar nova oportunidade.

As grandes equipas também têm de sofrer. É um facto. Mas há sofrimentos que se poderiam evitar se, no tempo preciso, se aproveitassem as oportunidades quando, principalmente, o adversário estava sem capacidade de reacção.

A entrada de Ronaldo – com a saída de Benzema – foi troca por troca e não permitiu ao jogador português, pela forma como o jogo estava a decorrer, ter os lances que lhe são característicos.

Em suma, uma vitória construída – e bem – até aos 53 minutos; depois, face à reacção inglesa, houve que “cerrar portas” com todas as “trancas” possíveis.

 

*Jornalista profissional especialista em desporto