José Mourinho foi determinante em termos estratégicos para a vitória do Manchester United sobre o Chelsea, por 2-0, em jogo da 33ª jornada que relançou a luta pelo título

 

O treinador português deixou surpreendentemente no banco o seu goleador, o sueco Zlatan Ibrahimovic, e montou um sistema de jogo em 3x5x2 que neutralizou os pontos fortes do Chelsea, de tal modo que o actual líder da “Premier League” não fez um remate enquadrado com a baliza ao longo dos 90 minutos.

Com Ander Herrera a fazer marcação individual a Eden Hazard, e um meio-campo bem preenchido, com Valência e Ashley Young como médios-ala, o espanhol, Fellaini e Pogba no corredor central, o United asfixiou o jogo ofensivo do Chelsea, roubando-lhe espaço para “respirar”, e deixando quase sempre a sua referência atacante, Diego Costa, desamparada entre o trio Bailly, Rojo e Darmian. Na frente, Rashford, que viria a ser uma das figuras da partida, a par de Herrera, e Lingard, dois jovens, velocistas, prontos a explorar essa característica e as costas da defesa do Chelsea, como sucedeu no lance do primeiro golo, logo aos sete minutos.

Um passe magnífico de Herrera, que antes dominou a bola com o braço, para as costas de David Luiz, a solicitar a desmarcação de Rashford, o qual, à saída de Begovic, titular na ausência do lesionado Courtois, meteu a bola fora do alcance do bósnio.

Aos 49 minutos, o Manchester United reforçou a sua confiança com a marcação do segundo golo por Herrera, num remate à entrada da área desviado por Zouma, a trair Begovic, e o Chelsea foi simplesmente incapaz de alterar o rumo dos acontecimentos.

Conte ainda tentou fazê-lo, com as entradas de Fàbregas e Willian, mas Mourinho respondeu de imediato, sacrificando Lingard para a entrada do veterano Carrick, que reforçou a consistência do “miolo”, “matando à nascença” qualquer veleidade do Chelsea dar a volta ao resultado.

Aos 83 minutos, Mourinho substituiu Rashford, exausto, por Ibrahimovic, que não deu o mínimo sinal de enfado por ter ficado no “banco” ao entregar-se ao jogo com total disponibilidade e espírito de sacrifício.

Com este triunfo, o Manchester relança a luta pelo título, que parecia “entregue” ao Chelsea em função da vantagem pontual que chegou a usufruir, e que neste momento se cifra em meros quatro pontos sobre o Tottenham. Os “spurs”, que golearam sábado por 4-0 na recepção ao Bournemouth, somam 71 pontos, contra 75 do Chelsea e 66 do Liverpool, terceiro, que venceu por 1-0 no reduto do West Bromwich, graças a um tento de Roberto Firmino. O Manchester United subiu ao quinto lugar com 60 pontos, a quatro do Manchester City (3-0 em Southampton) e a seis do Liverpool, quarto e terceiro classificados, respectivamente, mas os “red devils” têm menos um jogo do que os “citizens” e menos dois do que os “reds”.

 

JTM com Lusa