A Liga Portuguesa começa aos “soluços” e enquanto não se “organizarem” as provas europeias há jogos quase todos os dias. E entrar a ganhar, no jogo de estreia depois de uns quantos anos noutro patamar, é óptimo. O Portimonense conseguiu esse feito ao derrotar o Boavista, por 2-1

 

Costa Santos Sr*

 

Bem reclamou Vítor Oliveira pela marcação do Portimonense-Boavista para as 17 horas de um dia de calor abrasador, mas não ganhou nada com isso pois as transmissões televisivas ditam regras e horas. Em Portimão, entrou-se com o “pé direito” nesta prova dos “grandes senhores”. Com calor – muito – e com público – bastante – nas bancadas, fruto de se estar também em tempo de férias, foi o “baptismo” da equipa algarvia neste regresso à primeira Liga.

Quem conhece o estilo e modo de Vítor Oliveira sabe bem que as equipas que orienta não são daquelas de atirar a toalha ao chão à mínima contrariedade. Por isso, o golo boavisteiro, apontado aos 22 minutos por Rochinha, apenas fez soar as campainhas de alarme e não tolheu os movimentos, nem tão pouco tirou o discernimento preciso para inverter a situação. Mais a mais, esse golo sofrido foi, claramente, contra a corrente do jogo, penalizou a equipa que melhor futebol desenvolvia sobre o relvado. Mas isso é futebol. Um lance de contra-ataque e uma defesa muito cerimoniosa em afastar a bola.

No segundo tempo, mais velocidade no seu jogo, mais aproveitamento do espaço – o Boavista recuou linhas – e a igualdade a surgir aos 54 minutos para, a cinco minutos dos 90, Tabata colocar os algarvios em delírio, com a “cambalhota” no marcador. Resultado merecido, sem dúvida, pela equipa que mais trabalhou e mais desenvolta se mostrou.

Noutro jogo do dia, em Santa Maria da Feira, o Tondela foi buscar um ponto que é sempre positivo em qualquer altura da prova, e mais positivo por acontecer na primeira jornada. Uma igualdade a um golo – com o Tondela a marcar primeiro (aos 27’, graças a um auto-golo) e o Feirense a igualar (aos 51’) – acaba por se ajustar ao que as equipas produziram em campo, com os visitantes mais eficazes no primeiro tempo, embora a beneficiarem de uma infelicidade do defesa Cris, para, no segundo período, não conseguirem travar a reacção dos “fogaceiros”, mais voluntariosos e esclarecidos no estilo e modo de colocar o seu futebol a “produzir”.

Saliente-se que, independentemente da capacidade física não poder ser a melhor nesta altura, quer Feirense, quer Tondela, mostraram qualidade no seu jogo, o que é um sinal muito positivo para o futuro.

Em Vila do Conde, o Belenenses não conseguiu encontrar a via necessária para travar um Rio Ave “acelerado”, rápido na execução e surpreendendo por um fio de jogo que tinha na circulação de bola, na utilização dos flancos, o seu “chip”. Foi para o intervalo a vencer (1-0) com toda a justiça. Aliás, um golo resultante de um livre à entrada da área e que o “emprestado” Francisco Geraldes apontou com mestria, apesar da tabela na defensiva “azul” ter traído o guarda-redes. No segundo tempo, mais Rio Ave mas nenhum golo. A equipa de Vila do Conde fez jus à vitória.

 

Hoje há um Benfica-Braga

A primeira jornada continua hoje e logo com dois jogos dos “grandes”, com o Benfica a receber o Sporting de Braga e o FC  Porto a defrontar o Estoril.

O embate da Luz é o que mais “apetite” causa, não só pelo que se espera dos campeões nacionais no primeiro encontro no seu estádio, como também a curiosidade de saber até que ponto os “guerreiros” estão, depois da eliminatória da Liga Europa. Favoritismo para os donos da casa, naturalmente, que ainda não podem contar com Mitroglou. Relativamente ao guarda-redes Júlio César, tudo indica que recuperará a titularidade, ultrapassada que está a lesão que o impediu de alinhar frente ao Guimarães.

No Dragão, com casa cheia, também há a expectativa em ver este “novo” Porto de Sérgio Conceição. Outra coisa não se projecta que não a vitória portista, mas o Estoril costuma fazer “das suas”.

 

*Jornalista profissional especialista em desporto