As duas competições, I e II Divisão, deverão arrancar na terceira semana deste mês de Outubro. Os clubes já foram informados e sabem que não haverá subidas ou descidas. É apenas um torneio de substituição da “Bolinha”

 

Vítor Rebelo*

 

Havia ainda alguma expectativa por parte dos clubes de que esta prova pudesse ter regulamentos iguais aos da “Bolinha”, dando a possibilidade de pelo menos haver subidas ao escalão principal. Isto porque algumas equipas apostaram forte na temporada da “Bolinha” e que agora vêem gorar-se as ambições de subida, uma vez que foi cancelado o campeonato de futebol de sete, em virtude da indisponibilidade do Campo D. Bosco.

Durou bastante o impasse à volta da realização ou não da “Bolinha”, seguindo-se outro, relativamente a um torneio de substituição, organizado com o objectivo de dar competição aos clubes dos dois escalões.

Aos poucos tudo vai ficando definido, sabendo-se que a I Divisão do torneio vai ter lugar no Campo do Canídromo, onde serão feitas marcações próprias de um recinto de “Bolinha”, “para ser o mais parecido possível”, como refere Daniel Sousa, vice-presidente da Associação de Futebol de Macau.

Datas concretas de início ainda não há, “mas tudo aponta para que as provas comecem na terceira semana deste mês de Outubro”. Se não houver desistências, as 16 equipas da I Divisão da “Bolinha” continuarão a ser divididas em dois grupos, jogando todos contra todos, com os dois primeiros de cada série a seguirem para as meias-finais. O esquema já estabelecido também para a II Divisão deverá permanecer, mas tudo vai depender da aceitação ou não das equipas.

“Confirmo que vai mesmo para a frente a realização de um torneio de futebol para substituir o campeonato de Bolinha e já informámos os clubes através do nosso site, que têm agora alguns dias para aceitar ou não a participação”, diz o dirigente associativo, adiantando que “os clubes serão reembolsados da taxa paga para a Bolinha e não terão de pagar qualquer verba de inscrição para este torneio, tendo apenas de assinar uma declaração em como aceitam jogar”.

O período de inscrição vai decorrer até à próxima terça-feira e depois disso é que se saberá o número de clubes dispostos a participar.

Se os 16 inscritos na “Bolinha” da I Divisão forem os mesmos para este novo torneio, fará sentido que o escalonamento dos grupos se mantenha, mas a última palavra caberá à Associação de Futebol.

Se assim for, teríamos no Grupo A Sporting, Obra Social da Polícia, Ching Fung, Keng Seng, Lam Pak, Chiba, Sub 23 e Kei Lun. O Grupo B juntaria Kin Wa, Ka I, Benfica, Lun Lok, Polícia, Night Walker, Monte Carlo e Chong Wa.

Esta será assim, atendendo a que a Bolinha está definitivamente cancelada para este ano, uma razoável alternativa para que as equipas, tanto da I como da II Divisão, tenham actividade antes de começarem a pensar no “bolão” e concretamente na Liga de Elite. Toda a gente está por isso à espera de saber os verdadeiros detalhes do torneio, aguardando com ansiedade o seu início, até porque as equipas estão já a treinar, depois de um período de pausa em que não era possível encontrar recintos, na fase pós-passagem do tufão Hato.

Nos bastidores do futebol de Macau fala-se em momentos complicados por que estão a passar vários jogadores contratados para participarem no campeonato de “Bolinha”, mas pagos por jogo. A situação foi-se agravando à medida que se mantinha a indecisão sobre a “Bolinha” e poderá agora finalmente resolver-se com os desafios do torneio, mas resta saber se os dirigentes abrirão os “cordões à bolsa” da mesma maneira que o iriam fazer para a competição do D. Bosco.

 

Adriano deixa o Sporting

O Sporting, um dos clubes que mais se reforçou e onde havia uma expectativa grande em relação à “Bolinha”, é talvez por isso um exemplo de frustração pelo cancelamento do campeonato, levando já à saída do plantel de um dos seus jogadores estrangeiros, o brasileiro Adriano, conhecido por Adrianinho, irmão de Alex Carioca, que seria pago por cada jogo que realizasse.

“A situação tornou-se insustentável para ele e já abandonou Macau. Estava frustrado com todo este impasse e decidiu desistir”, disse José Reis, membro da Comissão de Gestão do Sporting, ao JORNAL TRIBUNA DE MACAU.

Os “leões” deverão em princípio dizer sim ao torneio. “Claro que estamos interessados, se de facto a competição for semelhante à Bolinha. A equipa está a treinar normalmente”, sublinha o também director da recém lançada escola de formação dos “verde-brancos”.

José Reis confirma a grande desilusão do cancelamento da “Bolinha”: “A equipa está muito decepcionada com tudo isto. Estávamos prontos, disponíveis para começar a jogar, tínhamos um plantel competitivo e nunca deixámos de treinar. O cancelamento da ‘Bolinha’ cria naturalmente um grande incómodo, não só para os jogadores, mas igualmente para o clube. Andamos há mais de dois meses a preparar a temporada do futebol de sete, com despesas consideráveis, como aluguer de campos, compra de equipamentos, dois conjuntos novos, impressão de nomes e números, compra de botas, enfim, uma série de despesas.”

Sobre a situação provocada pelos estragos do tufão Hato no Campo D. Bosco e de tudo o que se foi passando posteriormente, o dirigente “leonino” fala em diálogo inexistente com os clubes. “O que mais me entristece no meio de tudo isto é a falta de diálogo com os clubes. Nunca a Associação se interessou em perguntar se tínhamos sugestões para tentar resolver o problema. O problema era os vidros no sintético, certo, mas será que uma centena ou mais de pessoas, durante duas ou três horas, não seriam capazes de limpar o campo todo? E porque não a vinda de um sintético novo, que viria rapidamente da China, com custos que talvez não ultrapassassem os dois milhões de patacas. Os clubes, associados e a razão da existência da Associação de Futebol, poderiam ter sido ouvidos como parte da solução. Foi um desrespeito para connosco”, conclui José Reis.

Aguardam-se agora mais detalhes sobre o torneio que vai substituir o campeonato da “Bolinha”, com o escalão principal a jogar no Campo do Canídromo e a II Divisão no Centro de Hóquei, junto ao Estádio da Taipa, com a possibilidade de ali se realizarem dois jogos em simultâneo, sendo igualmente necessário fazer marcações especiais no piso.

“O novo piso sintético do Centro de Hóquei está praticamente concluído, o que vai permitir, com a colaboração do Instituto de Desporto, a realização do torneio do segundo escalão, mas ainda não está decidido que se efectuarão duas partidas ao mesmo tempo. Estamos a analisar, mas tudo vai depender do número de clubes que se inscrevam”, referiu o número dois do elenco directivo da Associação de Futebol, Daniel Sousa.

 

* Jornalista