A selecção de Portugal garantiu a presença na fase final do Mundial de futebol com uma vitória por 2-0 frente à Suíça, num jogo em que foi pragmática, muito à semelhança do Europeu, e teve a “estrelinha da sorte”

 

Costa Santos Sr*

 

A Suíça venceu o primeiro jogo do Grupo B de apuramento para o Mundial e perdeu o último. Portugal perdeu o primeiro e venceu o último. Como pelo meio ambas as selecções venceram todos os confrontos e Portugal marcou muito mais golos, a vitória obtida num Estádio da Luz a abarrotar, num ambiente empolgante, valeu à equipa das quinas o carimbo no passaporte para a fase final na Rússia. Por isso, o dia de aniversário de Fernando Santos teve a cereja no topo do bolo!

Não foi uma partida de super qualidade futebolística, naturalmente por culpa do que estava por decidir: a qualificação. Muito pragmatismo – ou disciplina táctica – fez recordar os jogos do Europeu.

Fernando Santos colocou José Fonte no eixo defensivo, incluiu João Moutinho no “miolo” ao lado de João Mário e William Carvalho (na função de médio defensivo), acrescentou Bernardo Silva e manteve a dupla atacante. Num sistema de 4x4x2 que também se transformava, quando necessário, num 4x3x3 e até num 4x1x4x1. A Suíça, não raras vezes utilizava o seu 4x1x4x1 ou, mais simples, o 4x5x1.

O domínio territorial pertencia, maioritariamente, aos portugueses, mas não se traduziu em lances de perigo. Notava-se alguma ansiedade e precipitação, com os jogadores a quererem fazer tudo depressa e de forma perfeita. Os suíços, organizados defensivamente, tinham nas transições rápidas o seu ponto forte. Raramente o fizeram em “ataque planeado”, mas mantinham em alerta permanente a defesa portuguesa, nem sempre lesta a afastar a bola da zona de perigo.

Com os minutos a passar, o estado anímico dos portugueses não conseguia esconder alguma frustração pelo facto do golo não aparecer. Alguns passes “mal medidos” e hesitações obrigaram a duplo esforço de marcações. A tentativa de pressionar alto, algumas vezes conseguida, obrigava a compensações defensivas quando a bola era perdida; a utilização dos flancos – ora por Bernardo Silva ora pela subida de Eliseu – não tinha os consequentes cruzamentos com as medidas certas.

Até ao minuto 41 em que a “Deusa Fortuna” premiou o mais audaz, o mais voluntarioso: um lance mais ou menos inofensivo, num cruzamento de Eliseu para o coração da área, onde João Mário “pressionou” Djourou, que fez autogolo.

No segundo tempo, se a Suíça manteve o seu padrão de jogo, Portugal melhorou um pouco. Foi mais rápido nos passes, mais agressivo nas tabelinhas, mais inteligente na criação de espaços, mais pressionante sobre o homem da bola mas continuou nervoso e “trapalhão” na zona de finalização. Estava mais “solto”, é verdade, e o facto da Suíça ser obrigada a correr atrás do prejuízo, trazia-lhe alguma – não muita – tranquilidade. E foi, exactamente, esse maior discernimento que permitiu, aos 57 minutos, um lance de tabelinhas entre João Moutinho e Bernardo Silva e o passe deste “para o outro lado” da baliza, onde André Silva surgiu, solto de marcação, a encostar (à segunda…) para o fundo da baliza helvética.

A Suíça já não acreditava, mas não baixava os braços. Sentiu-se, inclusive, que Portugal deu a ideia de recuar linhas e defender o resultado, mas o que fez foi povoar o meio-campo, estar atento na retaguarda e eficiente na intermediária.

Com os minutos a passarem, a Suíça resignava-se à sorte do “play-off” e mesmo o desespero de um ou outro ataque só confirmava que “não tinha” mais argumentos.

Fernando Santos, foi igual a si próprio ao dizer: “sempre acreditei no apuramento e com esta qualidade e com esta organização poderemos jogar contra qualquer equipa!”

Venha lá o Mundial…

 

*Jornalista profissional especialista em desporto