Pavit Tangkamolprasert venceu a edição passada do Open de Golfe em Macau
Pavit Tangkamolprasert venceu a edição passada do Open de Golfe em Macau

Com o fim do patrocínio do Venetian, o Instituto do Desporto volta a chamar a si a responsabilidade principal na organização do Open de Golfe de Macau. Apesar da confirmação, o calendário do “Asian Tour” ainda não contempla o evento da RAEM

 

Vítor Rebelo*

 

O Open de Golfe de Macau vai mesmo ter lugar em Outubro no relvado do “Country Club” de Coloane, como acontece desde 1998, com uma única excepção, em 2010, suspenso nesse ano por falta de patrocínios fortes. Essa possibilidade de nova paragem terá sido mesmo equacionada pela própria organização do evento, da qual o Instituto do Desporto (IDM) faz parte, mas a notícia da confirmação da realização do evento chega agora, a cerca de dois meses do arranque do torneio, agendado para Outubro, entre os dias 19 e 22.

“Está tudo confirmado, vamos continuar a ter o Open de Golfe, apesar de ter terminado o contrato de patrocínio com o Venetian”, disse ao Jornal TRIBUNA DE MACAU, uma fonte do IDM, que no entanto refere o corte substancial no “prize money”, ou seja, o prémio monetário total da competição:

“Face à dificuldade em garantir bons patrocínios, como substituição do Venetian, temos a necessidade de reduzir o prémio monetário, voltando aos números do passado, antes da prova ter no Venetian o principal sponsor”.

Ainda não há uma decisão tomada sobre o montante do “prize money”, mas não deverá andar muito longe de meio milhão de dólares americanos, valor estipulado na edição de 2011, um ano antes da entrada do Venetian como empresa que passou a dar o nome oficial ao Open, aumentando o prémio monetário, logo em 2012, para 750 mil dólares.

A partir daí, foi sempre a subir, com 100 mil de aumento anualmente, o que chegou à verba já considerável de um milhão e 100 mil dólares em 2016.

O torneio da RAEM passou a ter um estatuto completamente diferente, o que proporcionava uma maior atracção por parte dos golfistas, como aconteceu, na estreia do Venetian, com o convite feito ao credenciado britânico Ian Woosnam.

Esta é uma nova situação do Open de Golfe, que dá passos atrás no que toca ao “prize money” e à inclusão de “sponsors” de elevado potencial, mas pelos vistos não será para parar, pelo menos por enquanto, segundo a intenção do Instituto do Desporto, que volta assim a ser o principal responsável pela organização, ao lado da Associação Geral de Golfe de Macau, confirmando-o na sua página oficial e divulgando mesmo as datas.

No entanto, até ontem, o Asian Tour ainda não tinha incluído a competição do território no seu calendário anual, nem feito por isso qualquer referência nas habituais notícias da modalidade, ao contrário do que costumava acontecer em anos anteriores, com nomes de jogadores a serem divulgados.

 

Jogadores precisam de ranking

Não há por isso para já qualquer nome apontado para a edição de 2017, ficando muitas dúvidas relativamente ao nível dos atletas que irão participar no torneio.

“É claro que toda esta situação afecta a qualidade do torneio, mas mesmo com um prémio monetário inferior ao dos últimos anos, penso que não impedirá a vinda dos habituais golfistas, até porque eles têm interesse em jogar por causa da pontuação para o ranking”, disse o vice-presidente da Associação Geral de Golfe de Macau, João Senna Fernandes. O responsável foi outrora golfista do Open e está agora mais na rectaguarda, como dirigente ligado à formação da selecção do território, que vai receber, como é hábito, um “wild card” especial do Asian Tour, para jogar no Open de Macau, apesar dos elementos locais serem amadores, ao contrário dos restantes inscritos, todos profissionais.

A equipa da casa, orientada por Cliff Chan, deverá ser composta por quatro golfistas, ainda não totalmente confirmados, mas tudo apontando para que sejam os seguintes: Xiao Jei-Yu (29 anos), Tang Chak Hou (23), Si-Huang Yan (22) e Hun Pui-In (17).

Todos eles estão pré-seleccionados para participar nos Jogos Nacionais da República Popular da China, já no início de Setembro, de 2 a 5, na cidade de Tianjin.

É assim uma boa forma de ganhar mais ritmo de competição antes do Open, prova onde até hoje nenhum dos golfistas amadores locais conseguiu passar o “cut”, ou seja, qualificar-se para os dois últimos dias do torneio.

Na edição passada, o melhor da selecção da RAEM foi Xiao Jei-Yu, actual campeão de Macau, com 157 pancadas ao cabo das duas primeiras jornadas, deixando atrás de si oito adversários, três dos quais de Macau.

Outra das expectativas poderá recair no jovem Hun Pui-In, que em 2014, ainda com 14 anos, participou numa competição de juniores, nos Estados Unidos, em Beaumont, tendo terminado em trigésimo quinto, com 178 pancadas, entre 43 golfistas presentes.

Desta feita, o “miúdo” residente de Macau está a efectuar um estágio de dois meses no campo de férias da Academia de Golfe (AMG) nos Estados Unidos, como preparação para o Open da RAEM. “Este é um dos jogadores que tem mostrado uma boa evolução, mas há outros que temos vindo a incentivar e que começam também a aparecer em torneios de amadores. Podemos dizer que o golfe em Macau, no que diz respeito ao lançamento de novos valores, está a melhorar, com jovens golfistas, de 15/16 anos, a subir de qualidade, podendo entrar na selecção principal já no próximo ano”, sublinhou o vice-presidente da Associação, que considera fundamental a introdução do golfe na lista de desportos das actividades de férias, “onde têm surgido alguns jovens que dão garantias de poderem evoluir num futuro muito próximo.”

 

Juniores no Ásia Pacífico

No mesmo período em que quatro golfistas vão estar nos Jogos Nacionais, mais dois, um masculino e um feminino, dirigidos precisamente por Senna Fernandes, participarão, entre 30 deste mês de Agosto e 9 de Setembro, no Campeonato de Juniores Ásia Pacífico, que decorrerá em Hong Kong.

É este o panorama actual do golfe em Macau, que apesar das melhorias evidentes a nível de camadas jovens, ainda se debate com o problema dos campos. “Temos dificuldade em ter campos disponíveis para as nossas escolas. Treinamos com maior frequência no Macau “Golf & Country Club”, em Coloane, enquanto que no “Caesars Club” apenas utilizamos o “driving range” (campo de prática para tacadas de longe alcance)”, conclui João Senna Fernandes.

Quanto aos melhores golfistas do território, aqueles que vão estar presentes no Open de Outubro, esses treinam fora da RAEM, tentando subir na classificação da prova, embora seja praticamente impossível a passagem do “cut”, só ao alcance de profissionais e mesmo assim nem todos. São habitualmente eliminados cerca de 60, num conjunto de mais de uma centena de jogadores que iniciam a competição.

A edição de 2016 foi ganha pelo tailandês Pavit Tangkamolprasert, com 268 pancadas (arrecadou o prémio de 198 mil dólares), as mesmas do segundo classificado, o indiano Anirban Lahiri (121 mil dólares), só batido no “play-off” de desempate.

 

*Jornalista