Houve festa na Vila das Aves, dez anos depois da última participação na Liga principal, mas o Sporting confirmou em campo o teórico favoritismo. Vitória por 2-0, fruto de dois golos de Gelson Martins, com muita coisa positiva

 

Costa Santos Sr*

 

Num primeiro jogo qualquer, a incerteza quanto ao valor real das equipas é normal, nomeadamente aquelas que fizeram uma pré-época menos mediática, sem jogos televisionados. Talvez por isso, Jorge Jesus tenha usado várias cautelas, naturalmente para não ser surpreendido: fez entrar uma linha média de alto gabarito – Adrien, William Carvalho, Bruno Fernandes e Acuña – principalmente para ter um meio campo capaz das várias funções que se lhe exige: primeiro muro defensivo, primeiro “motor” de ataque e engenho e arte para segurar a bola e determinar a velocidade do jogo.

E o primeiro quarto de hora foi isso mesmo: “apalpar” terreno, medir o pulso ao adversário e gizar a estratégia mais conveniente para chegar ao golo.

Manifestamente o Desportivo das Aves não tinha argumentos para mostrar, para impor respeito a cautelas. O momento mais claro dos 45 minutos iniciais, no que ao Aves diz respeito, aconteceu aos 21 minutos, com Braga a disparar forte, obrigando Rui Patrício a “voo” para desviar a bola para canto. E foi no seguimento deste pontapé de canto que surgiu o golo leonino: bola rechaçada pela defesa, chega a Acuña – o homem do jogo – que sem perda de tempo abriu larguíssimo para Gelson fazer o que muito bem sabe: tornear o defesa e rematar para um lado quando Adriano já estava lançado para o outro. Estavam passados 23 minutos de jogo e, até ao intervalo, com claro domínio territorial dos “leões”, muito embora disso não tirasse resultados práticos. Se o Desportivo das Aves não amedrontava o último reduto defensivo leonino, também o Sporting, algo lento nas transições (a excepção foi o lance do golo), deixava perceber como ia atacar e permitia que a defesa contrária se posicionasse de molde a “matar” os lances.

No segundo tempo, mais do mesmo: domínio absoluto do Sporting mas o espectro da magra vantagem a pairar. Se o Aves colocava em campo todo o seu poder, ao Sporting faltava velocidade de jogo, capacidade de desequilibrar.

Jorge Jesus viu o problema e mete em jogo Daniel Podence e, uns minutos depois, Battaglia. Estava encontrada a solução e em poucos minutos Adriano fez um punhado de grandes defesas e viu uma “bomba” de Acuña embater na barra.

Porém, aos 75 minutos, o corolário da superioridade verde-e-branca: cruzamento de Battaglia descaído sobre o flanco esquerdo, várias tentativas de alívios da defesa avense sem conseguir tirar a bola da sua área, acabando pelo último “toque” de Rodrigo colocar a bola na frente de Gelson Martins – na zona frontal – que agradeceu e marcou.

Acabou por ser uma vitória tranquila, sem necessidade de acelerar e uma série de bons apontamentos, de muitas soluções para Jorge Jesus. Mas de todos os elementos em campo, um em especial, deu nas vistas: Acuña. Facilidade de remate com o pé esquerdo, velocidade e sentido de jogo de equipa.

O Desportivo das Aves fez o que podia e fê-lo com dignidade. Lutou com as suas forças e capacidades, deu a réplica que podia dar. Dignificou o jogo. E quando assim é…

 

Setúbal empata com Moreirense

No outro jogo do dia, o Vitória de Setúbal recebeu o Moreirense e não foi além de uma igualdade a um golo. Cedo os sadinos se adiantaram no marcador (13 minutos) por Edinho, mas o Moreirense, agora orientado por Manuel Machado, nunca virou a cara à luta e desistiu da procura de outro resultado, coisa que aconteceu a sete minutos do fim (83) e já numa altura em que os donos da casa estavam reduzidos a dez elementos (cartão vermelho directo a Vasco Fernandes, aos 71).

Foi uma partida bem disputada, com oportunidades para ambos os lados. Se a finalização era certeira, estavam lá os guarda-redes para obstar ao êxito. Uma divisão de pontos que assenta bem pelo que cada uma das equipas fez.

 

*Jornalista profissional especialista em desporto