Independentemente dos dissabores do jogo frente ao Sporting de Braga, Pinto da Costa abandonou a sua cadeira no camarote presidencial, por causa dos festejos de um Secretário de Estado

 

Costa Santos Sr*

 

A I Liga Portuguesa de futebol está na recta final. E se não o soubéssemos pelo calendário, seguramente que se adivinhava por todos os “fait-divers” que têm sido protagonizados por alguns dirigentes dos principais clubes.

Na última jornada, o FC do Porto sofreu duro revés em Braga. Morreu na Pedreira a promessa de Nuno Espírito Santo de saborear sete vitórias nos derradeiros sete jogos. E com isso, aquilo que poderia ter sido uma ultrapassagem ao rival Benfica acabou por se tornar num maior distanciamento. Inatingível? Claro que não.

Mas, no decorrer desse encontro e tendo como cenário o camarote presidencial, houve um acontecimento que ainda faz correr tinta e domina as conversas da opinião pública, depois de ter sido, a bem dizer, tema único nos vários programas desportivos nos canais televisivos: o Secretário de Estado Adjunto e do Ambiente, José Mendes, natural de Braga e ex-vice-presidente da Liga Portuguesa de Futebol Profissional entre 2014/2015, manifestou-se, no entender de Pinto da Costa, de forma exuberante, aquando do golo “arsenalista”, e não teve a postura de Estado que se exigia a um governante, ainda que simpatizante do clube. Por isso, ao intervalo, o presidente portista abandonou a sua cadeira, na primeira fila e optou por se sentar na última, ao lado do seu filho Alexandre Pinto da Costa.

“Se está aqui como adepto, devia ir para a outra bancada; se está como membro do Governo, é inadmissível que se comporte assim” – terá desabafado o líder portista.

O caso teria “morrido” nesse dia se o Sporting de Braga não tivesse emitido um longo comunicado em que, de maneira muito objectiva, condenou a atitude do presidente portista e vincou que, naquele espaço (tribuna presidencial) só têm acesso individualidades convidadas pela Direcção bracarense.

“O SC de Braga reserva-se o direito de convidar, para a tribuna presidencial, as entidades e personalidades que a sua Direcção por bem entenda, impondo às mesmas uma conduta assente no respeito e na sobriedade. É dever do SC Braga zelar pela sã convivência entre as diversas entidades representadas na tribuna presidencial, exigindo-se, como tal, moderação em todas e quaisquer manifestações”, refere o comunicado.

A direcção do Sporting de Braga salienta ainda que o comportamento de José Mendes ao longo de todo o jogo “foi, mais uma vez, irrepreensível, não se compreendendo, como tal, os desmandos que lhe são imputados”. “É falso que José Mendes tenha festejado, de forma excessiva ou ofensiva, o golo da SC Braga. Em momento algum José Mendes desrespeitou o FC do Porto ou os seus responsáveis, o que a ter-se verificado merecia, da parte da SC Braga uma atitude condizente com a sua postura que a sua Direcção exige a todos os convidados para a tribuna presidencial e, mais ainda, para com os elementos dos clubes visitados”, acrescenta.

Estalado o verniz, zangadas as “comadres”, vai durar muito tempo este “folhetim”. E, seguramente que, se os resultados seguintes não forem os desejados pelos “dragões”, irão aparecer vários capítulos da mesma “rábula”.

 

Benfica repudia cânticos

Noutro caso que também domina as conversas e tem como “guião” os cânticos entoados pela claque benfiquista no encontro de futsal disputado no Pavilhão da Luz – e onde era recordada a morte de um adepto sportinguista, atingido por um “very light” no Jamor, na década de 90 – a Direcção do Benfica já se pronunciou, “repudiando tal gesto”. Em semana do “derby”, o clube fez mesmo um apelo aos seus sócios para total compostura na deslocação a Alvalade.

 

* Jornalista profissional especializado em desporto