Danilo Lins passou por vários clubes brasileiros
Danilo Lins passou por vários clubes brasileiros

O clube de Steven Chow volta a ser candidato ao título, mas este ano com outros argumentos, principalmente ao nível de atacantes. Danilo é o mais recente reforço, que se vai juntar às novidades Denilson, Alexandre Matos, Adilson Silva e o japonês Saito

 

Vítor Rebelo*

 

Não há fome que não traga fartura, lá diz o povo e com razão num ditado popular que se aplica na perfeição ao Chao Pak Kei (CPK), que na época passada não tinha um único avançado nato que pudesse fazer a diferença e vai agora começar a Liga de Elite 2018 com três, todos com capacidade para ganhar um lugar cativo no “onze” orientado por Ignacio Hui.

O “manager” do CPK, Steven Chow, decidiu “abrir os cordões à bolsa” e ao sexto ano de permanência na I Divisão, depois da subida em 2012, o investimento atinge montantes nunca vistos, numa tentativa de finalmente chegar ao título.

Pode mesmo dizer-se que o CPK é a equipa da Liga de Elite que mais engordou o orçamento, no que diz respeito ao plantel, com a compra de vários jogadores para o sector atacante, considerado como a principal lacuna das últimas temporadas.

Alexandre Matos (jogador com estatuto local que estava a jogar numa equipa dos distritais em Inglaterra) e os brasileiros Denilson (ex-Kei Lun) e agora Danilo Lins (vem directamente do Brasil), irão certamente dar outra capacidade ao conjunto onde já pontificam há vários anos outros brasileiros, como Diego Patriota e Bruno Figueiredo.

E há ainda mais um estrangeiro, o japonês Saito, centro-campista, a que se junta Adilson Silva (ex-Kei Lun), jogador com estatuto local que dispensa apresentações e que será também uma mais valia no “miolo”.

O ponta-de-lança Danilo Lins, de 31 anos, estava ao serviço do Glória de Vacaria, depois de ter passado por clubes como Náutico, Guarani, Ipiranga, Resende, Mogi Mirim, Remo, Madureira. “Venho essencialmente para ajudar a equipa a ser campeã e espero poder marcar muitos golos, é para isso que aqui estou”, disse o dianteiro que já actuou na Argentina (San Martin de San Juan, em 2009) e no Bahrain (East Riffa, em 2010).

Danilo diz não conhecer nada do futebol de Macau: “Desconhecia este futebol e por isso a expectativa é grande”.

Os três novos avançados, poderão ganhar um lugar no “onze”, numa equipa que oferece muito maiores opções aos técnicos, comandados por Ignacio Hui. No que respeita aos treinadores, os dirigentes do CPK apostaram também num brasileiro, Fernando Sales, cuja função na equipa é semelhante a um adjunto, mas com quase total poder para orientar as sessões de treino.

“De facto a minha função não está ainda totalmente determinada, mas o certo é que fui convidado para ajudar a orientar, em especial no trabalho ao longo da semana, pertencendo depois ao Ignacio o comando principal nos jogos. O fundamental é que estou aqui para ser mais um a ajudar a construir uma boa equipa, para chegar ao objectivo de ser campeão”, disse ao JORNAL TRIBUNA DE MACAU Fernando Sales, técnico com vasta experiência em clubes fora do Brasil.

“Estou há 15 anos em clubes estrangeiros, alguns deles da Ásia, como o Persijao da II Divisão da Indonésia, o último que representei”, sublinha Fernando Sales, que esteve já na Tailândia, Myanmar, onde foi campeão pelo Manori, Polónia, Espanha e Inglaterra, quase sempre em clubes de escalões secundários.

O brasileiro diz ter-se actualizado em relação ao futebol de Macau “que praticamente não conhecia” e sabe que o CPK entra sempre como candidato, mas não tem conseguido o seu objectivo, “o que espero possa acontecer este ano, uma vez que temos um plantel equilibrado e bastante competitivo”.

 

Plantel mais forte

Relativamente a outras entradas, o CPK foi buscar ao Ka I o lateral esquerdo Lei Ka Hou e contratou o guarda-redes Hang Ling, que se vai juntar a Lo Weng Hou.

Permanecem o central paraguaio Ronald Cabrera, de grande influência também pela sua polivalência, descendo com frequência à área adversária para marcar golos e elementos locais de etnia chinesa como Choi Chan In, Kam Chi Hou, Lam Ka Seng, Leong Tak Wai.

As principais saídas são Vítor Almeida (pelos vistos até esta altura está sem clube…), Pedro Pereira, Lucas Calixto, Pedro Tong, Vinicius Kameya.

“Penso que a equipa está de facto mais forte com a chegada dos novos jogadores e também pela entrada do treinador Fernando, que pode constituir um elemento agregador das ideias dos chineses, colocando-as em prática no jogo da equipa. Nos outros anos o pensamento era o mesmo, só que agora mentalmente o Chao Pak Kei parece francamente melhor”, refere Diego Patriota, esquerdino que terá talvez agora menos preocupações atacantes, podendo distribuir jogo para os homens mais à sua frente, o mesmo acontecendo com Bruno Figueiredo e Adilson Silva.

 

* Jornalista