Um menor investimento por parte de equipas como o Sporting e o Ka I elevam a confiança do Benfica de Macau, que vai tentar voltar a ser campeão da Liga de Elite e chegar mais longe na Taça de Macau. A equipa lamenta o afastamento da Taça AFC, da Confederação Asiática de Futebol, com o director e o treinador a tecerem críticas à conduta da Associação de Futebol de Macau por ainda não ter dado ao clube qualquer esclarecimento

 

Inês Almeida

 

O treinador do Benfica de Macau acredita que a equipa é uma óbvia “candidata ao título” prometendo um “espírito de conquista”, procurando ganhar todos os jogos. Mostrando-se satisfeito com o plantel, Henrique Nunes refere que a equipa tem “mais qualidade este ano do que no ano passado”. “A direcção queria ir buscar mais jogadores locais e acabámos por fazê-lo. Podemos ajudá-los a crescer mas eles vão também ajudar-nos a ter mais soluções do que aquelas que tínhamos no ano passado”, disse ontem o técnico, na sessão de apresentação do plantel para a nova época.

“O Marco [Meireles] e o Bernardo [Marques] são jogadores que regressaram. Acabámos por perder o Filipe Aguiar mas, de qualquer forma, apostámos forte nos jogadores locais e temos o Rafa, Pang Chi Hang, Lei Ka Man e Ethan Lei, que são jogadores que têm uma qualidade acima da média para os padrões do futebol de Macau” e que “podem evoluir mais connosco porque somos uma equipa que, por princípio, treina todos os dias”, sublinhou.

Apesar da confiança nos jogadores e do menor investimento por parte do Sporting de Macau e do Ka I, Henrique Nunes não acredita que a equipa tenha a vida facilitada para esta época. “Quanto menos equipas houver num campeonato, menos hipótese de perder pontos existe. Portanto, se houver um campeonato com duas grandes equipas, só há dois jogos em que se pode perder pontos”, frisou.

Em relação aos objectivos para esta época, o presidente da equipa destaca que são os mesmos desde a primeira participação na Liga de Elite, em 2012. “Vamos tentar sempre igualar os resultados do ano anterior”. “No ano passado fomos campeões e chegámos à semi-final da Taça e este ano vamos tentar voltar a ganhar o título e ver se conseguimos ir ainda mais longe na Taça de Macau”, referiu Duarte Alves.

Por sua vez, Henrique Nunes considerou uma “notícia extremamente desagradável” o “desaparecimento” do Ka I e do Sporting, que “eram duas belíssimas equipas” mas este ano “estão sem apoios”, o que vai, “de certeza absoluta, levar a que o campeonato de Macau tenha menos qualidade”.

Outro dos grandes objectivos era a participação na Taça AFC da Confederação Asiática de Futebol mas “por esquecimento de alguém” não foi possível lá chegar, recordou Henrique Nunes. “É inacreditável. Se depois desta experiência em Macau chegasse a Portugal e dissesse que uma equipa não participou na Taça AFC, que é o equivalente à Liga Europa, porque a própria associação se esqueceu de referenciar o clube, ninguém acreditaria”.

Nesse sentido, o treinador acredita que “é extremamente importante que os clubes se unam e exijam muito mais da Associação [de Futebol de Macau], se é que há interesse em que o futebol de Macau evolua”.

Por sua vez, Duarte Alves destaca que esta situação vem “afectar bastante o planeamento”. “Já nos tínhamos comprometido com bastantes jogadores e uma equipa técnica e também não seria justo, em Dezembro, dizermos que não íamos continuar com o projecto”, referiu o presidente. “Obviamente que se estivéssemos na AFC já teríamos tudo confirmado mais cedo”, mas “infelizmente não foi possível”.

 

Sem esclarecimentos

da Associação de Futebol

Até agora, indicou o presidente do clube, a Associação ainda não deu qualquer esclarecimento relativamente a esta situação. “Há um mês, por via oficial, perguntei o que se tinha passado. Todas as semanas fui lembrando que não tinha recebido uma resposta e passa-se hoje um mês”.

“Não sabemos muito mais o que fazer para conseguir uma resposta do lado deles, mas esta falta de transparência e comunicação com os clubes, leva a que o futebol não se desenvolva ainda mais”, criticou Duarte Alves. “É uma pena e, certamente, vamos perder terreno com equipas, até países e regiões de um ‘ranking’ muito parecido ao nosso, que vão ter de vantagem mais seis jogos internacionais ou asiáticos”, lamentou.

Apesar disso, o dirigente afasta a hipótese de intentar uma acção contra a Associação de Futebol de Macau. “A minha única sugestão é os clubes sentarem-se a debater as suas ideias, o que pode ser melhorado, porque só juntos, falando com a associação para explicar quais são os objectivos dos clubes, se pode dar o próximo salto”, defendeu, acrescentando que “o grande problema é não sabermos o que se passa”.

A título de exemplo, Duarte Alves indicou que foi prometido às equipas um calendário geral da época de 2017 “e a única coisa que sabemos são os dois primeiros jogos em Janeiro”. “Em Fevereiro não sabemos quando começamos”.

O presidente ressalva que saber a localização das partidas não é “tão importante” mas seria útil saber quando há jogos amigáveis da selecção ou os jogos em que esta irá participar.

“Se formos ao ‘site’ da AFC já temos um calendário até 2019. Não vejo por que razão Macau não pode ter um calendário que saia, pelo menos, um mês antes da competição começar para as pessoas poderem planear, não só em termos financeiros, mas também em termos de tempo”, frisou Duarte Alves, explicando que “a grande maioria dos jogadores são amadores ou semi-profissionais que têm o seu próprio trabalho e têm de organizar a sua vida e as férias, para poder dar o seu contributo, não só ao clube, mas também a Macau enquanto equipa”.

Duarte Alves acredita que “a grande razão do sucesso da selecção” nos jogos fora do território está directamente relacionada com “o esforço que os clubes têm feito nos últimos seis anos”.

Assim, o presidente defende que a oportunidade de integrar os jogos da Taça da AFC, que seriam pelo menos entre 12 e 15, daria uma oportunidade de crescimento ao futebol de Macau já que a RAEM poderia ser “anfitriã” de algumas partidas.

“Fala-se muito de Macau como destino turístico”, por isso, “acho que foi uma grande oportunidade perdida porque era tão simples”, defendeu. “Macau qualificava-se para esta competição, bastava uma inscrição, obviamente estaríamos interessados em participar e, com as instalações que temos, a Taça da AFC seria mais” um evento desportivo de destaque no território.