O seleccionador português, Fernando Santos, justificou a convocação de novos jogadores para os amigáveis com Arábia Saudita e EUA com a intenção de “fazer as melhores escolhas” para o Mundial de 2018. Gonçalo Paciência foi chamado para substituir o lesionado Éder

 

Costa Santos Sr.*

 

Esta paragem da Liga portuguesa para dois jogos de preparação da selecção nacional, com vista ao Mundial permite também que se alargue a reflexão necessária à vantagem do lançamentos de novos jogadores, naturalmente com capacidade para, num futuro mais ou menos próximo, poderem assumir as responsabilidades de representar o país.

É que vai longe o tempo em que um jogador “pegava de estaca”, para usar a expressão que se aplicava ao elemento novo numa equipa, e com produção qualitativa e quantitativa de “top”. Hoje, com maiores possibilidades de escolha, e um trabalho de base a roçar a perfeição, surgem grandes jogadores com futuro promissor, que podem provar, ou não, quando chamados a grandes palcos. Por isso, esta chamada de Fernando Santos vem, a nosso ver, na hora exacta, porque há tempo para “testes” e o peso do título europeu exige qualidade no próximo Mundial.

Aliás, em tom de justificação, Fernando Santos disse porque chamou estas “caras novas”: “Vamos observar com atenção alguns jogadores. Seguimos uma linha programada por nós, no sentido de abrangência global de análise de jogadores. Nesta convocatória, há ausências por razões diferentes, uns por opção e outros por lesão. Vamos aproveitar para, em treino e em jogo, analisarmos alguns jogadores”.

À última hora, Éder – o herói do Europeu – surgiu lesionado e, dentro da mesma linha de conduta, Fernando Santos chamou Gonçalo Paciência, o avançado do Vitória de Setúbal. Não é uma novidade, mas é uma promessa. Mais um para observar…

“A selecção nacional é um espaço aberto e cabe-me, enquanto seleccionador, avaliar os jogadores o melhor possível, no sentido de fazer as melhores escolhas nos 23 para o Mundial”, acrescentou o seleccionador.

As escolhas para estes “testes” não resultaram de mero acaso ou disponibilidade, mas de um critério simples. “Pareceu-nos importante ter algum contacto com o futebol asiático (o que raramente temos) e, igualmente, com o futebol da América do Norte. Por isso o promovemos nesta data, a nosso ver ideal para isso. Já na próxima concentração, o perfil que iremos escolher assentará no perfil dos adversários que nos calharem no sorteio do dia 1”, disse Fernando Santos.

No fundo, todo este trabalho – e o que foi feito até aqui – visa, naturalmente, uma boa prestação lusa no Mundial de 2018, na Rússia. Nem outra coisa seria de esperar de uma estrutura que há pouco mais de um ano trouxe para Portugal o seu primeiro título europeu. Para a Rússia não há promessas, mas a certeza dada pelo seleccionador de “lutar pela vitória e, se possível, dar mais uma grande alegria aos portugueses”.

 

Solidários com vítimas dos incêndios

No drama dos incêndios, uma desoladora paisagem emergiu desses dias de pânico e desgraça um pouco por todo o país, mas muito mais intensamente na Zona Centro (do litoral ao interior, até à raia), precisamente nos distritos, onde agora a selecção nacional vai realizar os seus dois jogos: Viseu e Leiria, respectivamente frente à Arábia Saudita (dia 10) e Estados Unidos (dia 14). Naturalmente que Coimbra ficará para mas mais tarde.

Esta atitude da Federação – que teve muito da vontade de Fernando Santos – estende-se também à doação total das receitas e, pela primeira vez na história da televisão portuguesa, à transmissão dos jogos pelos três canais generalistas.

Diga-se, em apontamento, que Fernando Santos tem familiares na Sorgaçosa, uma aldeia do Concelho de Arganil onde arderam várias casas, incluindo a do avô do seleccionador.

 

*Jornalista profissional especialista em desporto