A selecção portuguesa de futebol joga hoje em Viseu, no velhinho Estádio do Fontelo, encravado na bela mata com o mesmo nome. Terá casa cheia no amigável com a Arábia Saudita, contando mesmo já com as bancadas amovíveis que foram montadas

 

Costa Santos Sr.*

 

Há nove anos – faria dez a 21 de Maio de 2018 – que a selecção nacional “A” não visitava terras de Viriato. Na última vez, fez um pequeno estágio, com Luiz Felipe Scolari no comando técnico. Hoje (04:45 da próxima madrugada em Macau), realizará um jogo de preparação com vista ao Mundial e, simultaneamente, um encontro de solidariedade para com as vítimas dos incêndios do último Verão.

E, como se esperava, já não há bilhetes há mais de três dias. Compreende-se: o Fontelo é um estádio que não pode ser “alargado” em circunstância alguma, principalmente porque a sua utilização normal é feita pelo Académico de Viseu, a competir na 2ª Liga e as assistências não chegam para ocupar um terço da sua lotação (6.800 lugares, já com as bancadas amovíveis).

Mas, este jogo da selecção principal e os objectivos que encerra acabaram por tornar o Fontelo num “campinho”!

Aliás, o cidadão anónimo, que agradece a mãos ambas este presente e quer aproveitar a oportunidade para ver em acção um grande número de campeões europeus, é directo na sua observação ou não fosse beirão: “o Estádio do Fontelo não reúne as condições mínimas para um jogo da nossa selecção. Pela qualidade do seu relvado, pela ‘frieza’ das suas bancadas, por tudo. Mas, é um misto de alegria e tristeza termos aqui o jogo. Alegria, por dez anos depois voltarmos a ter a nossa selecção; tristeza porque os motivos desta vinda são por demais conhecidos”.

Como a receita será doada na totalidade para auxílio das vítimas, é fácil fazer contas: emitidos 6.800 bilhetes ao preço único de 15 euros, dará um total bruto de 102.000 euros. Não é muito, mas onde chegar, ajuda.

Amigável, mas não muito

Neste jogo não há pontos em disputa, nem classificações como objectivo, mas, como em tudo, ninguém gosta de perder, mesmo que a “capa” de “amigável” envolva os normais 90 minutos de jogo.

A Arábia Saudita chegou cedo a Portugal e desde terça-feira que está a preparar o jogo na Cidade do Futebol. Tal como a selecção nacional, mas em campos distantes um do outro.

Do lado português, as oito caras novas chamadas por Fernando Santos (Gonçalo Paciência, Bruno Fernandes, Rony Lopes, Bruma, Edgar Ié, José Sá, R.Ferreira e K. Rodrigues) são, claramente, apostas de futuro. Isto é, são “sementes” lançadas olhando numa “colheita” para além do Mundial da Rússia.

Quanto aos “habitués”, os desejos – embora expressos por dois ou três – são comuns a todos: lutar por uma presença na selecção nacional, trabalhar de molde a assegurar ao seleccionador a garantia da qualidade necessária para uma presença no Mundial. E, por isso, nestes jogos ditos de preparação o pensamento aponta para a vitória, respeito pelo adversário e mostrar todo o valor da equipa.

João Mário, por ser pouco utilizado no seu clube, assumiu entretanto que pensa poder mudar de ares em Janeiro. “Quero estar no mundial e preciso de ser mais utilizado. Ainda falta algum tempo, mas na janela de mercado, em Janeiro, verei o que será melhor para mim”.

Já Bernardo Silva não escondeu a mágoa de ter falhado o Europeu e aposta no desejo de estar no Mundial: “Espero estar presente na Rússia e, para isso, vou dar o meu melhor para merecer a confiança do seleccionador”.

 

*Jornalista profissional especialista em desporto