A FIFA aprovou uma proposta para alargar o número de selecções participantes no Mundial de Futebol, motivando críticas da Liga espanhola

 

O Conselho da FIFA, órgão que substituiu o Comité Executivo, aprovou ontem, por unanimidade, o alargamento da fase final Mundial de futebol, a partir de 2026, de 32 para 48 selecções.

A competição vai contar com 16 grupos, de três equipas cada, com as duas primeiras a classificarem-se para a fase seguinte, entrando então num sistema de eliminatórias a partir dos 16 avos de final.

Com este novo formato, o Mundial passará dos actuais 64 jogos para 80, mas continuará a disputar-se durante 32 dias, como sucede actualmente.

Segundo a FIFA, entre os principais objectivos da decisão de aumentar o número de espectadores em várias regiões do mundo, nomeadamente em países que até agora não tem conseguido qualificar-se para a fase final da competição.

Nesta segunda reunião do novo Conselho da FIFA estavam em cima da mesa três propostas: manter o formato de 32 selecções e alargar para 40 ou 48 selecções a partir da edição de 2028.

O presidente da liga espanhola de futebol, Javier Tebas, já criticou a ampliação para 48 selecções a fase final do Mundial, aprovada hoje pelo Conselho do organismo. Em entrevista ao diário francês L’Equipe, Tebas considerou que o presidente da FIFA, Gianni Infantino, “comporta-se como [Joseph] Blatter”, seu antecessor, que se demitiu em 2015 após o escândalo de corrupção que abalou o organismo.

“Infantino comporta-se como Blatter, que tomava as decisões sozinho, sem se preocupar com ninguém”, avaliou Tebas, acrescentando que os clubes estão “muito incomodados”.

O presidente da ‘LaLiga’ acusa a FIFA de ter avançado com a proposta de ampliação “por razões políticas”, sem ter consultado o futebol profissional, considerando que esta atitude “não é aceitável”.

Para o responsável espanhol, “a indústria do futebol mantem-se graças aos clubes e às ligas e não graças à FIFA”, acrescentando que “é fácil ‘engordar’ esta competição [o Mundial] sem pagar aos protagonistas”.

“Gianni Infantino faz política. Para ser eleito, prometeu mais países no Mundial. Quer cumprir essas promessas, mas as promessas que fez ao futebol profissional não as cumpre”, disse ainda Javier Tebas.

 

JTM com Lusa