Depois de um quarto de hora a prometer muito, os “dragões” revelaram clara incapacidade frente a uma “Juve” tranquila e foram afastados da Liga dos Campeões

 

Costa Santos Sr*

 

De forma fria mas objectiva, os números explicam o adeus do FC Porto à Champions. A Juventus selou a continuidade na milionária prova com três golos, dois deles obtidos no Dragão e que constituíam preciosíssima vantagem.

O FC Porto até entrou bem no jogo, obrigando mesmo a Juventus a recuar linhas, a ter muita atenção no seu bloco defensivo e a sentir dificuldades nas saídas para o ataque. A “pressão alta” dos portistas não consentia essa rapidez. No entanto, mesmo nesse período de certo ascendente portista, nunca Buffon esteve em apuros, uma vez que os comandados de Nuno Espírito Santo não conseguiram urdir um lance de ataque que perspectivasse um remate certeiro. Foi, grosso modo, um domínio inconsequente, bonito mas improdutivo.

Depois do quarto de hora inicial, a Juventus assentou o seu jogo, sem qualquer ansiedade, fez circulação de bola, procurou os alas para criar problemas a Casillas e, sem dificuldades, foi subindo no terreno provocando, aqui e além, alguns “buracos” na defesa portuguesa que não foram aproveitados por deficiente finalização dos italianos.

Com toda a dignidade possível, o FC Porto respondia, embora lhe faltassem alguns metros de terreno até encontrar a área de Buffon.

Mas, o 40º minuto foi fatídico para o FC Porto, com o lance que acabou por ser determinante para este jogo: alguma confusão na área portista e, na recarga, Maxi Pereira “defendeu” com o braço esquerdo, impedindo que a bola entrasse na baliza. Grande penalidade clara e vermelho directo exibido ao lateral direito do FC Porto. Nas declarações finais, Nuno Espirito Santo insurgiu-se pela “dupla” penalização (no seu entender): grande penalidade e expulsão. Mas é das leis e não podemos mudá-las ao sabor dos acontecimentos

Dybala não desaproveitou a oportunidade de bater Casillas – bola para o lado esquerdo de Casillas e este a voar para o lado contrário – e, desse modo, colocou a fasquia ainda mais alta. Se já era complicada a missão de conseguir a reviravolta na eliminatória com onze jogadores, muito mais complicada ficou com a inferioridade numérica e com a necessidade de Nuno Espírito Santo “refazer” o bloco defensivo.

No segundo tempo, o estoicismo portista foi ainda mais acentuado e, inclusive, a equipa criou a situação mais perigosa aos 82 minutos, com Diogo Jota, que entretanto rendera Brahimi, a fazer um “chapéu” a Buffon, mas de medidas mal tiradas e a não levar o caminho da baliza.

A Juventus optou literalmente por um futebol de segurança: muita circulação de bola, lateral e até para trás, variações constantes de flanco mas sem a preocupação de “forçar” a nota. Refira-se o FC Porto, com um meio campo normalmente de cinco unidades, (três defesas e só um homem na frente), constituiu aí a primeira barreira que estorvava a acção dos adversários, mesmo tendo em conta que estes já tinham a eliminatória na mão.

Fica a sensação de que, onze contra onze poderia ter sido “outro” jogo. Mas, isto não quer dizer que tudo fosse diferente…

 

Leicester em frente

O golo marcado em Sevilla, no encontro da primeira mão, era importante trunfo para o campeão inglês poder sonhar com a “remontada” da eliminatória. E conseguiu.

O Leicester, que está a lutar para não descer de divisão na liga inglesa, teima em ser a grande surpresa desta edição da Liga dos Campeões e, neste encontro, tendo como aliada a barra da sua baliza, o guarda-redes Kasper Schmeichel e N’Zonzi que, de forma muito displicente, não conseguiu converter uma grande penalidade e, no mínimo, levar o jogo para prolongamento.

O Sevilla só se pode queixar de si próprio. Foi mais acutilante no ataque, teve situações de golo claras mas esteve desastrado na finalização.

 

* Jornalista profissional especializado em desporto