Monte Carlo está a cinco pontos do Benfica, mas tem um jogo em atraso
Monte Carlo está a cinco pontos do Benfica, mas tem um jogo em atraso

Os “canarinhos” já não podem perder mais pontos na Liga de Elite e o Kei Lun joga sem pressão. Chao Pak Kei é favorito diante do Sporting e o líder Benfica encontra pela frente o Ka I

 

Vitor Rebelo*

 

A questão do título na Liga de Elite continua em aberto e o Chao Pak Kei acompanha agora o Monte Carlo na pressão directa ao Benfica, uma vez que as duas equipas possuem o mesmo número de pontos.

A realidade actual da tabela do campeonato coloca as “águias” com uma diferença de cinco pontos (35 contra 30) em relação aos seus rivais, mas estes têm um jogo a menos, diante do mesmo adversário (Sub-23), pelo que as contas teóricas se possam fazer como se o Benfica só dispusesse de dois pontos.

É o Monte Carlo que tem o desafio de maior risco, já esta noite (21h) face ao Kei Lun.

“Apesar da derrota no fim-de-semana passado, ainda temos hipóteses, os nossos objectivos permanecem inalterados. A equipa está melhor do que na primeira volta, temos treinado bem, estamos com boa organização, mas às vezes acontecem desaires como aquele diante do Chao Pak Kei, em que desperdiçámos várias oportunidades na segunda parte”, palavras de Paulo Chieng.

Já o Kei Lun apresenta-se na partida sem tanta pressão como o seu adversário.

“É um desafio difícil, claro, mas cada jogo tem uma história e sabemos que eles vêm de uma derrota e por isso têm obrigação de ganhar. Penso que o Kei Lun tem condições de ganhar este jogo. Assim como qualquer um, mas a nossa finalização tem deixado um pouco a desejar. Criamos ocasiões, mas a bola não entra, como aconteceu diante do Ka I. Sofremos um golo cedo e estivemos quase 90 minutos para empatar e não conseguimos”, disse ao JORNAL TRIBUNA DE MACAU o brasileiro Adilson Silva, médio que já fez seis golos esta temporada.

Provavelmente menos complicado será o opositor do Chao Pak Kei, mas com a subida gradual do Sporting, a equipa de Diego Patriota e Bruno Figueiredo terá de se acautelar.

“Para além de ser um clube de matriz portuguesa, o Sporting tem feito um bom campeonato dentro das suas limitações e até me tem surpreendido”, refere um dos treinadores do CPK, Manuel Cunha.

O terapeuta e antigo responsável pela selecção de futsal de Macau, assumiu este ano um dos lugares de orientação do clube de Steven Chow e desfaz as dúvidas quanto às competências do corpo técnico: “As pessoas é que fazem confusão e, ao contrário do que se diz, ali toda a gente quer ganhar e todos se entreajudam, ninguém passa a batata uns aos outros. Para que fique bem esclarecido, Steven Chow é o ‘team manager’, Ignacio Hui é o director técnico, enquanto que eu e o Leung Kuai Sang somos os treinadores. Por isso é que eu estive a orientar a equipa na segunda parte do desafio com o Monte Carlo”.

Do lado do Sporting, que não vai poder contar com um dos esteios da defesa, o luso-francês Eric Peres, fica a antevisão do outro central, Pedro Pires: “O nosso objectivo é sempre o mesmo, lutar ponto a ponto para permanecermos na Liga de Elite e tentar algo mais para o ano. Vai ser um jogo difícil, porque o Chao Pak Kei está motivado por ter ganho ao Monte Carlo e nós também depois do empate com o Ching Fung”.

Para o desafio de amanhã à noite (20:30), Pedro Pires deverá contar com o apoio de Ema Maicon, no eixo da defesa.

 

Benfica com menos alterações

Já o Benfica tem pela frente, domingo às 18:30, o Ka I, que tem pautado a época com exibições algo irregulares, mas sempre um adversário perigoso, com jogadores que podem fazer a diferença.

“Temos de defender o máximo, com responsabilidade e posicionamento. Se conseguirmos chegar ao intervalo com 0-0, na segunda parte podemos tentar mais alguma coisa, em contra-ataque”, sublinha William Gomes, que defronta a sua antiga equipa.

“É sempre bom jogar contra o Benfica. Há uma motivação maior, até porque o Benfica é a melhor equipa de Macau, que fica mais forte com o treinador que tem. É bom jogar com os bons e contra os bons”.

O Benfica volta a poder contar com Nicholas Torrão e pelo menos com um dos centrais, Bernardo Marques, que também, tal como Filipe Duarte, não actuou na partida diante dos Sub-23.

É assim menos uma dor de cabeça para o treinador Henrique Nunes, que na ronda anterior teve de colocar Cuco e Lei Chi Kin a centrais.

Filipe Duarte fala do desafio face ao Ka I, como sendo mais um encontro difícil, “até porque todos querem ganhar ao Benfica” e lembrou que os “encarnados” já não perdem um jogo para o campeonato desde que foram derrotados, precisamente pelo Ka I, há dois anos.

 

* Jornalista