Nicholas Torrão apontou o primeiro golo do Benfica frente ao Kei Lun
Nicholas Torrão apontou o primeiro golo do Benfica frente ao Kei Lun

O sorteio da Taça da Confederação Asiática de Futebol realizou-se ontem em Kuala Lumpur e colocou o Benfica de Macau no Grupo I. Os tetra campeões do território vão encontrar pela frente o 4.25 SC, da Coreia do Norte, Hang Yuen, de Taiwan, e o vencedor de um dos “play-offs” da competição. Os jogos começam em Março

 

Vítor Rebelo*

 

Esta é a terceira vez que o Benfica de Macau participa na segunda prova mais importante a nível de clubes da Confederação Asiática de Futebol, depois das experiências de 2015 e 2016, primeiro com Bruno Álvares como treinador e depois já com Henrique Nunes a liderar o plantel.

Por razões ainda não totalmente esclarecidas (talvez nunca venham a ser…) e que, oficialmente, segundo a Associação de Futebol de Macau, tiveram a ver com “mal entendidos burocráticos” no contacto com a Confederação Asiática, o Benfica não teve acesso à AFC Cup na edição de 2017, regressando agora pela “porta grande”, ou seja, entrando directamente na fase de grupos.

O sorteio de ontem, realizado ao princípio da tarde na sede da Confederação, na capital malaia, não apresentava muitas opções para o clube “encarnado”, uma vez que o sistema de colocação das equipas tem a ver com a sua situação geográfica.

Como na Ásia Oriental são poucos os países ou regiões com clubes nesta prova, já que Japão, Coreia do Sul, China e Hong Kong não participam, ao Benfica restava-lhe apenas aguardar pelos nomes dos adversários, que são agora conhecidos: 4.25 SC, da Coreia do Norte, cuja tradução é 25 de Abril, Hang Yuen, de Taiwan, e o vencedor do “play-off” entre uma outra formação da Coreia do Norte e o Erchim da Mongólia.

Mesmo sabendo-se que o ranking do futebol da Coreia do Norte, de Taiwan ou da Mongólia é semelhante ao de Macau, prevêem-se dificuldades para o Benfica, em especial na deslocação (que podem até ser duas, se a segunda equipa norte-coreana vencer o “play-off”), à Coreia do Norte.

“As equipas da Coreia do Norte são habitualmente muito fortes fisicamente e por isso esperemos que nos calhe apenas uma e a outra seja da Mongólia. Se assim for, e juntando a de Taiwan, penso que teremos mais hipóteses de discutir os primeiros lugares. Mongólia e Taiwan são efectivamente mais acessíveis”, começou por dizer ao JORNAL TRIBUNA DE MACAU o avançado do Benfica, Nicholas Torrão, que participou nas duas campanhas anteriores, assinaladas com golos.

O jogador português considera que, mesmo sabendo-se que não será fácil com qualquer uma das três equipas do grupo, “o Benfica entra sempre para ganhar”. “E é com esse espírito que iremos estar nesta fase de grupos da Taça AFC, pelo menos para ir o mais longe possível”, garantiu.

Há para já pouca informação sobre os adversários das “águias”, mas, segundo referiu Nicholas Torrão, “isso será alvo de trabalho de casa, nosso e do treinador”.

 

Valorizar o futebol de Macau

A confirmação da presença de uma equipa de Macau (poderiam ser duas se o Monte Carlo se tivesse inscrito para o “play-off”, como segundo classificado da última Liga de Elite), é entendida como mais uma grande oportunidade para mostrar algum desenvolvimento que tem havido no futebol de Macau.

“Esta oportunidade é o máximo que se atingiu até hoje, a nível de clubes e talvez o primeiro passo, o primeiro teste, para valorizar o futebol da RAEM, levando mais adeptos ao estádio. Será bom que olhem para o Benfica, não só como um clube que está na competição, mas como uma representação de todo o futebol de Macau e como resultado do esforço que tem sido feito nos últimos anos. Temos de mostrar que vale a pena o investimento”, sublinha Nicholas Torrão, que reconhece, em termos de plantel e face à lesão com prolongada ausência de Filipe Duarte, “a necessidade da equipa ter jogadores experientes, mantendo a base das últimas temporadas e que tem sido a chave do sucesso, só esperando que o Filipe recupere depressa, porque o nosso “patrão” faz falta.”

Na cerimónia do sorteio, o Benfica fez-se representar pelo principal responsável pela área financeira do clube e pelo departamento de futebol, Duarte Alves, e ainda pelo novo director de comunicação, João Varela, que é uma das determinações/exigências da Confederação Asiática na estrutura de organização dos jogos, principalmente em casa, desta Taça AFC.

No que diz respeito ao nível dos adversários, Duarte Alves diz conhecer pouco, “mas as informações irão chegar”.

Mas um dos principais objectivos a atingir com esta nova presença na Taça AFC é levar o nome de Macau ao mundo do futebol, neste caso a nível asiático, como diz o dirigente: “Acredito ser uma oportunidade única para, no futebol, pôr o nome de Macau no mapa. Mostrar que temos diversificação suficiente para ter uma boa representação no mundo do futebol. Esta Taça AFC tem uma exposição bastante grande e nós queremos aproveitá-la, levando mais gente aos estádios, como acontece na Europa. Tentar criar um ambiente de festa à volta destes três jogos que vamos realizar em casa”.

Em termos de organização, diz Duarte Alves, “será um novo desafio que estamos dispostos a enfrentar, depois da experiência que tivemos nas edições anteriores em que actuámos no Quirguistão.”

 

Plantel com alterações

O Benfica terá possibilidade de se preparar da melhor maneira para estes jogos internacionais, uma vez que a primeira jornada só irá decorrer a 6 ou 7 de Março, numa fase de grupos que terminará a 16 ou 17 de Maio.

“Na próxima semana já se deverá haver notícias mais concretas sobre o plantel e a composição da equipa técnica”, refere Duarte Alves, numa altura em que continuam os contactos com Henrique Nunes, para que o português faça a terceira época consecutiva à frente da equipa.

Sabe-se que terá de haver alterações em alguns sectores, em especial no eixo da defesa, face à lesão de Filipe Duarte e à saída de Bernardo Marques.

O Benfica pode utilizar três estrangeiros e mais um asiático e no final da época passada, os jogadores estrangeiros eram Jonathan Batista, Alison Brito, Bernardo Marques e Marco Meireles, tendo estes dois últimos abandonado o plantel.

“Temos vindo a reduzir os estrangeiros, com o objectivo de ter cada vez mais elementos locais e de assim podermos utilizar praticamente todo o plantel na Taça AFC, que assim dará oportunidade a todos os jogadores. Estamos já a trabalhar para ter a melhor equipa possível, sabendo que esta presença na fase de grupos vai obrigar a uma gestão diferente, de rotatividade do plantel, uma vez que teremos dois jogos por semana, um para a Liga de Elite e outro na Taça AFC”, conclui Duarte Alves.

O Benfica só vai conhecer o terceiro adversário na segunda semana de Fevereiro, mês em que se realiza o “play-off” entre o Hwaepul SC (vice campeão da Coreia do Norte) e o Erchim (campeão da Mongólia), começando então em Março a fase de grupos, que ontem à noite ainda não tinha o escalonamento das seis jornadas que se irão efectuar até Maio.

 

* Jornalista