Há mais gente em “fila de espera” para mostrar serviço na selecção portuguesa e é mais do que certa a sua utilização em Leiria, frente aos Estados Unidos. Fernando Santos está na hora de tirar notas

 

Costa Santos Sr.*

 

As dores de cabeça do seleccionador português, Fernando Santos, poderão aumentar hoje (04:45 da próxima madrugada em Macau), com os novos testes que se prevê possam ser feitos no encontro particular frente aos Estados Unidos, no Estádio Magalhães Pessoa, em Leiria.

Naturalmente que as avaliações feitas frente à Arábia Saudita tiveram resultado positivo, isto é, aumentaram o número de candidatos para titulares do “passaporte”, com visto para o Mundial da Rússia. Mas as dores de cabeça por “fartura” são sempre boas desde que, naturalmente, se encontre o equilíbrio necessário. E estes confrontos, com selecções com outro padrão de jogo e outra filosofia, também são úteis, pois permitem, sem o peso dos pontos a “queimar” as chuteiras, encontrar as soluções ideais para ultrapassar os obstáculos e dar “calo” a quem tem a missão de executar tais tarefas.

Com a Arábia Saudita, Portugal teve uma excelente prestação e o mesmo poderá acontecer frente aos Estados Unidos. Na “calha”, para entrar em jogo, estão mais “caras novas”: José Sá, Ricardo Ferreira, Rony Lopes e Gonçalo Paciência. Mais opções para Fernando Santos. Acreditamos que em Leiria se repita a dose de experiências. Estamos no tempo delas. A mistura com os mais traquejados permitirá a avaliação certa, o equilíbrio desejado e, obviamente, o resultado por que se trabalha: a vitória.

O seleccionador “interino” dos Estados Unidos, Dave Sarachan, (rendeu Bruce Arena, “vítima” dos resultados que ditaram o afastamento do Mundial), já fez saber das suas preocupações em defrontar Portugal. “A selecção portuguesa é muito forte em todos os sectores. No jogo com a Arabia Saudita demonstraram uma intensidade de jogo feroz. Tem muita qualidade, muita técnica. Por isso, defrontar Portugal é sempre perigoso para qualquer selecção”, reconheceu.

Acrescente-se que os Estados Unidos também passam por um processo de renovação. Para este confronto com Portugal, o seleccionador Dave Sarachan convocou 12 jogadores com idades inferiores a 24 anos e cinco que poderão fazer a sua estreia neste encontro.

Mas se Sarachan viu esse espírito combativo no jogo de Viseu, mesmo com toda juventude debutante, hoje, poderá sentir o mesmo com as possíveis “mostras” de outros, igualmente apostados em complicar a vida do seleccionador.

Mas há mais! Há aqueles que, por outros motivos, não fizeram parte das duas últimas convocatórias de Fernando Santos: Nani e Adrien, por exemplo. É que estes dois já fizeram saber, pela comunicação social, que estão “de olho” na selecção e que a sua aposta passa claramente por fazer parte do lote de escolha final. Se Nani diz que “o meu sonho é estar no Mundial”, Adrien afirmou que “Fernando Santos sabe que pode contar comigo” e revelou o que o seleccionador lhe disse: “está tranquilo e prepara-te o melhor possível para quando voltares a jogar, estares bem”. Sem dúvida que Adrien está em desvantagem: até Janeiro não pode competir (problemas da transferência para o Leicester) e esse ritmo é muito importante. Mas importante também é a vontade de ir ao Mundial.

 

Guimarães goleado em casa na Taça da Liga

Estas competições “metidas à pressão” numa nesga do calendário obriga quem luta por um bom lugar na Liga principal a gerir recursos e rodar alguns elementos, sendo que, quando o plantel é escasso, às vezes “dá raia”. Aconteceu ao Vitória de Guimarães em mais uma jornada da Taça da Liga, ao receber a Oliveirense, da 2ª Liga: contra todas as expectativas, foi goleado em casa por 4-1. Resultado: lenços brancos nas bancadas, gritos de demissão para Pedro Martins, em suma, um ambiente efervescente, claramente dispensável para um trabalho tranquilo.

 

*Jornalista profissional especialista em desporto