Indianos venceram no Estádio da Taipa por 2-0
Indianos venceram no Estádio da Taipa por 2-0

Perder por poucos parece ser o objectivo principal de Macau no confronto com os indianos, na próxima quarta-feira. O treinador Chan Hiu Ming assume essa postura, mas vai tentar surpreender o adversário

 

Vitor Rebelo*

 

A selecção de futebol de Macau desloca-se à cidade de Bangalore para defrontar a Índia, na quarta jornada da fase de qualificação da Taça da Ásia, voltando a utilizar uma estratégia de prioridade defensiva, para tentar não sofrer muitos golos e apostar no seu esquema habitual, o contra-ataque.

Este é o segundo confronto entre as duas formações no espaço de pouco mais de um mês, isto depois dos indianos se terem deslocado ao Estádio da Taipa na ronda anterior, com triunfo por 2-0, num desafio em que Macau defendeu bastante (e muitas vezes bem), impedindo que o adversário pudesse construir um resultado mais volumoso.

Para o embate de depois de amanhã, na terceira cidade mais populosa da Índia (cerca de 8 milhões e meio de pessoas) e o maior centro de alta tecnologia do país, a selecção da RAEM apresenta outros argumentos, que não pôde mostrar aos indianos aquando do jogo do dia 5 de Setembro. Desde logo, o experiente defesa central Filipe Duarte e o médio atacante Nicholas Torrão, ambos campeões pelo Benfica, que assim se juntam a outro português, Leonel Fernandes, que deu nas vistas no encontro amigável frente ao Laos, apontando dois dos três tentos da vitória (3-1) da equipa do território.

Macau está assim mais compacto, o que já se notou na partida com o Laos, ainda que se saiba que a estratégia se vai manter inalterada, ou seja, com a utilização de cinco defesas, três centrais e dois laterais.

Chan Hiu Ming, que substituiu Tam Iao San no comando técnico da selecção da RAEM, implantou este esquema, não do agrado de toda a gente, incluindo jogadores, mas o certo é que se pode dizer que resultou, primeiro diante da Índia, sofrendo “apenas” dois golos, e depois com o Laos.

Vem agora aí o segundo desafio diante dos indianos, com certamente mais de 20 mil pessoas no estádio, numa partida em que se justificará um pouco mais a prioridade defensiva, já que o adversário vai certamente “cair em cima” de Macau desde os primeiros minutos.

A (re)ntrada de Filipe Duarte, que só havia actuado na estreia no grupo, no Quirguistão (derrota por 1-0), vem dar outra segurança e experiência a um sector que vai estar sujeito a um enorme trabalho, devendo ter a seu lado Lao Pak Kin e Paulo Cheang, com Lei Ka Hou e Chan Pak Chun, nas laterais, isto se o treinador mantiver a confiança nos elementos que evoluíram de início com o Laos.

“O jogo com o Laos foi equilibrado, mas temos de ser realistas, na Índia será certamente algo parecido com 80 por cento de posse de bola do nosso adversário e nós com 20. No último confronto com a Índia estivemos bem a defender, mas ainda temos de melhorar. O nosso objectivo principal é não sofrer golos. E se não os sofrermos talvez tenhamos hipótese de correr alguns riscos em termos atacantes. Não podemos é sofrer um golo muito cedo, caso contrário o jogo acaba ali”, salientou Chan Hiu Ming, na antevisão da partida de Bangalore.

 

Regressos ajudam a equipa

O técnico reconhece que o regresso à selecção de alguns bons valores, como Filipe Duarte e Nicholas Torrão, vai ajudar a equipa, que “está igualmente a melhorar nos níveis físicos, comparativamente com desafios anteriores e concretamente com a Índia”.

O técnico também tem tido mais tempo os jogadores consigo. “Na última vez, com a Índia, tivemos poucos treinos, por causa do tufão, por isso estamos agora mais bem preparados”, refere Chan Hiu Ming, que continua a não poder contar com o lesionado Leong Ka Hang (pubalgia), para além de, por opção, deixar de fora jogadores como Edgar Teixeira, que tem estatuto de local e por isso seria uma mais valia.

“Estou desiludido com a forma como fui tratado. Fui a um treino mas o treinador não falou comigo, para saber se estava ou não convocado para o primeiro jogo com a Índia, aqui em Macau. Não gostei e por isso não voltei a treinar na selecção, nem o vou fazer até ao final do ano. Na próxima época do “bolão” se verá. Nunca disse que não queria ir à selecção, mas repito, não gostei da forma como fui tratado. Apesar disso, espero que a equipa consiga fazer um bom resultado na próxima quarta-feira”, disse Edgar Teixeira ao JORNAL TRIBUNA DE MACAU.

 

Manter a tranquilidade

Em jeito de antevisão da partida, Filipe Duarte diz que a “equipa tem de manter a mesma tranquilidade demonstrada no Quirguistão, com um estádio cheio e toda a gente a puxar pela formação da casa”.

O defesa central reconhece que “Macau fez um excelente jogo (no Quirguistão), perdendo por 1-0 e na Índia estou certo que vai ser a mesma coisa, apesar de se saber que vamos passar o tempo todo a defender. Vai ser complicado, eles vão ter muitos jogadores na frente, pois já sabem como nós jogamos. Vai haver muito cruzamento para a área, nós jogamos fechadinhos e a Índia vai tentar tirar partido disso.”

A estratégia que a selecção do território tem vindo a adoptar, não agrada ao português do Benfica: “Esta não é a estratégia que eu mais gosto, para ser sincero, mas tenho de aceitar as ordens do treinador. Para mim foi o primeiro jogo, com este técnico, estou a tentar comandar a defesa, com tempo as coisas vão lá”.

O avançado Leonel Fernandes que, tudo aponta, será o homem mais adiantado da equipa (por vezes sem apoio dos seus companheiros, mais preocupados em defender…) fala também do desafio: “Nós estivemos a perder e demos a volta ao resultado no confronto com o Laos e por isso ganhámos confiança para este encontro na Índia. Pode ser uma motivação extra para Macau. Claro que vamos apanhar um estádio com 20/30 mil espectadores, mas lá está, a bola é redonda, a pressão está do lado deles. Somos os ‘outsiders’, podemos usar isso a nosso favor. Vai ser difícil, mas temos de acreditar sempre”.

No que diz respeito à selecção da Índia, o seu treinador, o inglês Stephen Constantine, considera este jogo importantíssimo, porque, em caso de vitória, dará a qualificação imediata para a fase final da Taça da Ásia. “É de facto um dos desafios mais importantes da história do futebol da Índia, desde há muitos anos a esta parte”, sublinhou o técnico, para quem “o trabalho é a chave do sucesso e só assim se poderá construir uma equipa para o futuro”.

 

Jogo tem transmissão em directo

O desafio entre Macau e a Índia, da quarta jornada da fase de qualificação para a Taça da Ásia, contará com transmissão em directo no Canal Macau da TDM (em língua portuguesa), assim como no Canal de Desporto (em língua chinesa), com início agendado para as 22 horas, horário da RAEM, na quarta-feira. Os amantes do futebol do território têm assim oportunidade de assistir à partida a realizar no Estádio Sree Kanteerava, em Bangalore, com a selecção de Macau à procura de repetir a boa actuação (defensiva) do encontro anterior frente aos indianos.

 

 

* Jornalista