Na última jornada, Macau perdeu com a Índia por 4-1
Na última jornada, Macau perdeu com a Índia por 4-1

Esta é a última oportunidade em casa para a selecção da RAEM pontuar. A estratégia deverá manter-se na prioridade defensiva e aposta no contra-ataque. Segundo no Grupo A da qualificação para a Taça da Ásia, o Quirguistão tem necessidade de ganhar

 

Vítor Rebelo*

 

O factor casa pode galvanizar a selecção de Macau, que amanhã realiza o último desafio diante dos seus adeptos e o penúltimo da fase de apuramento para a Taça da Ásia, cuja fase final terá lugar em 2019 nos Emirados Árabes Unidos. A RAEM já não tem qualquer hipótese de qualificação, uma vez que perdeu os quatro desafios anteriores, mas quererá salvar a imagem de uma equipa em progressão e que, apesar dos desaires, não tem sido, longe disso, o “bombo da festa” de há uns bons anos a esta parte, em competições deste nível.

Os pupilos de Chan U Ming vêm de um desaire com a Índia, em Bangalore, numa partida em que deram nas vistas pela positiva, quando, em especial na primeira parte, discutiram o jogo com o adversário, marcando um tento, que foi o primeiro neste Grupo A, embora acabando por sair derrotados por 4-1.

Agora diante do Quirguistão, a quem consentiu apenas um golo no jogo de Bishkek, a formação da RAEM pode ambicionar algo mais do que “perder por poucos”, como é habitualmente a sina da selecção do território, que continua a ter um baixo ranking asiático. Nessa partida, que abriu a série de qualificação, a selecção do Lótus era comandada por Tam Iao San, que entretanto pediu para descansar, depois do jogo com o Myanmar (derrota em casa por 4-0), sendo substituído por Chan U Ming, até então director técnico das selecções.

A estratégia mudou radicalmente e o “onze” de Macau passou a assumir claramente que a defesa era prioritária. Por isso, o treinador reforçou-a, utilizando um sistema de cinco defesas, com os dois laterais muito empenhados também no sector ofensivo, onde a aposta era (e é) de contra-ataque.

Contra o Quirguistão pouco ou nada deverá mudar, a não ser a falta que, por exemplo, Filipe Duarte (lesionado e já operado em Portugal), vai voltar a fazer, como pilar do sector recuado.

Os quirguizes jogam muito bem por alto como se viu no primeiro jogo e aí se adivinha o muito trabalho que os centrais da casa irão ter, ficando a dúvida se ao lado de Paulo Chieng (parece certo), vão estar Lao Pak Kin, Lei Ka Im ou Lei Ka Hou. O papel dos laterais será também muito importante, mas também aí o técnico costuma fazer alterações de jogo para jogo. Chan Man, Amâncio Matos, Chan Pak Chun, Lam Ngai Tong, são nomes a escolher pelo seleccionador.

Daí para a frente não haverá muita escolha, com Nicholas Torrão, Lam Ka Seng, Kong Cheng Hou, Leonel Fernandes, Pang Chi Hang, a perfilarem-se como prováveis na formação inicial.

 

Poderio físico

O Quirguistão, que precisa de ganhar para manter as aspirações de apuramento, como segundo classificado (o primeiro é a Índia, já qualificada), é forte fisicamente e Macau terá de estar preparado para o choque, sendo muito importante a cobertura ao jogador que tem a bola, como disse ao JORNAL TRIBUNA DE MACAU, o capitão Paulo Chieng.

“No confronto um-a-um, eles são fortes, por isso, a nossa defesa necessita de trabalhar em conjunto, com um na marcação ao adversário e outro na cobertura. Se conseguirmos fazer isso, sem grandes erros, então torna-se mais difícil para o Quirguistão. Só assim poderemos ter algumas hipóteses de discutir o resultado neste jogo. Mas temos de ter muita cautela também com o futebol directo deles, porque são fortes. No jogo da primeira mão estivemos bem, só perdemos por 1-0, mas volta a ser um desafio complicado para nós”, afirmou.

Nicholas Torrão, que, tal como Paulo Chieng, também jogou em Bishkek no passado dia 28 de Março, é igualmente de opinião que o Quirguistão é muito forte fisicamente e joga bastante com a bola pelo ar. “Penso que o Quirguistão é mais forte do que a Índia, mas se conseguirmos fazer tão bem como na primeira volta, estaremos mais perto da vitória. Eles precisam de ganhar e por isso vamos ver qual a resposta da selecção de Macau”, referiu o médio-atacante que marcou o golo face aos indianos e que fica na história como o primeiro na fase de apuramento de uma competição tão importante como é a Taça da Ásia.

O jogador do Benfica, habitualmente o principal municiador de jogo para o elemento mais adiantado, Leonel Fernandes, agora que Leong Ka Hang está fora da equipa, por lesão, reconhece que Macau não deverá arriscar tanto como fez na Índia. “Se o fizermos, a nossa defesa fica mais desprotegida. Vamos provavelmente jogar ao nosso estilo, dar prioridade ao sector recuado e lançar o contra-ataque. Temos tido uma boa semana de treinos”, frisa Niki, para quem “a selecção tem de mostrar mais atitude, apesar de termos corrido bastante, do que fez no desafio de sexta-feira com a equipa de Hong Kong, ainda que saibamos que jogar contra um clube não dá tanta motivação aos jogadores como num desafio com outra selecção.”

Torrão concluiu dizendo que “esta é a última oportunidade que Macau tem, diante do seu público, para ganhar ou fazer um bom resultado, porque o empate também seria positivo.”

Quirguizes moralizados

Relativamente à selecção do Quirguistão, o “onze” de Alexander Krestinin (técnico russo de 39 anos), tem grande necessidade de ganhar, isto depois de um empate (2-2) na jornada anterior, na deslocação ao terreno do Myanmar, seu rival nas contas do segundo lugar.

Os quirguizes, que perderam apenas uma vez (na Índia, por 1-0), virão na máxima força, apresentando um lote de jogadores onde pontifica o avançado Mirlan Murzaev, de 27 anos, que teve uma rápida passagem pelo Lokomotiv de Moscovo, da Rússia, em 2010, e veste agora a camisola dos turcos do Usakspor.

A selecção que já está em Macau e fará hoje um treino de adaptação ao relvado do Estádio da Taipa, tem vários futebolistas a actuar fora do país, casos do guarda-redes Pavel Matiash (Mazyia, Maldivas), dos defesas Viktor Maier (Emmen, Holanda), Valerii Kichin (Yenisey, Rússia), Azamat Baymatov (Riffa, Bahrain) e Sherzod Shakirov (Zugdidi, Geórgia), dos médios Farhat Musabekov (Olmalik, Uzbequistão), Anton Zemilanukhin (Sukhothai, Tailândia) e Akhlidin Israilov (Neroca, Índia) e o avançado Vitalij Lux (Unterhaching, Holanda), entre outros.

O Quirguistão estará igualmente atento ao que se irá passar na Índia, também amanhã, uma vez que ficará isolado na segunda posição da série caso vença em Macau e Myanmar perca pontos na Índia.

 

RAEM perdeu com Yuen Long

Em jogo de preparação para a recepção, amanhã, ao Quirguistão e aproveitando a data de jogos do calendário da FIFA, a selecção da RAEM jogou com o Yuen Long da I Divisão de Hong Kong e foi derrotada por 2-0. Os golos da formação da RAEHK foram apontados em cada uma das partes do desafio do Estádio da Taipa, por Lau Hou Lam e por Júnior Soares (Juninho), brasileiro que esteve há dois anos ao serviço do Sporting de Macau. O Yuen Long segue no sétimo lugar da tabela do campeonato do território vizinho, a 13 pontos do líder Kitchee, numa prova que vai na sexta jornada e tem 10 equipas.

* Jornalista