Max Lee, de Hong Kong, superou favoritismo egípcio

O representante de Hong Kong, Max Lee, surpreendeu tudo e todos no torneio masculino do Open de Squash de Macau. Nas mulheres, o título foi alcançado pela inglesa Laura Massaro. Os atletas da RAEM saíram da prova logo à primeira

 

Vítor Rebelo

 

Macau recebeu alguns dos melhores jogadores de squash do mundo, mas acabaram por ser os “outsiders” (segundos planos) a dar nas vistas, em especial no quadro masculino da edição deste ano.

As finais foram realizadas ontem e em ambas havia egípcios, representantes de um país de enorme tradição na modalidade e quase sempre favorito em provas internacionais. Só que, desta vez, não brilharam em Macau, com destaque para os dois primeiros cabeças-de-série, Omar Mosaad e Tarek Momen, respectivamente.

A grande revelação foi Max Lee de Hong Kong, quinto pré-designado, que para atingir a final deixou pelo caminho o paquistanês Nasir Iqbal e os egípcios Marwan Elshorbagy (quarto favorito e líder do ranking mundial) e Tarek Momen (número um na prova de Macau). Na discussão do título, diante do egípcio Fareds Dessouki, Lee foi ainda mais dominador, com os parciais de 11/9, 11/6 e 11/0, contando sempre com o entusiasmo dos adeptos que, naturalmente, estavam do lado do jogador de Hong Kong.

Nas mulheres, não houve surpresa no triunfo de Laura Massaro, de Inglaterra, que derrotou a egípcia Nouran Gohar, por 11/8, 11/3 e 11/9. A atleta britânica, ao contrário do que aconteceu nos homens, foi confirmando, jogo após jogo, o seu estatuto de primeira cabeça-de-série, depois da ausência da principal candidata, a malaia Nicol David, número dois do ranking mundial.

O Open de Squash de Macau tem contado ano após ano com vários jogadores de Macau e alguns deles com “wild card”, ou seja, um convite especial dado pela Federação Internacional da modalidade a elementos do país ou região organizadora.

Mas, sabia-se que à partida os atletas da RAEM não teriam qualquer hipótese de passar da primeira ronda, isto para aqueles que entraram directamente no quadro principal, como foram os casos de Steven Liu (masculinos) e Liu Kwai Chi (femininos), primeiros classificados do actual ranking local.

Steven não teve sorte com o sorteio, encontrando pela frente o quarto cabeça-de-série e o líder do ranking mundial, o egípcio Marwan Elshorbagy, com quem perdeu de forma rápida (13 minutos), com os parciais de 11/3, 11/4 e 11/6, ficando à vista a enorme diferença entre os dois jogadores. O mesmo aconteceu nas mulheres, com Liu Kwai Chi a perder diante de Annie Au de Hong Kong, por 11/1, 11/2 e 11/5.

“Não há qualquer hipótese quando os atletas de Macau defrontam adversários desta qualidade, mas é sempre bom, mesmo perdendo, ganhar experiência. É com jogos a sério como estes que os representantes da RAEM vão crescendo”, disse ao JORNAL TRIBUNA DE MACAU Armando Amante, anterior campeão local, agora atrás de Steven Liu e já retirado, por opção própria, destas andanças de provas internacionais.

Amante foi o assistente principal do director do Open, Keneth Lei, estando também ligado ao Carnaval do Squash. “Quisemos aproveitar este Open e o corte de vidro instalado no Espaço Sintra, para promover a modalidade junto do público, assim como chamar jovens a jogar naquele recinto, alguns deles mesmo sem grande experiência na modalidade”, explicou.

As acções decorreram sábado e domingo, entre as 13:00 e as 17:00, antes dos principais desafios do torneio, respectivamente meias-finais e finais, sectores masculino e feminino.

 

Oliveira de 13 anos

é promessa no squash

Macau tem vindo, segundo os dirigentes da Associação de Squash, a receber a adesão de cada vez mais “miúdos”, muitos deles vindos dos estabelecimentos de ensino, para iniciarem uma carreira como jogadores, tentando ir o mais longe possível.

Há uns anos Macau pôde ver a evolução de Armante Amante, mas há já outros valores a despontar, como é o caso de Manuel de Oliveira, actualmente com 13 anos e que, apesar da tenra idade, teve a possibilidade de entrar na fase de qualificação deste Open de Squash. Oliveira ficou-se naturalmente pelo primeiro jogo, tendo sido derrotado pelo malaio Ivan Yuen, por 11/2, 11/4 e 11/5.

“O problema aqui em Macau e que faz toda a diferença quando defrontamos adversários mais fortes, é que eles têm muitos adversários para jogar, enquanto que nós não temos. No meu escalão de Sub-15 somos só três e por isso não é fácil ganhar ritmo”, começou por referir o jovem, campeão de Macau em Juniores e que já este ano representou o território em provas na Malásia, Japão e Hong Kong, tendo atingido a segunda ronda.

Sobre o Open de Macau, sublinhou o facto de atrair alguns dos melhores jogadores do mundo. “É outro nível”.

Manuel de Oliveira, que completa 14 anos em Dezembro e também joga futebol, diz querer continuar a praticar o squash de forma séria, mas sem pensar no futuro: “Não sei de facto até onde posso chegar, mas quero prosseguir como atleta de squash, subindo os respectivos escalões até atingir a categoria sénior. Vou procurando ganhar experiência nos torneios em que participo e principalmente nas saídas ao exterior”.

O jovem será um dos representantes de Macau nos Jogos Nacionais de Squash da China, já em Outubro, seguindo-se uma deslocação ao Torneio de Singapura.

Em 2016 tudo aponta para que jogue, pela primeira vez, nos campeonatos asiáticos, que terão por palco a capital malaia, Kuala Lumpur.

 

Gosto pela modalidade

Manuel de Oliveira, que tem boa margem de progressão, começou a praticar aos nove anos, depois de ver o pai jogar.

“Ficou-me a vontade de entrar também na modalidade e a partir daí passei a jogar mais a sério nas provas associativas”, sublinha o “miúdo”, que considera que as camadas jovens podem progredir.

“Penso que os jogadores de Macau destas idades, dos escalões dos 11 até aos 17/19 anos, podem melhorar a qualidade do seu squash, mas para isso têm de treinar bastante. Eu, por exemplo, treino 4/5 vezes por semana, durante duas horas. Agora vou começar a fazer sessões de três horas. Vamos ver se consigo melhorar e espero que um dia possa vir a ser campeão (absoluto) de Macau.

Também na fase do “qualifying” do Open de Squash de Macau, entraram outros representantes locais.

Van Keng Hei foi eliminado na prova masculina pelo escocês Greg Lobban (11/1, 11/5 e 11/4), enquanto que na feminina, Yeung Weng Chi seria batida pela australiana Donna Urquhart, pelos parciais de 11/2, 11/2 e 11/1.

Esta foi a décima edição do Open de Squash de Macau, que contou com prémios monetários de 50 mil dólares americanos para cada uma das categorias, homens e mulheres.

O principal responsável do evento, por parte da Associação, Keneth Lei, considera que “cada vez mais os verdadeiros talentos do squash mundial escolhem Macau e este ano voltou a não ser excepção, pelo que assistimos a excelentes desafios ao longo da semana”.