Sporting perdeu fulgor após a lesão de Adrien

A vitória do Sporting frente ao Feirense era obrigatória e consumou-se, mas a lesão de Adrien obrigou o capitão leonino a sair de maca para o hospital, arrefecendo a euforia gerada pelo resultado e uma exibição convincente na primeira parte

 

 

Costa Santos Sr*

 

Os resultados do Sp. Braga, na Madeira, e do FC do Porto, em Paços de Ferreira, para além de outros factores, tornavam obrigatória a vitória leonina na sua recepção ao Feirense.

E, desta feita a equipa correspondeu. À meia hora já vencia por 2-0 mas, principalmente, tinha produzido um futebol rápido, enleante e demonstrando apetência para o remate. Dois golos em lances de bola corrida, ambos com cruzamentos para o coração da pequena área e Bas Dost a surgir no sítio certo apenas para “encostar”.

Tudo seria normal se, aos 34 minutos, Luís Aurélio, numa entrada violenta sobre Adrien, não tivesse atingido o capitão leonino com uma joelhada no pescoço. Dois minutos depois Adrien estava a caminho do hospital, com colar cervical colocado, deixando Alvalade em pânico.

Um lance tirado a papel químico de outro que Bruno Alves protagonizou no amigável da selecção nacional com Inglaterra. A diferença é que Bruno Alves não atingiu o adversário e Luís Aurélio colocou Adrien no chão e no hospital!

Já era madrugada em Portugal quando a notícia sobre o estado de saúde de Adrien foi divulgada pelo Departamento Clínico do Sporting. “O jogador Adrien sofreu um traumatismo cervical, foi conduzido ao hospital para exames complementares. Feitos estes, o resultado foi positivo, não havendo sequelas pelo que o atleta vai ter alta hospitalar”, referiu em comunicado.

No segundo tempo, viu-se um Sporting muito diferente: nervoso, sem discernimento, incapaz de ligar lances de futebol ofensivo e de ser coeso quando tinha que defender. Níveis de concentração muito baixos, incapacidade para segurar a bola, enfim, o retrato da ansiedade espelhado em campo. E o Feirense soube aproveitar-se disso e marcar um golo (e tentar o segundo após a expulsão de Elias…) que mais minou a desenvoltura leonina já de si na chamada “mó de baixo”. Valeu a vitória para encurtar distâncias.

Em Tondela, a derrota da equipa da casa (1-2) frente ao Arouca, “consolidou” a sua posição nos fundos da tabela. Faltam soluções a Petit para armar uma equipa capaz de sair dos lugares de despromoção. Ao contrário, o Boavista vai recuperando terreno e já está a meio da tabela, posição reforçada com a vitória sobre o V. Setúbal, graças à transformação de uma grande penalidade (27 minutos). A reacção sadina não chegou para ultrapassar a bem escalonada defesa axadrezada.

Em Vila do Conde, um excelente jogo com duas partes bem diferentes. Na primeira, o Rio Ave comandou – marcou um golo aos 18 minutos – e só não ampliou a vantagem porque no momento do remate falhou a direcção da bola. No entanto, na segunda parte, um Chaves atrevido, mandão, encostou os vila-condenses às cordas e, sem estranheza, conseguiu a “cambalhota” no marcador, com golos apontados aos 54 e 75 minutos. O quarto-de-hora final foi “impróprio para cardíacos”, com o Rio Ave a colocar tudo em campo, a meter a velocidade que não usara na primeira meia hora do segundo tempo, na procura, no mínimo, do golo da igualdade. Que surgiu aos 80 minutos e, depois dele, apesar da toada ser de parada-resposta, houve muito mais cautelas defensivas de parte a parte. Um resultado que se aceita face ao labor e entrega das duas equipas.

 

* Jornalista profissional especializado em desporto