FC Porto esteve imparável na segunda parte
FC Porto esteve imparável na segunda parte

Depois do Benfica vencer o Moreirense (2-0), o Sporting goleou o Marítimo (5-0) e o FC Porto, depois do susto, anulou o Vitória de Guimarães (4-2)

 

Costa Santos Sr*

 

Esperava-se que a 17ª jornada, última da primeira volta da I Liga Portuguesa, pudesse trazer alguns calafrios às equipas dos lugares do topo, desde logo com a viagem algo complicada dos campeões nacionais a Moreira de Cónegos, mais pela moralização dos “cónegos” após a vitória sobre o Aves e a necessidade de pontos que os minhotos continuam a ter para “respirar” melhor. Também se pensava que o Marítimo, com uma defesa que não é fácil ultrapassar, pudesse criar problemas a um Sporting que teria de provar não ter ficado com sequelas do derby. Por último, o FC Porto recebia o Vitória de Guimarães, equipa que não tem historial de vitórias no Dragão mas luta por uma afirmação mais à altura do seu prestígio.

Porém, não se confirmaram as dificuldades previstas para o Benfica. Por culpa das “águias”, naturalmente, que entraram forte no jogo, colocando o adversário num “colete-de-forças”, limitando-lhe o espaço e o tempo para gizar ataques. Em suma, travando, através de uma pressão alta e com linhas subidas, quaisquer “leviandades” que os donos da casa pudessem ter.

O golo de Pizzi, aos 23’, fruto de um lance de ataque bem urdido e melhor concretizado, era parco pecúlio para o domínio exercido. As razões só poderão assentar num demérito dos benfiquistas, demasiado perdulários no remate, por lentidão no processo de finalização ou na maioria dos casos por pontaria muito defeituosa. No segundo tempo, o futebol desenvolvido pelo Moreirense teve alguma melhoria qualitativa, mas sem a intensidade que colocasse em perigo a superioridade adversária. Aos 55 minutos, Arsénio Nunes poderia ter dado melhor seguimento a um remate na cara de Varela (aliás a única grande defesa do guarda-redes benfiquista) mas por aí se ficaram os “cónegos” e, por isso, o segundo golo “encarnado”, apontado por Jonas, acabou por dar mais verdade ao marcador.

 

Mais três de Dost

Em Alvalade, depois de uma primeira parte de domínio territorial dos “leões” e com apenas um golo a marcar a diferença (Bas Dost, aos 21’) fruto de uma jogada primorosa, iniciada em Coates, seguida por Gelson Martins e finalizada pelo holandês, esperava-se um segundo tempo com complicações para os lisboetas. Mas nada disso aconteceu. O Marítimo manteve-se no 4x1x4x1 cauteloso e muito pouco “provocador” e os “leões” saíram do balneário com a intenção de colocar velocidade no jogo, circular a bola para o adversário subir no terreno e, depois, em três toques, chegar à área de remate.

Era importante “matar” o jogo e Bryan Ruiz, aos 50’, tranquilizou Alvalade quase cheio. A partir daí, numa linguagem bem futebolística, “só deu Sporting”! E os três golos – apontados aos 74,78 e 90+1 por Bas Dost (2) e Acuña – reflectem claramente essa ”exibição com arte”, reduzindo à sua expressão mais simples uma defesa que era das menos batidas do campeonato.

 

Aboubakar acabou com o susto

No Dragão, os portistas começaram com um susto (golo do Guimarães, por Raphinha, aos 22’) que se prolongou até aos 57’, quando Aboubakar, ao seu estilo, repôs a igualdade. Nessa altura já ninguém acreditava que os vimaranenses pudessem provocar qualquer escândalo, tal foi a quebra no desenvolvimento do seu jogo, naturalmente porque o adversário se empertigou, acelerou os processos de jogo e, em vinte minutos, muito por culpa da capacidade de Brahimi, Marega e Aboubakar, colocou o marcador nos claros 4-1, sem ponta de exagero, pelo que se viu em campo.

Nessa altura, os “dragões” “desaceleraram” e o Vitória de Guimarães aproveitou para reduzir, com Heldon a marcar aos 88’. Estava encontrado o “campeão de Inverno”…

Nos restantes jogos, foi natural a vitória do Sporting de Braga (2-1) sobre o Rio Ave e alguma surpresa no empate que o Aves foi “sacar” a Chaves (1-1).

 

*Jornalista profissional especialista em desporto