Ante o Desportivo de Chaves, o FC do Porto dominou, mas só no segundo tempo conseguiu materializar o domínio territorial que exerceu em toda a partida. Subiu ao primeiro lugar, face à diferença de golos do Sporting que foi vencer a Vila da Feira (2-3), enquanto o Benfica ganhava com dificuldade em “casa” frente ao Portimonense (2-1)

 

COSTA SANTOS SR*

 

No Dragão, depois de 45 minutos vazio de ideias e incapacidade ofensiva, o FC do Porto regressou para o segundo tempo com outra “garra” e ao 49’ Aboubakar tranquilizou a moldura humana que enchia as bancadas. O Chaves, refugiando-se no seu meio campo, defendia como podia. Mas nem a “oferta” de meio campo para iniciar os ataques, permitiu que os “dragões” materializassem o domínio territorial.

Foi diferente, e muito, o segundo tempo. O poderia azul e branco veio ao de cima e mau grado a vitória (3-0, com uma grande penalidade muito forçada, aos 85 ‘ que Soares converteu e, dois minutos depois, Marega fechou a conta) que não tem contestação, a exibição ficou muito aquém do que se deverá exigir a um candidato ao título. Apenas mais uma ideia: depois do primeiro golo sofrido, o Chaves acordou e, por duas vezes, teve o seu ponta de lança na cara de Casillas. Faltou a serenidade de um verdadeiro  ponta de lança…

A surpresa ia acontecendo no Estádio da Luz, onde os campeões nacionais em título  tiveram que se empenhar, frente ao Portimonense, recém-chegado à “alta-roda”. E se acrescentarmos que os algarvios estiveram, a vencer (golo de Fabrício, aos 56’) e só depois, aos 69, através de uma grande penalidade, Jonas empatou. Este foi o momento chave do encontro, uma vez que do lance, sai a expulsão de Hacham e mesmo assim um Portimonense reduzido a dez jogadores, ainda aguentou até à 78’ altura em que André Almeida, no flanco esquerdo, tirou um cruzamento-remate que levou a bola ao fundo da baliza adversária.

Estava feita a reviravolta mas a exibição que os adeptos tanto queriam, estava longe, muito longe, de ser conseguida. Daí os assobios ao estilo e modo como o Benfica se movimentava. Mais sonoros quando Fabrício fez entrar a bola na baliza de Bruno Varela e que o vídeo-arbitro anulou por fora de jogo. E o que se viu até aos 90+5 minutos? Isto: um Benfica a “tremer”, a segurar a bola e sempre nervoso devido à postura do adversário.

Não se esperava – longe disso – este “calafrio”.

Em Vila da Feira, também houve sofrimento, mas de forma diferente. O Sporting, depois de uma primeira parte muito mal conseguida e de um Feirense que nunca desistiu de incomodar a extrema defesa leonina entrou muito bem no segundo tempo e, em dois minutos, (62 e 64) fez dois golos, por Coates e Bruno Fernandes. Só que confiou na vantagem e quando “acordou” – aos 80’ – já o Feirense tinha restabelecido a igualdade (69 e 80’, por João Silva e Etebo) e, mais do que isso, já tinha ameaçado mais e mais a baliza de Rui Patrício.

A ponta final leonina, porém, foi, realmente, muito poderosa, colocando a defesa de Vila da Feira em constantes apuros. Aos 90+5, a grande penalidade “salvadora” – mas bem assinalada.- que Bas Dost transformaria no golo da vitória.

Sofrimento leonino? Sim, sem dúvida. Já era de esperar, frente a uma equipa que ainda não tinha conhecido o sabor da derrota.

Na Madeira, o até aqui invicto Rio Ave, perdeu esse estatuto quando se jogava o minuto 90+2 do encontro que o levou aos Barreiros. Foi um jogo pobre, tecnicamente falando, muito por culpa de um Marítimo demasiado preocupado com o poderio adversário, mesmo depois de este ter ficado em inferioridade numérica – expulsão de Francisco Geraldes provocada por uma entrada muito dura à perna do adversário -, não arriscando nada, apenas procurando tapar os caminhos da sua baliza e não permitir espaços aos homens de Vila do Conde. Acordou nos últimos 10 minutos do encontro e conseguiu o golo que valeu três pontos (por Ioson, aos 90+2), “camuflando com isso uma exibição muito descolorida. O Rio Ave sem Geraldes deixa de ter aquela profundidade atacante que até então caracterizara a equipa.

Em Tondela, os “beirões”, depois de conseguirem chegar aos 2-0 (marcaram aos 37 e 52 por Miguel Cardoso) frente ao Paços de Ferreira, deslumbraram-se, perderam lucidez e capacidade de jogo, permitindo uma excelente reacção dos castores que reduziram aos 75 (por Luiz Phillype) e igualaram aos 90+2 por Bruno Moreira.

Para terminar a jornada falta ainda jogar-se o Vitória de Guimarães-Boavista e o Estoril–Moreirense, o que acontece após o fecho desta edição e na próxima madrugada o Aves-Belenenses.

 

*Jornalista profissional especializado em Desporto