Ronaldo celebrou o título com o filho, a mãe, irmãs e namorada
Ronaldo celebrou o título com o filho, a mãe, irmãs e namorada

Os portugueses torciam por Fernando Santos, pelo título europeu conquistado, mas Ranieri, pelo que fez no Leicester, “adiantou-se”. Já no que respeita a Cristiano Ronaldo, “soube-se” muito antes que iria ganhar mais um troféu para a fabulosa colecção

 

Costa Santos Sr*

 

A Gala da FIFA, realizada em Zurique, teve para os portugueses um sabor “agridoce”. Com dois candidatos ao título dos melhores do mundo – Fernando Santos (treinador) e Cristiano Ronaldo (jogador) – havia muita expectativa de que esse título fosse entregue, pela primeira vez na história, a uma dupla portuguesas. Mas não aconteceu, no todo.

No caso de Cristiano Ronaldo, pelos êxitos somados na temporada de 2016, poucas dúvidas existiam de que a “concorrência” (Messi e Griezmann) o conseguisse superar.

Quando foram apresentados os candidatos na categoria de jogadores, e se ouviu a justificação que o Barcelona não autorizou a deslocação do seu jogador devido ao encontro da Taça do Rei, hoje, frente ao Atlético de Bilbau, houve um sorriso generalizado na sala e generalizou-se a convicção que os catalães tinham perfeita consciência que o seu atleta não seria o escolhido.

Recuando a 2007, vamos encontrar a primeira nomeação de Cristiano Ronaldo. Seis anos depois de Luís Figo ter arrecadado o troféu. Mas a primeira “Bola d’Ouro” só a conquistaria em 2008, repetindo o feito em, 2013 e 2014. A “luta” com o troféu do “France Football” levou a FIFA a criar um título diferente para premiar o melhor jogador do Mundo. Foi atribuído, este ano, pela primeira vez. Por isso, Cristiano Ronaldo disse que “este ainda não o tinha”. E não…

Depois, deixou os agradecimentos, em português. “Quero agradecer aos meus companheiros da selecção e do Real Madrid. Ao treinador – Fernando Santos – gostaria que tivesse ganho. Fica para a próxima, mister. À minha família e ao meu staff sempre presente nos bons e maus momentos. Este 2016 foi o melhor ano da minha carreira. Havia muitas dúvidas, mas um troféu mostrou que as pessoas não são cegas. Depois do que ganhei com a selecção e com o meu clube, não tinha dúvidas que deveria ganhar este troféu. A todos os que votaram em mim, muito obrigado. Treinadores, capitães, jornalistas também. Os prémios falam por si!”.

Depois de ter sido campeão da Europa por Portugal e pelo Real Madrid, Cristiano Ronaldo conquistou 34,54% dos votos, contra 26,42% de Lionel Messi e 7,53% de Antoine Griezmann.

 

Fernando Santos em terceiro

Fernando Santos, na votação, recebeu 16,24% dos votos, umas décimas a menos que Zidane e 6% menos que Cláudio Ranieri.

O seleccionador português, já distinguido como treinador do Ano pelas Federação Internacional de História e Estatística do Futebol (IFFHS) e “Globe Soccer Awards”, estava na calha para se juntar a José Mourinho que, em 2010, foi considerado o treinador do Ano/FIFA (curiosamente num ano em que Ronaldo também foi nomeado mas, desta feita, não venceu…) só que, de facto, a concorrência era muito forte, desde logo com Cláudio Ranieri no topo, pelo trabalho desenvolvido no Leicester que conduziu o clube inglês ao título, o que levou muitas casas de apostas inglesas quase à ruína!

O trunfo de Fernando Santos era o título europeu da selecção portuguesa. A votação privilegiou o trabalho feito num clube. Entende-se e aceita-se…

 

Ronaldo também superou Messi

na votação de Macau

Os representantes de Macau na eleição do melhor jogador do mundo contribuíram com 13 pontos, em 15 possíveis, para a vitória de Cristiano Ronaldo. Segundo os dados divulgados pela FIFA, o seleccionador da RAEM, Tam Iao San, atribuiu cinco pontos a Cristiano Ronaldo, três a Lionel Messi e um a Gareth Bale, enquanto que o capitão da equipa, Paulo Cheang, elegeu para as três primeiras posições Neymar, Cristiano Ronaldo e Toni Kroos. Já Pedro Maia, jornalista da TDM que representou os media locais na votação, escolheu CR7 como melhor do mundo, relegando para os lugares seguintes Griezmann e Messi. Pela República Popular da China, o seleccionador Marcello Lippi destacou Cristiano Ronaldo, Griezmann e Gianluigi Buffon e o capitão, Zheng Zhi preferiu Messi, à frente de Ronaldo e Buffon. A análise aos votos mostra que todos os capitães de selecções de país de língua portuguesa votaram em primeiro lugar em Cristiano Ronaldo, à excepção do dono da braçadeira do Brasil, Dani Alves, antigo jogador do Barcelona, que preferiu um trio catalão: Messi, Neymar e Luis Suárez. Como tem sido habitual, Lionel Messi e Cristiano Ronaldo não trocaram votos entre si. O argentino optou por três colegas de equipa (Suárez, Neymar e Iniesta), tal como fez Ronaldo, que votou em Gareth Bale, Luka Modric e Sergio Ramos.

 

* Jornalista profissional especializado em desporto