Caldas e Farense, dois históricos do futebol português e “avis raras” destes quartos-de-final da Taça de Portugal, defrontam-se hoje no velho campo da Mata. O Cova da Piedade, adversário do Sporting, vai mesmo jogar “fora de casa”

 

Costa Santos Sr*

 

Antes da entrada na segunda volta da Liga, disputam-se os quartos-de-final da Taça de Portugal e, desde logo, com um embate curioso, entre o Caldas Sport Club e o Farense, dois emblemas que fazem parte da história do futebol português e que, em épocas não muito longínquas, escreveram páginas de glória no seu historial. Hoje, as duas equipas militam no Campeonato de Portugal, uma espécie de terceira divisão “à antiga” mas chegaram ao “quadro de honra” da Taça e uma delas passará às meias-finais porque se defrontam hoje no velhinho “Campo da Mata”, nas Caldas da Rainha, onde a Académica de Coimbra foi a última a “cair”.

Talvez por permitir que equipas das divisões inferiores possam ter mais uns momentos de glória é que a Taça de Portugal continua como prova de cunho popular. E ainda bem.

Porém, nesta coisa do futebol, hoje outros interesses se movimentam, outras apostas são feitas e, muitas vezes, na mira de captar maiores receitas, o bairrismo de outrora, a alegria de “obrigar” um grande a visitar a sua terra e jogar no seu “campinho”, naturalmente mais acanhado, menos luxuoso nos balneários, menos cómodo nas bancadas, já não existem por alguns lados. Como na Cova da Piedade, que deveria receber a visita do Sporting, segundo determinou o sorteio.

Logo no momento em que as “bolas” acasalaram as equipas, o representante do Cova da Piedade assumiu que “gostava de jogar no nosso campo, mas a SAD é que irá decidir”. E decidiu. Ao fim de algum tempo, talvez pesados os “prós e contras”, avaliadas as obras necessárias para receber a enchente de adeptos mais a comunicação social, incluindo as televisões – estas a necessitar de temperatura de luz para as filmagens, algo que, obviamente, seria preciso melhorar – os dirigentes do Cova da Piedade concordaram em jogar no Estádio do Bonfim, em Setúbal.

Sob o ponto de vista monetário, aceita-se a decisão. Não só pelo que poderá entrar nos cofres do clube como, e principalmente, pelo que não se gasta nas obras que tinham de ser feitas. Desportivamente, é mais uma vantagem para os “leões”, principalmente pelas dimensões do relvado – as máximas -, pela qualidade da relva e por permitir um maior número de apoiantes.

Cova da Piedade e Sporting vão medir forças a partir das 20:30 de hoje (04:30 da madrugada, em Macau), e embora seja desnecessário apontar o favorito importa lembrar que, na Taça, sempre surgiu um “tomba-gigantes”.

Em Vila do Conde, o novo reforço leonino, Rúben Ribeiro, faz o jogo de despedida com a camisola do Rio Ave, por desejo do seu treinador que quer todos os “trunfos” na mesa para chegar às meias-finais. O adversário – o Desportivo das Aves -, também aposta nessa meta e, por isso, não será difícil prever um jogo muito “quentinho”, óptimo para estes dias de frio que têm assolado Portugal.

O quadro dos quartos-de-final da Taça ficará completo amanhã com o Moreirense a receber o FC Porto.

 

Dois autogolos ditam derrota do Estoril

O Feirense arrecadou preciosa vitória (2-0) na visita ao Estoril-Praia, em jogo da 17ª jornada da I Liga portuguesa, com a particularidade, bem negativa, dos golos que lhes deram os três importantes pontos terem sido obtidos pelos dois defesas centrais estorilistas, Pedro Monteiro e Kyriakou que em lances infelizes introduziram a bola na própria baliza. O Portimonense deslocou-se a Paços de Ferreira e, já com menos uma unidade em campo conseguiu – via Nakajima – um empate a um golo e levar para o Algarve um ponto precioso. O Benfica já fez uma oferta de 3,5 milhões de euros por 50% do passe de Nakajima, tendo a proposta sido recusada pelos algarvios que, acrescente-se, só têm 20% do “passe” do japonês, embora com direito de preferência dos restantes 80%, na posse do Kioto.

 

*Jornalista profissional especialista em desporto