O Mónaco garantiu ao apuramento para os quartos de final da Liga dos Campeões de futebol após anular a desvantagem de dois golos frente ao Manchester City. Na recepção ao Bayer Leverkusen, o Atlético Madrid geriu a eliminatória e confirmou o apuramento

 

Costa Santos Sr*

 

Dois golos de desvantagem mas três marcados no terreno do adversário, davam uma réstia de esperança aos monegascos para, no seu Estádio Louis II, conseguirem um feito há muito não alcançado: chegar aos quartos-de-final da “Champions”, “misturar-se” com Bayern de Munique, Juventus, Atlético de Madrid, Real Madrid, Barcelona, Leicester e Borussia Dortmund!

E conseguiram, depois de 90 minutos de muita entrega, inteligência no desenvolvimento do seu jogo e eficácia na finalização, e graças  a um Manchester City que “se pôs a jeito” numa primeira parte que parecia não ter ideias de ataque, sendo que se marcasse um golo primeiro, seguramente que faria ruir muitos sonhos da equipa francesa treinada por Leonardo Jardim e onde alinham João Moutinho e Bernardo Silva. O City entreteve-se com trocas de bola na sua zona intermédia, incapaz de se desenvencilhar do espartilho que o adversário impunha – pressão alargada e logo iniciada na área inglesa – a perder passes e mais passes, a não conseguir ganhar as “segundas bolas”, enfim, exactamente a colocar-se “a jeito” para tudo quanto o Mónaco pretendia.

Nem mesmo com o golo “madrugador” de Mbappe, aos 8 minutos, Pepe Guardiola mudou de estratégia. Se pensava jogar no nervoso miudinho do adversário, na ansiedade que poderia advir do desejo de ganhar, errou rotundamente. Na verdade, a equipa de Leonardo Jardim não abdicava de jogar rápido, de se acercar da área contrária, mas sempre com disciplina táctica, com a consciência de que sabia muito bem o que estava a fazer!

Talvez possamos dizer que teve uma surpresa – agradável, é verdade – com que não contava: a passividade dos “citizens”, o seu jogo previsível e, por isso, de fácil “destruição”.

Se o aviso dado aos oito minutos não fez “acordar” ninguém, também o segundo golo – que já dava vantagem no cômputo dos dois jogos e por força dos golos marcados fora – não fez mexer um nervo sequer.

No banco, Guardiola esbracejava, tentava alertar as “massas” mas estas não o ouviam. Pelo menos, não colocavam em campo qualquer mudança de comportamento.

No segundo tempo, deram um pouco mais de velocidade no jogo, mais atenção aos passes, às tais segundas bolas mas sem nunca mostrar querer assumir a resolução do problema. O Manchester City subiu mais as suas linhas, jogou muito mais tempo no meio-campo contrário só que, aqui, face ao posicionamento defensivo dos monegascos, não havia espaço, linhas de passe, nesgas por onde pudesse surgir a abertura capaz de proporcionar o remate certeiro.

O golo inglês aconteceu aos 70 minutos. Um lance (dos poucos que construiu) “à inglesa”: passe largo para o flanco direito do ataque, três passes para a entrada da área e cruzamento. O guarda-redes monegasco desviou, mas Sane fez a recarga vitoriosa.

Porém, a previsibilidade dos lances voltou a colocar o Mónaco na “calha”. Era a noite da fé de Jardim. Sem perder norte ao jogo, sem baixar os braços, chegou ao golo que voltava a colocar os monegascos no trilho dos “vip”: livre do lado direito do ataque francês e bola colocada na cabeça de Bakayoko que desferiu uma bomba indefensável pela colocação da bola e pela “violência” da cabeçada!

O resto foram 14 minutos de concentração total dos donos da casa e desespero inglês.

No outro jogo, o Atlético de Madrid empatou a zero, resultado suficiente para garantir o acesso aos quartos-de-final.

Sepois da vitória em Leverkusen (4-2), só um milagre – e dos grandes – colocaria o Atlético de Madrid em situação complicada. Esperava-se uma reacção alemã como que “marcando a honra” do seu futebol e, de facto, isso aconteceu. Mas, o Atlético estava seguro e não necessitava minimamente de correr riscos ou de se aventurar. Jogou pelo seguro. Tentou o que tinha que tentar, fechou-se como devia e não marcou golos mas também não os sofreu.

 

Sorteio “aberto” nos quartos-de-final

O sorteio dos quartos-de-final da Liga dos Campeões realiza-se hoje na sede da UEFA em Nyon (Suíça), a partir das 12 horas locais (19 horas em Macau). Este sorteio será “aberto”, isto é, não vai ter os chamados “cabeças de série” e, por isso, poderão defrontar-se equipas da mesma Federação. A Espanha tem três equipas – Real Madrid, Barcelona e Atlético de Madrid – a França está representada pelo Mónaco, a Inglaterra pelo Leicester, a Itália pela Juventus e a Alemanha pelo Bayern de Munique e Borussia Dortmund. A equipa sorteada em primeiro lugar disputará a 1ª mão (a 11 ou 12 de Abril) em “casa e os jogos da segunda mão realizar-se-ão a 18 e 19 de Abril.

 

 

* Jornalista profissional especializado em desporto