Cova da Piedade criou muitas dificuldades aos leões
Cova da Piedade criou muitas dificuldades aos leões

Num jogo de “loucos”, o Aves eliminou o Rio Ave, enquanto o Caldas afastou o Farense no prolongamento. No Bonfim, o Cova da Piedade fez suar os “leões” na luta pelas meias-finais da Taça de Portugal

 

Costa Santos Sr*

 

A Taça de Portugal é a festa do povo e, quando os seus intervenientes arregaçam as mangas e resolvem dar espectáculo, salta toda a beleza do futebol, toda a caixa de emoções que faz parte do resultado de um jogo.

Em Vila do Conde, num confronto entre equipas do primeiro escalão, o Rio Ave chegou aos 3-1 aos 75 minutos e a dois minutos do fim mantinha essa vantagem, que garantia o passaporte para as meias-finais. Mas, “esqueceu-se” do Desportivo das Aves. Melhor, pensou que o adversário, vergado à diferença de dois golos perto do apito final, já não teria força física e anímica para inverter as coisas e, no mínimo, forçar ao prolongamento.

Os vila-condenses abrandaram o ritmo do seu jogo, tornaram-se algo displicentes, foram no “engodo” do adversário em subir no terreno, mas esqueceram-se – e isso não é de agora – que esta equipa de Lito Vidigal é exímia nas transições rápidas, tem potencial técnico para usar o contra-ataque como arma mortífera e gente com talento para o remate final. Foi o que aconteceu. Em dois minutos, dois golos colocaram o marcador numa igualdade a três golos! No prolongamento, apesar da chuva copiosa, ninguém arredou pé. E aos 105’, a “cambalhota”: nova transição rápida e Arango a não falhar. Mas, nove minutos depois, o recém-entrado Gelson Dala (na estreia, acabadinho de chegar de Alvalade), voltou a restabelecer a igualdade no marcador: 4-4. Só as grandes penalidades desempataram, com o Aves a festejar: 5-4.

Nas Caldas da Rainha, entre equipas do Campeonato de Portugal, Caldas e Farense também só definiram no prolongamento a passagem às meias-finais. Depois de 2-2 no tempo regulamentar, o golo histórico, que apurou o Caldas e colocou em delírio o Campo dos Arcos repleto, surgiu aos 115’ para uma festa que a cidade já não sentia há umas boas dezenas de anos!

 

Sporting obrigado a… jogar!

Jorge Jesus tinha avisado: “É um jogo muito complicado, porque é um só jogo a eliminar”. E foi. Mas, complicado porque o Sporting “deu 45 minutos de avanço”, isto é, entrou lento de processos e vazio de ideias. O Cova da Piedade estava mais do que motivado e fez pela vida, (diga-se que enviou duas bolas à barra de Rui Patrício!) organizou-se muito bem em campo, procurou anular os espaços onde o adversário pudesse jogar – e conseguiu-o!. Fundamentalmente, “deu” bola aos “leões”, “deixou-os” ter domínio territorial, mas não lhes deu ordem para entrar na sua área e rematar como bem sabem.

Por isso, só no segundo tempo se viu “pitada” de futebol. E, também aí, depois do golo de Bruno Fernandes – com tabela num defesa – e sem nada a perder, o Cova da Piedade subiu no terreno e restabeleceu a igualdade aos 58’, na transformação de uma grande penalidade. Houve quem se admirasse com tal reacção, mas seguramente que não quem viu o jogo. Nesta altura já Jorge Jesus tinha chamado o “peso-pesado” Bas Dost, claramente em necessidade absoluta para resolver o “problema”. E resolveu. Aos 78’, lá estava o holandês a colocar a bola no fundo da baliza dos “piedenses”, que ocupam a 13ª posição na classificação da II Liga. Quando o árbitro Rui Costa apitou para o fim, muita gente respirou de alivio. Isso quer dizer alguma coisa…

 

*Jornalista profissional especialista em desporto