Si Ngai, um jovem de 15 anos, com grande futuro, que bateu toda a concorrência numa das provas de juniores, por convite, de maior prestígio no território vizinho. O golfista de Macau terminou à frente de um japonês e de um indiano

 

Vítor Rebelo*

 

Numa altura em que está à porta mais uma edição do Open de Golfe de Macau, competição que irá contar uma vez mais com atletas da casa, a modalidade recebe esta boa notícia da vitória de Si Ngai no Torneio Internacional de Hong Kong, destinado a jogadores da categoria de juniores.

A prova, que reúne todos os anos perto de uma centena de golfistas de ambos os sexos de vários países ou regiões do continente asiático, igualmente com alguns convites a equipas da Europa, é considerada como uma montra de talentos da modalidade nesta zona do mundo, aqui se confirmando grandes promessas em termos de futuro.

O evento decorreu durante três dias, com classificações individuais e colectivas, tendo Macau apresentado também um elemento feminino, Leong Kuan, que não teve a mesma sorte de Si Ngai, uma vez que fechou na vigésima nona posição.

Na competição dos rapazes a grande surpresa foi o representante da RAEM, que totalizou 65 pancadas, menos uma do que a dupla de rivais, formada pelo japonês Yuki Ikeda e o indiano Kshitij.

Vários países ou regiões participaram no torneio organizado pela Associação de Golfe de Hong Kong e todos os anos a adesão é cada vez maior, o que prova o nível do evento.

Ali evoluíram também jogadores da China, Malásia, Singapura, Austrália, Indonésia, Taiwan, Coreia do Sul, Filipinas, Nova Zelândia, Líbano, Bangladesh, Emirados Árabes Unidos, para além de Hong Kong e uma formação europeia (o norueguês Baard Skogen foi quarto classificado, com 67 pancadas).

 

Produto das escolas

A vitória de Si Ngai acaba por ser, segundo referiu ao JORNAL TRIBUNA DE MACAU, o vice-presidente da Associação de Golfe da RAEM, “um produto das escolas do território que nós temos vindo a desenvolver.”

João Senna Fernandes, também ele um golfista que já participou no Open de Macau e que, actualmente, para além de continuar a praticar, é monitor dos mais jovens, considera que Si Ngai tem um grande futuro.

“Efectivamente ele tem muito talento e vai ser um excelente jogador num futuro próximo, mostrando já grandes qualidades. Si Ngai está a estudar nos Estados Unidos desde o ano passado e lá participa em vários torneios. Vem aqui de férias e nós levámo-lo a este torneio de Hong Kong, onde Macau costuma enviar jogadores, mas nunca tinha ganho. Si Ngai já tinha dado nas vistas na Taça Zhang Lianwei, que é um Open Internacional de Macau para a categoria de juniores”, salientou.

O jovem Si Ngai, que nasceu em Macau, foi assim a grande surpresa individual em Hong Kong, obtendo um registo pouco habitual entre jogadores da RAEM, no confronto com adversários de muito maior experiência neste tipo de torneios virados exclusivamente para as camadas inferiores.

 

Golfistas nos Jogos Nacionais

Macau, orientado precisamente por João Senna Fernandes, participou igualmente no evento colectivo e aí Si Ngai e Leong Kuan não conseguiram melhor do que o vigésimo primeiro lugar, entre 38 equipas.

Outros golfistas do território estiveram igualmente activos nos últimos dias, uma vez que a Associação de Golfe de Macau enviou quatro atletas aos Jogos Nacionais da República Popular da China: Xiao Jieyu, Tang Chak Hou, Yan Sihuang e Hun Pui In.

No confronto com golfistas de prestígio da China, o melhor do quarteto da RAEM, a nível individual, foi Xiao Jieyu, com um total de 325 pancadas, enquanto que na classificação por equipas, Macau terminou em décimo, com Pequim a sagrar-se campeão, à frente de Guangdong e Shaanxi.

Três destes golfistas locais puderam assim ganhar ritmo competitivo para o Open de Macau que se aproxima e terá lugar no relvado do “Country Club” de Coloane, entre 19 e 22 de Outubro.

“Apenas Hun Pui In não vai poder jogar porque tem que realizar exames académicos em Inglaterra naquela altura”, referiu João Senna Fernandes, para quem “o golfe em Macau está a melhorar no que diz respeito ao lançamento de novos valores, com jovens golfistas, de 15/16 anos, a subir de qualidade, podendo entrar na selecção principal já no próximo ano”.

O vice associativo considera entretanto fundamental, a introdução do golfe na lista de desportos das actividades de férias, “onde têm surgido alguns jovens que dão garantias de poderem evoluir num futuro muito próximo.”

 

Pavit defende título no Open de Macau

No que diz respeito ao Open de Macau, começam a surgir nomes para a competição deste ano e acaba de ser confirmada a presença do vencedor da edição de 2016, o tailandês Pavit Tangkamolprasert, que assim vem defender o título, depois de ter superado, no “play-off”, o indiano Anirban Lahiri em 2017.

O jogador de 28 anos fez declarações na página do Asian Tour, destacando a importância do torneio de Macau na sua carreira: “O triunfo em Macau foi o mais importante na minha carreira de golfista até esta altura e por isso estou muito satisfeito por voltar a competir no Open de Macau”.

O Instituto do Desporto, que volta a ser o principal responsável pela organização (e pelos custos da prova…) também já reagiu à vinda de Pravit, através do seu presidente Pung Weng Kun.

“Estamos contentes por ter de volta o vencedor do ano passado, que proporcionou excelentes momentos de golfe e impressionou pela sua qualidade. O Open de Macau proporciona uma única plataforma e oportunidade aos jogadores asiáticos que estão a despontar, preparando-se para defrontar alguns dos melhores jogadores de nível internacional”, realçou Pung Weng Kun.

Recorde-se que o Open de Golfe de Macau já não conta com o patrocínio do Venetian, que, desde 2012 vinha tendo como “sponsor” aquela concessionária do jogo, com aumento gradual do “prize money”, que em 2016 atingiu a soma de um milhão e 100 mil dólares americanos, o que colocava a prova do território já com nível médio de prémio financeiro global no calendário do Tour Asiático. Com o afastamento do Venetian, o “prize money” volta a baixar, cifrando-se agora em meio milhão de dólares.

O evento chegou a estar em dúvida, precisamente por falta de patrocinadores, mas o Instituto do Desporto confirmaria, há cerca de um mês, a continuidade do torneio, que decorre em Coloane desde 1998, com uma única excepção, em 2010, suspenso nesse ano igualmente por falta de patrocínios fortes.

 

* Jornalista